Autocolante. Iconografia da Liberdade
“22/maio a 30/agosto
Organização: MUDE-Museu do Design e Ephemera – Associação Cultural
Partindo do vasto acervo documental da Ephemera — que reúne materiais efémeros de natureza política, social e cultural — e articulando-o com a perspetiva crítica do design enquanto prática e linguagem, a exposição Autocolante. Iconografia da Liberdade evidencia como os autocolantes funcionam simultaneamente como instrumentos de comunicação e testemunhos materiais de contextos políticos específicos. Neste sentido, o design gráfico é apresentado tanto como expressão estética, como agente ativo na formação da esfera pública e na mobilização de públicos.
A exposição explora a diversidade do autocolante como ferramenta de mobilização, pertença e ativismo recuando ao momento antes do 25 de abril de 1975, destacando também o seu valor em termos de design. Começando por apresentar a explosão do autocolante no pós-25 de Abril e o ciclo eleitoral de 1975-76, celebra-se as cinco décadas de vida democrática através de uma grande diversidade de iconografia política e partidária. Destacam-se figuras nacionais e internacionais, algumas que se transformaram em ícones intemporais, apresentam-se slogans e palavras de ordem que marcaram este período e inclui-se ainda material da evolução das campanhas locais, nacionais (presidenciais e autárquicas) e europeias até à atualidade. O percurso culmina numa grande secção dedicada a causas sociais e lutas globais, desde a Reforma Agrária e o sindicalismo até às urgências contemporâneas como a habitação, direitos LGBTQIA+ e a emergência climática.
Esta exposição constitui a primeira iniciativa conjunta no âmbito da parceria estabelecida entre o MUDE – Museu do Design e a Associação Ephemera, assinalando a colaboração entre duas instituições com vocações distintas, mas complementares que pretendem promover a investigação, a conservação e a exposição de materiais da cultura material e visual. Ao cruzar as questões políticas com o design gráfico, a mostra propõe uma leitura alargada do papel dos objetos visuais na construção, mediação e disseminação de ideologias, discursos e momentos históricos, sublinhando a intersecção crítica entre o design, a arte e a cultura, e a sua articulação fundamental com as dinâmicas sociais e políticas contemporâneas.”

