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PARA A HISTÓRIA DO ESPERANTO EM PORTUGAL: CARTA MANUSCRITA DE E. LANTI (1936)

ACTUALIZAÇÃO

Este livro de Eugene  Lanti (1879-1947) contem manuscrita uma carta a um seu camarada esperantista português, datada de Lisboa, 16 de Setembro de 1936. Corresponde ao longe périplo por vários países que Lanti faz para divulgar o esperanto e as suas posições politicas, após a ruptura com o PCF, que ajudou a fundar, e com a organização esperantista ligada à III Internacional que dirigiu. Lanti tornou-se um crítico do estalinismo e esta publicação (feita pela revista Herezulo que fundou) é um exemplo dessa posição. Lanti acabou a sua longa viagem no México, onde se suicidou.

Embora tenha algum conhecimento de esperanto, que adquiri quando dos livros que publiquei sobre a história do movimento operário português, pretendi que esta carta fosse traduzida em português, mas todos os contactos com a Associação Portuguesa de Esperanto resultaram infrutíferos.

PS. – Posteriormente recebi de um leitor “Bruno”, uma tradução do texto que reproduzo a seguir. Outro leitor João José Santos ofereceu-se igualmente para apoiar as traduções do esperanto, o que muito agradeço.

(na horizontal)

Lisboa, 16 de Setembro de 1936

Caro camarada,

Agradeço-lhe a sua carta.
Entretanto, soube que um navio sueco chega a Lisboa a 6 de Outubro e parte para Kobe, onde chega a 18 de Novembro. Decidi utilizar este barco para ir ao Japão.
Como não tenho o prazer de conhecê-lo pessoalmente quero, pelo menos, deixar-lhe uma lembrança; por isso, envio-lhe de oferta este livrinho.
Após a sua leitura, talvez pense que as gazetas reacionárias, também burguesas, narram de forma pouco favorável a situação na União Soviética e por isso?… A isso respondo: o maior crime de Estaline é que, pelos seus actos, pela sua tirania, compromete o comunismo. Os reaccionários misturam, hipocritamente, o comunismo com o estalinismo, ainda que ambos ismos nada tenham em comum.

(na vertical)

As últimas ocorrências em Moscovo são suficientes para dar razão, para confirmar, o conteúdo desta pequena obra. O facto dos velhos pioneiros do partido bolchevique estarem mortos ou presos por ordem de Estaline, prova da forma mais evidente que ele é ainda mais cruel e sem coração do que o czar…


Anacionalisticamente e fraternalmente
E. Lanti

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