PARA A HISTÓRIA DOS CARTAZES DAS MANIFESTAÇÕES DE 2 DE MARÇO

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Recebi de Pedro Cortesão Monteiro uma nota sobre alguns cartazes publicados no EPHEMERA e  um artigo que publiquei no Público sobre alguns deles, que refiro aqui, e cujo conteúdo reitero: “os cartazes denotam uma explosão de criatividade e de expressividade, e será essencialmente através deles que se vai poder medir no futuro (como já se pode fazer no presente) os “sentimentos” dos manifestantes”. Nesse sentido, as informações complementares envidas por Pedro Cortesão Monteiro são muito úteis para uma história a fazer:

Um amigo acabou de me enviar uma fotografia minha publicada no seu blogue/arquivo Ephemera. Como — confesso… — achara uma pena que o cartaz com que apareço na foto não tivesse sido objecto da sua análise no Público, este resgate deixou-me consolado. Não por vaidade pessoal, mas porque creio mesmo que aquela frase — “Não estou cansado, estou fodido” — e o seu autor, o extraordinário B. Fachada, mereciam outra exposição. Apesar de originalmente o verso não ter uma conotação política explícita, para mim transformou-se numa síntese daquilo que sinto e da relação de muitos portugueses com o seu país. Num breve texto no Facebook, tentei explicar a alguns amigos aquela minha escolha:
“A frase do meu cartaz vem daqui, de um dos meus discos de 2012. Na canção, o verso é parte de (mais) uma crónica familiar do Fachada. Mas tem essa força que transcende a autobiografia e encarna o espírito do tempo. Talvez se a ouvirem assim (tão bem cantada!), percebam melhor por que é que a tinha mesmo que levar num cartaz, avenida abaixo. (É pena que em vez do Zeca não andemos a cantar — ou pelo menos a ouvir — o B. Fachada. Estaríamos bem mais perto do país em que vivemos.)”
É mais uma triste sina nacional, essa de estar sempre a passar ao lado das vozes que, a cada momento, melhor nos traduzem.
Caso também não lhe tenha ainda prestado a devida atenção, tomo a liberdade de lhe sugerir que ouça o extraordinário “Há Festa na Moradia” — eloquente descrição deste país de Relvas e afins: (…) ver as crianças a brincar também / aos ministérios que vão dirigir um dia / treinar a via / de pequeno se faz um filho-da-mãe / para tentar a sorte com aquelas vagas para a maçonaria / vêm marxistas lá do norte dormir com os padres da monarquia (…)” — ou o provocador e explícito Deus, Pátria e Família — (…) Portugal está para acabar / É deixar o cabrão morrer / Sem a pátria para cantar / Sobra um mundo para viver (…)
Pode ser que compreenda melhor a minha urgência de espalhar assim a palavra do Fachada… (que, logo agora, desgraçadamente, resolveu meter uma “sabática”.)
(…) Aproveito ainda ocasião para lhe mandar imagens de mais alguns cartazes da manifestação de 2 de Março. Pode ser que ache algum merecedor de constar do seu arquivo. São todos produto de uma oficina popular que realizámos na FA-UTL na manhã de 2 de Março.
2013-03-09
(Autoria cartaz: Gonçalo Falcão / Foto TSF/Alexandrina Guerreiro)
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(Fotos de Pedro Cortesão Monteiro.)

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