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EPHEMERA – NOTÍCIAS DA SEMANA (7 A 13 DE DEZEMBRO DE 2015)

EM CONSTRUÇÃO

NOTÍCIAS DO CUNHAL IV

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FORTE DE PENICHE, 9 de Dezembro de 2015

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REITORIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO, 10 de Dezembro de 2015

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Fernando Rosas: biografia de Cunhal por Pacheco Pereira é uma obra incontornável para a história

O historiador Fernando Rosas classificou hoje o mais recente volume da biografia política do líder comunista Álvaro Cunhal, escrita por José Pacheco Pereira, como uma obra incontornável para a história do PCP e do país.
“É um livro incontornável para a história do PCP e do país, num período de grande importância do movimento comunista [os anos 60]”, disse Fernando Rosas, acrescentando que se trata de uma obra de “imenso rigor”, na qual se transcrevem muitos documentos na íntegra, muitos deles inéditos.
O quarto volume da obra intitulada Álvaro Cunhal, uma biografia política (o secretário-geral – 1960/1968), foi hoje apresentada por Fernando Rosas e pelo próprio Pacheco Pereira no antigo forte de Peniche, que serviu de prisão política durante o regime do Estado Novo e da qual Cunhal se evadiu em janeiro de 1960. O histórico secretário-geral do PCP Álvaro Cunhal foi um dos presos políticos que esteve detido durante 11 anos naquela prisão, entre 1949 e 1960.
A apresentação do livro contou com a presença do ministro da Cultura, João Soares, em representação do primeiro-ministro, António Costa, que, segundo Pacheco Pereira, não pode estar presente por se encontrar num jantar oficial com o chefe de Estado da Irlanda.
Na plateia estiveram personalidades de várias sensibilidades políticas, desde Carvalho da Silva (PCP), António José Correia, presidente da câmara e também do PCP, ao candidato presidencial Marcelo Rebelo de Sousa (ex-líder do PSD), Jorge Coelho e Maria de Lurdes Rodrigues (PS), o ex-secretário de Estado da Cultura Francisco José Viegas, do primeiro Governo de Pedro Passos Coelho, ou o pensador Eduardo Lourenço.
Sobre as presenças na sala, Pacheco Pereira disse que se trata de “um conjunto de pessoas que seria difícil reunir noutras circunstâncias”.
Pacheco Pereira, de 66 anos, professor universitário e comentador político, falou ainda de outras figuras que não puderam estar presentes, como o antigo Presidente da República Jorge Sampaio, o fundador do PSD Francisco Pinto Balsemão ou os candidatos presidenciais Sampaio da Nóvoa ou Marisa Matias.
Fernando Rosas, de 69 anos, professor catedrático e historiador que se tem dedicado à história do Estado Novo e da primeira República, temas sobre os quais tem publicada uma vasta obra, disse que o livro de Pacheco Pereira descreve a vida de Álvaro Cunhal desde a fuga do forte de Peniche até ao fim de António Oliveira Salazar, em setembro de 1968, “um tempo dos mais ricos e complexos de mudanças históricas na europa, no mundo e no país”.
Numa obra de 480 páginas, José Pacheco Pereira relata a vida de Cunhal logo a seguir à fuga da prisão situada no forte da vila piscatória de Peniche e a sua ascensão ao cargo de secretário-geral dos comunistas portugueses, a sua passagem por Paris e vida na então URSS.

(Diário Digital, 12 de Dezembro de 2015 |)

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A prova viva

Acaba se ser editado o 4º volume da Biografia de Álvaro Cunhal da autoria do historiador José Pacheco Pereira. Tivemos ocasião de ler os três primeiros volumes dessa obra monumental e esperamos em breve iniciar a leitura deste novo volume.
Daquilo que lemos dos volumes  anteriores esta é, não só a mais completa e bem documentada biografia de Álvaro Cunhal, como a obra mais completa sobre a história da oposição ao Estado Novo, já que o autor não se limita à figura de Cunhal, mas analisa, com base em muita documentação inédita e até então desconhecida, tudo o que gravitava à volta de ´Álvaro Cunhal E o que gravitava à volta de Álvaro Cunhal não era apenas o PCP e a Internacional Comunista, mas práticamente toda a oposição que com ele de perto privou.
Tive a oportunidade de confrontar o rigor da obra de Pacheco Pereira com a prova viva de um velho, e entretanto já falecido, militante do PCP que viveu  a história desse partido, na prisão e na clandestinidade e me comprovou a veracidade de tudo o que está escrito nesta monumental obra.
Só foi de lamentar, até agora, que o próprio PCP nunca tenha facultado o acesso de Pacheco Pereira ao seu arquivo ou que Álvaro Cunhal sempre se tivesse recusado a ser entrevistado pelo historiador.
Mas as grandes qualidades de Pacheco Pereira como investigador conseguiram ultrapassar e contornar essa lacuna, ao ponto de o próprio Álvaro Cunhal em vida e os responsáveis do PCP nunca desmentirem ou encontrarem motivo para desacreditar a obra histórica que agora conhece a edição do seu 4º volume.
Para além de ser impossível fazer a história do século XX português ( e até europeu) sem consultar esta obra, ela própria inclui um vasto manancial de documentação e de orientação bibliográfica imprescindível para  qualquer investigação séria sobre a época.

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CORRIGENDA DO CUNHAL IV

Na pag. 414, uma troca de legendas transformou o castelo de Kolodeje no Hotel Praga.

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Nas pág. 43 e 55, está referido «Lindim Ramos», mas no índice indica-se «Ramos, GILBERTO Lindim». Trata-se obviamente de Orlando Lindim Ramos. Agradeço a Joana Lopes a correcção de um erro que surgiu na revisão.

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AGRADECIMENTOS E ENTRADAS

NOTA

Tem havido um número muito significativo de ofertas para o ARQUIVO / BIBLIOTECA,  a que não tem correspondido a capacidade para a sua recolha, em várias partes do país. Nenhuma está esquecida e todas estão a ser seguidas com o maior dos cuidados. Peço desculpa pelo atraso e, às vezes, a resposta fora de tempo. Mas nenhuma ficará perdida.

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Agradeço ao António Augusto Santos Carvalho, meu colega no Liceu Alexandre Herculano no Porto, velho amigo, e com uma relevante carreira jurídica, a oferta de várias centenas de cartas enviadas a Joaquim da Silva Cunha, Ministro do Ultramar de 1965 a 1973, e Ministro da Defesa, preso depois do 25 de Abril. Trata-se da correspondência que lhe foi enviada em 1974-5 para a prisão. Esta oferta tem um valor suplementar que é contrariar a enorme dispersão dos papéis de Silva e Cunha, que se deu a seguir à sua morte e aqui  referidas, quando da aquisição de alguns dos seus papéis. Entre esses estavam partes desta correspondência enviada para a prisão, que assim fica menos truncada.

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Agradeço a Pedro Machado a oferta dos livros e papéis de seu pai, que já foram recolhidos e serão em breve organizados e integrados na BIBLIOTECA. Quanto aos papéis, relativos á sua actividade numa grande empresa portuguesa, a Somague, foram separados para organização.

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Agradecimentos aos nossos muito activos amigos espanhóis.

Recogiendo propaganda para PORTUGAL… (Pegatinas Tovaris)

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Na ZineFestPt no Porto foram adquiridos mais de uma centena de fanzines  e de outras publicações contra-culturais para o ARQUIVO / BIBLIOTECA. Entraram exemplares de Última Geração, Gérmen, Suburbano, Bárbaros, É Fartar Vilanagem, de fanzines de Madame Zine, panfletos e brochuras de D.Flagra, Casa Viva, Respigações Ai Ferri Corti, Museu do Douro, etc.

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Agradeço a Rui Feijó a oferta de um conjunto de materiais do Livre / Tempo de Avançar.

NOTÍCIAS DA COLECÇÃO EPHEMERA 

Estão em preparação os três próximos volumes da colecção EPHEMERA para a Tinta da China. Já existem autores e equipas de voluntários a trabalhar. Cada um explorará uma parte do ARQUIVO / BIBLIOTECA, entrada ou a entrar simultâneamente com a publicação de cada volume. Estão a ser trabalhados os seguintes volumes para Abril-Maio de 2016 (os títulos são provisórios):

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TEXTOS

O tempo das bibliotecas privadas está a acabar

Pelo trabalho que tenho tido de salvar livros e papéis, posso perceber algumas tendências da relação das pessoas com os livros, e ver o modo como, na substituição das gerações, numa elite letrada e educada, algumas coisas estão a mudar. É ainda uma observação muito impressionista, mas penso que fundada. Resumindo e concluindo: está a morrer uma geração que tinha muitos livros, pequenas e médias bibliotecas, e a geração dos seus filhos e netos não sabe o que há-de fazer com aquilo que herda. Não digo isto em sentido pejorativo, até porque seria contra o meu interesse próprio, pois tenho recebido muitas ofertas de bibliotecas, algumas integrais, e compreendo bem demais como os livros se podem tornar um ónus para os mais novos, que não têm condições, nem casas, nem interesse em os manter. Mesmo que os mantivessem, seriam bibliotecas mortas, sem ser usadas ou alimentadas. E uma biblioteca para ser viva precisa de alimento, de livros novos.

Muita gente pensa que uma casa sem livros, ou quase sem livros, como muitos jovens têm, é o resultado de uma substituição de uma tecnologia por outra. Não precisam de livros em papel porque está “tudo” na Internet, e há ebooks, e podem ler no telemóvel, no tablet, no ecrã do computador, tudo o que querem, de graça e sem ocupar espaço nas casas cada vez mais exíguas. Não penso isso, não penso que a substituição da leitura física dos livros em papel, por livros no Kindle, ou em qualquer outro suporte, é comparável ou é uma mera substituição de suporte. É outra coisa.

É verdade que mais gente lê hoje do que no passado, com a democratização do ensino e o avanço da escolarização. Mas haver mais gente a ler, não significa que se reproduzam o mesmo grau qualitativo de leitura, de necessidade de leitura, de intensidade de leitura, o hábito quase quotidiano de ler e de ler durante um tempo que hoje seria tido por “muito tempo”. A verdade é que as pessoas estão a ler de forma diferente, mas também é verdade que estão a ler menos porque, se não fosse assim, se podiam “desfazer” das pesadas bibliotecas de seus pais, mas estariam a fazer a sua, uma estante ou duas, de livros realmente lidos, ou seja, teriam mais livros do que têm. Leitores dedicados, com a mesma pulsão do passado, em ecrã, ainda é uma maravilha que está para aparecer. Duas horas a ler um romance, era um tempo trivial de leitura há 40 anos. Quem é que está duas horas diante de um ecrã a ler Balzac, Faulkner, Roth ou Coetzee? E utilizo deliberadamente estes exemplos, porque quem lê estes autores lê-os em livro, até porque, razão grande, é mais cómodo. E também não me parece que façam o mesmo a ler literatura policial, ou ficção científica ou romances cor-de-rosa, num ecrã.

Não escrevo isto por qualquer nostalgia do cheiro dos livros ou da textura do papel. Percebo que há vários tipos de livros que são substituídos com vantagem por um ecrã, e o hipertexto dá uma dimensão completamente nova a um certo tipo de leitura, introduzindo volume e dimensão espacial à folha fixa do papel. Manuais técnicos, livros de referência, enciclopédias (em parte), livros técnicos, cada vez têm mais sentido apenas em versão electrónica. Poemas, artigos, pequenos contos, rápidos, também não fazem grande diferença. O tempo que se demora a ler é um factor. Como é um factor a fluidez da leitura de ficção, que é linear e não se coaduna com o volume do hipertexto. Mas digam-me quantos dos leitores deste artigo, novos ou velhos, leram alguma vez Eça de Queirós, Cardoso Pires, Saramago, Esteves Cardoso, Margarida Rebelo Pinto, num ecrã?

Coloquem-se a ler um livro de papel ou a ler um livro no ecrã. O texto é o mesmo, mas há várias coisas que fazemos, mesmo inconscientemente e que se fazem melhor num livro em papel do que num ecrã. Uma delas é, por exemplo, folhear, e folhear não é “procurar” como se pode fazer facilmente com um motor de busca, aí o ecrã tem vantagem, mas andar para trás e para a frente à procura de uma frase, um nome de uma personagem, uma descrição.

A favor do livro em papel jogam as nossas limitações físicas e psicológicas. E, enquanto elas não forem superadas por qualquer método que nos faça poder ver ao mesmo tempo mais espaço do que o que existe num ecrã de telemóvel, ver bem em letra pequena, estar confortavelmente horas diante de um ecrã, o livro mantém vantagem. E mesmo os jovens que estão o dia todo dependurados num telemóvel não estão a ler, mas a receber e a mandar mensagens, a ver filmes no YouTube, ou a jogar. Por isso, a tese da substituição para explicar a desaparição dos livros nas casas parece-me errada.

A gente não tem os olhos que quer, nem os ouvidos, nem a cabeça. Todos temos regras que estão inscritas no nosso corpo. As máquinas ajudam, mas não acabam com essas limitações. A máquina livro tem respondido muito bem ao nosso corpo. Tão cedo não será substituída. As razões por que as pessoas lêem menos e lêem pior são outras. Estão na sociedade, não nas tecnologias.

(Na Sábado, 11 de Dezembro de 2015).

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