Tudo indica que uma parte muito significativa dos arquivos da União de Grémios dos Espectáculos (UGE), a antiga organização corporativa dos empresários ligados ao cinema, substituída depois do 25 de Abril pela Associação Portuguesa das Empresas Cinematográficas, tenham sido destruídos. Não estou certo se foram todos (parece terem ido parar alguns documentos, após muita insistência, à Cinemateca), mas muitos terão já desaparecido. Dessa destruição foi possível salvar este dossier respeitante à correspondência quer interna, quer externa, da UGE com as entidades responsáveis pela censura dos filmes, desde o início da década de sessenta, assim como um outro dossier sobre a mesma matéria já sem capa, mas mantendo a documentação organizada, assim como algumas peças soltas que estavam colocadas junto. Para além da correspondência, existem alguns documentos, em particular quadros, mapas e sínteses sobre a actividade da censura dos filmes, englobando igualmente informações sobre a censura em Angola e Moçambique que parece muito mais aberta à exibição de filmes proibidos no continente. O interesse deste conjunto de documentação vem também de ele completar a da contraparte, SNI, DGSE e Censura, que se encontra no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.. Dessa documentação se reproduzem aqui alguns exemplos, que mostram o seu interesse para o estudo da censura, mas também a forma como os empresários do sector se esforçavam para conciliar os seus interesses com o controlo político do regime.
Carta da Doperfilme referindo os filmes enviados para a censura e os cortados (12 de Janeiro de 1962).
Dossier sobre o filme Roma Cidade Aberta (de Rossellini) na tentativa de ultrapassar o “Obviamente proibido” que a censura tinha decretado e que de novo foi reafirmado em 1963.
Quadro realizado nos serviços da UGE sobre os filmes permitidos, com cortes, censurados, que foram proibidos depois de estarem em exibição ou que eram permitidos em Angola e Moçambique e proibidos em Portugal continental.