EM CONSTRUÇÃO

Colocada por ordem cronológica.

As transcrições, salvo indicação em contrário, representam a primeira leitura da carta manuscrita ou dactiloscrita.

IMAGEM 1IMAGEM 2 TRANSCRIÇÃO DATALOCALDE:PARA:DESCRIÇÃOORGORIGEM NOTAS




1915COMISSÃO TÉCNICA DA REMONTA
Circular
PARTIDO REPUBLICANO LIBERAL
COMISSÃO MUNICIPAL
DE
OEIRAS
Exmo Correligionarios
Por convite publicado em jornais partidarios está convocada para o proximo domingo 19, pelas 14 horas no Centro de Algés, Cabeços de Manique 10, uma reunião conjunta das comissões politicas e demais correlegionarios de Oeiras, para se tratar, alem da escolha dos delegados ao proximo congresso partidário, outros assuntos da maxima importancia, tais como reorganisação das comissões que a presente quer que não existam [?], devendo assentar-se num plano de acção indispensavel para tornar pruficua a influencia do Partido na politica geral e em especial no que interessa ao nosso concelho.
Sobre este particular há no presente dois assuntos da mais alta importancia de que o Partido não pode alheiar-se; refiro-me às proximas nomeações de secretario da Camara e de Medicos [?] Municipais, como estes que o Partido deverá ponderar na proxima reunião.
Confiando na nunca desmentida dedicação partidária de V. Ex.cia espero dever-lhe a finesa de não faltar a esta reunião, quando por motivos de força maior não possa comparecer, obrigado lhe ficava dizendo por escrito o que se lhe oferecer.
Saúde e Fraternidade
Algés, 16 de fevereiro de 1922
O Presidente da Comissão Municipal
1922/02/16Algés(Comissão Municipal de Oeiras)CorrelegionáriosCircularPARTIDO REPUBLICANO LIBERAL
1923/12/03MoitaBatista, Francisco Joaquim
(Presidente e Secretário da Comissão Municipal da Moita)
Presidente do Directório do Partido Republicano RadicalNotas a lápis de 6 de Janeiro de 1923.PARTIDO REPUBLICANO
RADICAL
1923/12/14BarreiroComissão Municipal do BarreiroSecretário do Directório do Partido Republicano RadicalNotas a lápis de 6 de Janeiro de 1924PARTIDO REPUBLICANO RADICAL
1923/12/24S.Pedro de SintraRebelo, Manuel Vírgilio
(Tesoureiro da Comissão Municipal de Sintra)
Directório do Partido Radical Notas a lápis de 4 de Janeiro de 1924PARTIDO REPUBLICANO RADICAL
1926/03/28FreixedoAntónio Dias Custódio (Alfaiataria Operária)Oliveira, Lopes de Impresso de Memorandum da Alfaiataria Operária de António Dias CustódioPARTIDO REPUBLICANO
RADICAL
1926/05/01ÁguedaSantos, Luís Maria de Almeida Oliveira, Lopes de PARTIDO REPUBLICANO
RADICAL
1926/06/04Idanha-a-NovaPresidente da Comissão Municipal do P.R.R.PARTIDO REPUBLICANO
RADICAL
1927/08/19PortoAmérico Cardoso (?)[Lopes de Oliveira]PARTIDO REPUBLICANO
RADICAL
1928/10/13ParisAu Bon MarchéGomes, Azevedo,(sra.)
1930/09/24LisboaSantos, André dos Director Jornal A BatalhaAssociação de Classe Tanoeiros de Lisboa
1930/11/28Santiago de CacémSilva, JúlioAlmeida
1931/01/25JuromenhaRodrigues, João José "Prezados camaradas..."Associação dos Trabalhadores Rurais de JuromenhaASSOCIAÇÃO DOS TRABALHADORES RURAIS DE JUROMENHA
(1ª leitura)
Meu caro Herculano

O portador é um dos meus melhores amigos, Francisco Gonçalves da Cunha.
Tem paciencia. Peço-te que o atendas como se fosse eu próprio.
Um abraço do teu mto am[igo]
Ribeiro de Carvalho
27-1-933
1933/01/27Carvalho, Ribeiro de Herculano
1933/08/18Soutelo. MogadouroBarros, Henrique deGraça, Luís Quartin
1935/12/13LisboaInez, Artur
Serras, Manuel
(Pela Sociedade Editorial “O Mundo” Em Organização)
Rodrigues, Urbano Salgueiro, Mário Rascunho de Carta a Enviar
1936/02/13ViseuFrancisco Pereira (Governador Civil)Ministro do InteriorNACIONAL SINDICALISMO
1936/08/02SevilhaGalvão, HenriqueMarques, LealRELATÓRIOS DE HENRIQUE GALVÃO NUMA MISSÃO SECRETA A ESPANHA NO INÍCIO DA GUERRA CIVIL (AGOSTO DE 1936)
1936/08/04LlerenaGalvão, HenriqueMarques, LealRELATÓRIOS DE HENRIQUE GALVÃO NUMA MISSÃO SECRETA A ESPANHA NO INÍCIO DA GUERRA CIVIL (AGOSTO DE 1936)
1936/08/07SevilhaGalvão, HenriqueMarques, LealRELATÓRIOS DE HENRIQUE GALVÃO NUMA MISSÃO SECRETA A ESPANHA NO INÍCIO DA GUERRA CIVIL (AGOSTO DE 1936)
(1ª leitura)
UNIÃO
NACIONAL

TELEFONES
P.A.B.X.
2 9043 2 9044 TELEFONES
2 6757
ESTADO 165

[Emblema da União Nacional]
NADA CONTRA A NAÇÃO
TUDO PELA NAÇÃO

COMISSÃO CENTRAL
LARGO TRINDADE COELHO, 21
LISBOA

Ao Exmº. Snr. Horacio Gonçalves
N.º 3600/76 LISBOA

A Comissão Executiva da União Nacional, na sequência da sua acção politica, resolveu intensificar neste momento a propaganda contra o comunismo, atravez os microfones da Emissora Nacional e do Rádio Club Português.
Trata-se de uma série de alocuções, de curta duração, não excedendo cinco minutos – os "Cinco Minutos Anti-Comunistas" – realisadas todas as noites, ás 22 horas no Rádio Club (Parede) e ás [22 rasurado] 21,30 horas na Emissora Nacional (Rua do Quelhas).
Tomámos a liberdade de incluir o nome de V. Exª., como membro das nossas Brigadas Doutrinadoras, na lista dos que hão-de realisar essas alocuções, préviamente certos do seu acôrdo. Por êste meio lhe rogamos o favor de, com a maior urgência, nos indicar qual o dia ou dias que prefere lhe sejam destinados e se tem motivo para optar pela Emissora Nacional ou pelo Rádio Club.
Se a V. Exª., por ventura, por razões extraordinárias, fôr impossível comparecer pessoalmente para proferir a sua

[Emblema da União Nacional]
NADA CONTRA A NAÇÃO
TUDO PELA NAÇÃO

alocução ou alocuções, pedimos se digne redigi-las e enviá-las á nossa séde, a fim de serem oportunamente lidas pelos locutores das estações.
A bem da Nação.
Lisboa, 19 de Agosto de 1936
Arm.
Pela Comissão Executiva da
União Nacional
[Assinatura ilegível]
1936/08/19União NacionalGonçalves, HorácioUNIÃO NACIONAL

1937?Embaixador da Argentina FRENTE POPULAR PORTUGUESA(em francês)

(1ª leitura)
[Carimbo Selo de MINISTÉRIO DA GUERRA – REPARTIÇÃO DO GABINETE DO MINISTRO]
CÓPIA
[Manuscrito Cópia da Cópia]
- Frente Popular Portuguesa
(Comité do Norte) PÔRTO
Comandante da 1ª Região Militar
PÔRTO
A Frente Popular Portuguesa, por intermédio do seu comité do norte, nas suas reúniões consecutivas, tem apreciado o andamento dos actuais acontecimentos de Espanha, e congratula-se pelo êxito que desde o início, e muito especialmente agora, em que está demonstrado claramente o triunfo cada vez maior do Governo Republicano, o Govêrno Popular e democrático, guiado pelos mais altos princípios da democracia social, em luta contra todos os facismos, nacionalismos e reacção.
Vê com satisfação que se começa a sentir cada vez mais, o seu triunfo, estando portanto quasi que liquidada a orda chamada nacionalista.
Êste facto enche de júbilo a maioria do povo português, que aspira a sua liberdade e a sua independência, pois vê também que está próxima a sua libertação das garras infames de uma ditadura de tirania, de roubos e imoralidades, como nunca se viu em Portugal.
A repressão à liberdade do pensamento, a imoral censura à imprensa, para encobrir todas as malandrices, e a mentir constantemente ao povo, a criação sempre crescente de impostos, com a ganância do Estado e dos Grémios, só tendo direito os grandes, roubando os desgraçados que nem podem pedir pão para comer, as torturas mais infames praticadas pela polícia de informação com o consentimentos das autoridades civis e militares, e tudo isto tem aguentado o povo, embora com o protesto surdo de bôca em bôca, e onde as manifestações ao Govêrno, são obrigatórias, e ai daquêles que a elas faltem e não dêem vivas, mas que por vezes se tornam irrisórias.
Porque não deixam a tribuna livre, porque sabem, que na discussão e com factos seriam logo derrotados, pois não possuíam argumentação de defesa.
Uma grandissima parte de oficiais do exército, incluíndo você, tambem teem graves responsabilidades, e os quais as terão de pagar na sua oportunidade. Esses, estão assentes no nosso rol, para serem executados pela justiça do povo, pois que há muitas victimas do chamado Estado Novo, e inocentes, só pelo simples facto de discordarem da reacção, o que aliás estão no seu direito, como cidadãos.
Vocês no tempo das liberdades e sem razão revoltaram-se, e agora depois que se tem cometido crimes como nunca, e em que se poz a patria em perigo, de que vós sancionaram, traíndo o Govêrno Espanhol e favorendo a reacção, estais portanto debaixo de uma responsabilidade que por ela tendes de responder. Cometesteis uma traição de maus portugueses, que jámais poderão ser perdoados.
A Frente Popular Portuguesa, lança-vos êste convite:
Ou vós oficiais do exército, salvam desde já a situação vergonhosa, e perigosa, em que nos colocou o Govêrno da ditadura do Salazar, colocando-nos perante a Espanha Republicana e democrática, dando o golpe do Estado, evitando assim àmanhã um conflito e se o não fizerdes sereis considerados traidores à pátria, e então será o povo, que para salvar as suas liberdades e se pôr ao lado dos nossos irmãos espanhóis, que vos ha-de justiçar por suas próprias mãos, ou demiti-los por completo do exército.
Depois já é tarde.
Viva a República Social! Viva o Comunismo! Abaixo a ditadura! Abaixo os Nacionalistas!
Avante pelo triunfo do Govêrno Espanhol! Pelo povo!

Nota: Ouvir todas as noites, Rádio Frente popular Portuguesa, às 21 horas e um quarto, ondas curtas 40, às terças, quintas e sabados às 23 Moscovo em espanhol.
Pôrto, 14 de Agosto de 1937
O Secretário
(a) Ilegível
1937/08/14Comité do Norte da Frente Popula Comandante da 1º Região Militar do Porto FRENTE POPULAR PORTUGUESA



(1ª leitura)
Frente – Olivia de Merida 23-11-937

Meu Pai istimo que esteija de saude que eu felizmente Bem.
Acabo de receber a sua carta que muita alegria me deu em saber que estava de saude.
Manda-me dizer na carta que muito se admira de eu ter vindo para tam longe sem eu me despedir de si. Eu lhe esplico só sube que vinha nesse dia era 1 h. da tarde e tinha de enbarcar ás 8 da noite foi tál mutivo que não me despedi.
Mas deijei là no quarto dentro da mesa de cabeceira uma carta escrita não sei se a vio.
Mas enfi se eu não murrer ai voltarei [ilegível] se murrer? resar por alma.
Mudamos de asunto [?], pôr ai tem chuvido muito? pôis ca tem chuvido alguma coisa, e especialmente frio.
Eu precisava que me mandá-se 3 ou 4 páres de meias e 3 lenços que cá não teinho nem à à venda e juntamente tabaco e murtalhas que aqui para se encontrar e coumo um cego achar uma agulha num palheiro. as murtalhas especial chegueia a dar 3 pesetas por um livro e com mil agradecimentos, a maneira mais pratica de mandár e coumo amostra fáz um pacote e vai ó correio registar. pois eu agradeço muito pois as unicas distrações do combatente e o fumar e lutar contra o inemigo.
Em breve lhe mando o meu retráto, déve de ter dificuldade em escrever mas deve de ter alguem que lhe escreva escreva-me sempre que eu no mesmo dia que recebo carta escrevo máis a máis os combatentes não pagam sêlos.
Quando eu recebi a sua carta estáva eu a começar a comer já não quis comer pois a alegria de receber tirou-me a vontade de comer aqui quando se recebe carta é gran_ [?] alegria tanto de quem a recebe coumo dos outros portugueses que cá estão, cá no meu batalhão estam 8 portugueses é o que vále para esquecer portugal vamos sempre lutando gritando Arriba Espanha Viva Franco Viva a mórte
Com isto vou terminár receba um apertado abraço des seu filho.
Serafim [ilegível]
Falagista da 4ª Companhia 4º Batalhão
Olivia de Mérida (Badajoz)
ESPAÑA
1937/11/23Frente - Olívia de Mérida?
Falangista da 4ª Companhia 4º Batalhão
Pai
(1ª leitura)
Presidencia do Conselho
Gabinete do Ministro
Lisboa, 28 de Novembro de 1937.


Ex.mo Sr. Conselheiro
Ainda não tive tempo de acusar a recepção da última carta de V. Ex.a de há semanas, a propósito do caso “Paiva Couceiro”.
Agradeço muito a V. Ex. a a sua expontanea e sincera declaração e as provas que não se cança de dar-me, e ao Govêrno, de consideração e apoio. Assim outros ajudassem com boa vontade e inteligencia a rever os problemas [ilegível] [ilegível] a que todos os homens de bem e sinceramente patriotas são chamados a colaborar.
Infelizmente estamos longe de compreender todos, o que se exige de nós perante o mundo, o que sômos e [fazemos?] nêle, e ai de nós se não chegamos a compreendê-lo bem e a proceder em conformidade com essa compreensão.
A carta do Sr. Pereira Couceiro, ainda despida de sua impertinencia e grosseria e das suas apreciações de expressiva ignorancia acêrca da politica financeira, é o documento mais anti-patriotico que conheço dos ultimos tempos de vida portuguesa. Considero o uma divagação, presunçosamente feita por elementos monárquicos auxiliados pelos seus mais declarados inimigos, como crime, de lesa-patria.
No fundo o que temos? Um homem com grande passado colonial e de que no estrangeiro teem o direito de desconhecer o temperamento e as ambições políticas, vem, embora sob disfarce de ataque pessoal ao Presidente do Conselho, defender a tese, hoje cara em muitos países, acêrca da incapacidade portuguesa para valorizar o seu domínio colonial. Pouco importa na verdade acusar a pretensa sovinice ou estreiteza de espírito do Ministro em relação a Angola: demonstrado que o progresso da colónia só pode fazer-se com rios de dinheiro – os quais, aliás no tempo do general Norton apenas produziram ruinas – demonstrado fica que não podemos só valorizar as suas riquezas. O que podemos e sabem-no os outros porque teem meio de apreciá-lo; o que é preciso dizemo-lo nós com uma inconsciência que, se o não é, [ilegível] ser loucura ou traição. Porque a desproporção entre uma coisa e outra salta aos olhos de toda a gente e é contra nós.
E no entanto é falso que a obra de Colonização se resume no investimento de capitais e [ilegível] de explorações lucrativas ou não [ilegível] domínios coloniais; é falso que o progresso de qualquer colonia - independentemente das suas riquezas materiais ou condições de habitabilidade – provenha apenas da facilidade de desperdiçar o dinheiro próprio ou alheio, é falso que a Metrópole, ainda que com sacrifício seu tenha recusado a auxiliar financeiramente as colónias quando os sacrifícios [ilegível] uteis a estas e designadamente a Angola; recuso-me aceitar a tese de que é preciso que a Metrópole se esgote para se fazer obra colonial semelhante à de outros países, nem nenhum destes, que eu saiba, admite tal modo de ver as coisas.
Eu tenho no Govêrno uma única grande preocupação – posso confessá-lo – e essa são as colónias. Todas as outras coisas da nossa política interna ou externa, que deveriam incomodar, irritar, perturbar, entristecer qualquer pessoa, a mim desde há muitos anos que me deixam pouco [menos de?] indiferente: são muito pouco diante do Império Colonial e nada diante das ameaças e perigos de todos os momentos. Simplesmente os meios de conjurar estes últimos não são a desordem nem a anarquia administrativa, nem o esgotamento financeiro, nem as chamadas obras de fomento a esmo, nem o quixotismo internacional, mas o conjunto de pressões morais que provenham da nossa dignidade nacional, da nova obra colonial séria e bem ordenada, mas não exclusivista nem hermética, duma certa organização de força que ao menos seja incómoda, e da aliança inglesa, até onde a extrema prudência e as formas extremamente vagas da política britanica nos permitem confiar nelas. Se êste é o caminho, não posso ser acusado de não trabalhar afanosamente e eficazmente pelas colónias portuguesas.
Não quero dizer que alguns problemas coloniais se não arrastem, que certas realisações não [acenassem?] aparecer já aos olhos dos portugueses, que não seja necessário um impulso forte para vencer nalguns pontos a estagnação presente; mas em carta particular eu posso confessar ao grande português que Vossa Excelência é – teem faltado os homens e devo dizer mesmo que faltam mais os homens do que o dinheiro.
Desculpe-me V. Excelência o arrazoado, é conversa de domingo que o acto do Sr. Paiva Couceiro não merecia como resposta nem Vossa Excelência merece como castigo.

Com a maior consideração
[ilegível] V. Exa
M.to At.º Vur. Gut.
(a) O. Salazar
1937/11/28Salazar, António Oliveira"conselheiro"





(1ª leitura)
Salamanca 27 de Dezembro de 1937

27-1-933

Minha querida mãezinha

Muito estimo que esta minha carta a vá encontrar de uma perfeita e feliz saude na companhia do pai que eu vou vivendo felizmente e graças a Deus.
Minha mãe recebi uma outra carta sua em que me dizia porque não lhe escrevia eu, já deve de saber qual não seria a minha alegria senão escrever-lhe todos os dias mas infelizmente não posso, só escrevo quando aqui me autorizam, igualmente a D. maria não lhe escrevo não é por não ter vontade de lhe escrever pois que tenho grande admiração e estima por ela e já vê lhe escreveria todos os dias mas não me autorizam a escrever a ninguém a não ser à mãe ou ao pai e mesmo para si é de tempos em tempos; minha mãe espero se me manda dizer aver se me reclamam ai para Portugal pois é o que eu queria.
Não sei se sabe já o motivo da minha prisão mas se não sabe vá ao Menistério dos Negocios Estrangeiros e lá a informaram pois que eles já lo sabem o consul os à informado; agora lhes pedia para me mandarem para cá o registro policial e criminal e igualmente um certificado em como eu perteneço à Legião Portugueza, que é para eu entregar aqui; no registro policial ponham profissão (Motociclista)
Minha mãe igualmente lhe pedia aver se póde enviar a importancia de quatrocentas pesetas (400 Pesetas) entregueas no Menestério e de la que las mandem ao consul para o consul me las mandar pois que é para o seguinte.
Comprar um colchão e mantas para dormir pois que aqui não há comprar um fato de macaco pois que de roupa de fóra estou desnudo; e pagar uns documentos que eu mandei tirar aqui para comprovar minha inocencia e tambem para pagar um pouco de comida; para eu aqui parar basta dizer que abati 9 kilos em mez e meio.
Estou aqui detido porque me acusam de ser tenente aviador dos governamentais, ou seja de Madrid; já vê o que me póde acarretar a morte, pois que é a pena aplicada a todos os aviadores.
Espero me possa mandar o dinheiro pois que assim poderei tratar da minha salvação pois que estou inocente, eu que sempre fui nacionalista que desde 5 de Outubro de 1936 estou prestando serviço em España que sou ferido duas vezes e por fim se metem numa prisão acusado de ser (vermelho) é o maximo que eu esperava.
Espero não se esqueçam do resgistro policial e Criminal e a credencial da Legião Portugueza, e igualmente do dinheiro.
Com isto nada mais recomendações ao pai e toda a familia.
Egualmente à S.ra D. Maria que e perdone não lhe escrever ja sabe o motivo; e que lhe desejo umas pascoas felizes; à tia Rosa Albertina e Alvaro e toda a familia, igualmente ao João tia e Sr. Augusto, enfim todas as vizinhas, a mãe e pai recebam mil beijos e abraços de este seu querido filho que os desja vêr e não póde.
Adeus até à vista
Manuel [ilegível]
(Pascoas felizes e ano novo)
Não se esqueça do que lhe peço)
1937/12/27SalamancaManuel...Mãe
(1º leitura)
TARJETA POSTAL

[carimbo] [ilegível]
7 ABR. 39 - 6 H
3.ª SECÇÃO

SALUDO A FRANCO
¡ARRIBA ESPAÑA!

[carimbo] CAC[ERES]

[carimbo]
CORRE.º E TEL.º
7-4-39 - 1.ª EX
ESTORIL

Sr. D. Josefina d’Almeida
Monte Estoril
Portugal



Caceres 2/4/ às 18 horas –
Prima [?]
chegamos agora a Caceres onde devemos ficar para amanhã. Ao contrario de Badajos, éramos aguardados por derigentes do auxilio social e como às 6 da tarde são horas de almoçar lá foi tudo de charola para uma grande cása comer arros com pimentos e pao feito de semeas.
à vista do mesmo [?] cacho [?] e sosinho fui para a camioneta almoçár 3 Laranjas. à saida de Badajós comi pasteis e um canudo com manteiga e por isso passo bem. O 54 [?] está de orelha murcha mas agóra é até ao fim. veremos onde durmir esta noite. Comendo tao poco devo chegar sem assucár.
saudades a todos beijos à menina e aceita saudades do teu Zé
uma lição mestra [?]
1939/04/02Cáceres, EspanhaJosefina de Almeida












(1ª leitura)
[manuscrito a lápis] [Aprove?] [ilegível]
[ Carimbo] REPUBLICA PORTUGUESA –Gabinete do Presidente PRESIDENTE DO CONSELHO

Lisbôa, 11-1-940
Excelência
Esta carta é escrita num momento de desespêro; eis pois porque não me importam as conseqüencias que da mesma podem advir.
Chega mesmo a ser lamentável eu ser obrigado a dirigir uma carta nestes têrmos ao primeiro magistado da Nação, porque isso só revela o abandôno o desprêzo a que são votados os mais leais servidores da Pátria.
Ora eu, que abandonei tudo o que na vida me era querido e fui até terras de Espanha onde sofri os horrores e agruras dessa guerra atróz; eu que, influênciado pelos
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meus ideais e arrastado por alguém que à minha custa e de outros se elevou, encontro-me numa situação tão deplorável como mísera… e, não obstante ter sido ferido quatro (4) vezes em combate, não obstante possuir curso dos liceus, não há ninguém que se interesse pela minha situação e de tantos outros nas minhas circunstâncias.
Mas não são os particulares que se devem interessar por nós; é o Estado, simplesmente o Estado, pois foi para defender o Estado que muitos abandonaram os seus emprêgos, lares e família.
Dois anos lutei em Espanha, como poderei provar com o documento de
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licenciamento; regresso à Pátria pensando que Ela compreendendo o meu sacrifício me abriria os braços. Mas… puro engano! A recepção que foi feita aos Viriatos, não passou de mera fantasia e duma hipocrisia sem limites.
É lastimoso, mas tenho de o dizer: sou obrigado a abandonar dentro de 2 ou 3 dias o Paíz e procurar trabalho no Estrangeiro, para não morrer de fome, porque a Pátria, depois de se apanhar servida, deu-me um pontapé.
Cheguei a alistar-me no Consulado da Filândia, cheguei a escrever uma carta para o Diário de Notícias, no sentido de
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se organizar uma nova Legião de voluntários para combater na Filândia. A resposta que o Dr. Augusto de Castro me deu, que trago comigo, constitui um bom documento de defêza para mim.
Mas… Já desisti disso, porque afinal quem iria defender eu? Precisamente aquêles que passam bem, enquanto que eu, desgraçado, iria talvêz morrer de frio; e se não morrêsse e tivesse a infelicidade (infelicidade, repito) de regressar a Portugal eu apanharia não outro pontapé, mas sim uma sova mestra.
Isto faz-me lembrar uma vez que eu, môrto de fome (não obstante possuir o curso dos liceus, repito) fui bater a uma porta
[rasgado 5?]
abastada e me disseram:
“- Então porque foi V. combater para Espanha? O Estado não se interessa por vocês?”
E eu não soube responder; tive vergônha!
Duas vezes na vida senti orgulho de ser português: uma, há já vários anos, quando V. Ex. me apertou a mão no teatro de S. Carlos, por ocasião da inauguração da Acção Escolar Vanguarda. A outra… quando nos campos de batalha de Espanha eu enterrava até ao gume a baionêta no peito dos adversários… e depois no desfile da Vitória em Madrid!
Hoje, repito, tenho vergônha de ser por
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tuguês!!!
Tinha um livro pronto a editar sôbre a guerra e a nossa representação; mas desisti de o fazer, isto é, de o publicar, não obstante estar já em mãos duma casa Editôra. E porquê? Porque seria simplesmente vergonhôso que o livro, cheio de feitos heróicos praticados por Viriatos, viesse a público, quando o seu autor passa a mais nêgra das misérias.
Bem fôra que o ouro que se gasta no estrangeiro em artigos nos jornais elogiando a nossa política, se gastasse em socorrer aquêles, que, como eu, fizeram andar Portugal de bôca em bôca não só nos
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campos de batalha de Espanha, como também naquêle glorioso dia em que os Viriatos desfilando em Madrid no passeio da Castelhana, eram aclamados em unísono por cêrca dum milhão de pessôas.
Eu não quero esmolas; quero trabalhar!
Oh! quão interessante é, ouvir da bôca dos próprios funcionários (quantas vezes eu o ouvi, até dentro dos próprios ministérios) estas frases: “- Parvos, porque foram Vocês para lá para agora ainda se rirem de Vocês? Eles, os grandes, que fôssem…”.
Bonitas frases; os verdadeiros cumunistas, êsses, estão “encaixados” nos
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bons emprêgos do Estado, enquanto que nós, os que nos batêmos, passamos a mais nêgra das misérias!
Alto! Já basta. Não posso perder muito tempo a escrever; porque quero fazer uma remodelação no meu livro. Quero publicá-lo no estrangeiro, mas virando o revés à medalha!
Como V. Ex. vê, eu não sou um louco, mas um homem desesperado a quem a razão assiste. Tudo o que me queiram fazer não me fará sofrêr mais do que aquilo que passei em Espanha. Devo auzentar-me de Portugal dentro de 2 dias. Não tenho no bôlso mais do que 10.00 que é o suficiente para dois dias de comida. Se V. Ex. tiver remorsos de
[margem superior]
ficar com esta carta pode devolver-ma para a Rua Luciano Cordeiro, 35-2.º onde moro.
De V. Ex. José Fer[r?] [rasgado]

[a lápis] R Lu[rasgado]
35-2º [rasgado]
1940/01/11LisboaFerr..., JoséPresidente da República
(1ª leitura)
JAIME ALGARRA POSTIUS
CATEDRÁTICO DE ECONOMÍA POLÍTICA Y HACIENDA PÚBLICA
DIRECTOR DEL
"LABORATORIO DE ESTADÍSTICA ECONÓMICA Y FINANCIERA"
DE LA FACULTAD DE DERECHO DE LA
UNIVERSIDAD DE BARCELONA
AV. GENERALÍSIMO FRANCO, 478
(ESQ. VIA AUGUSTA)
TELÉF. 79917
BARCELONA
26 Jun. 42
G. Hotel do Porto

Exmo. Sr.
Dr. Oscar F. de Carmona
Muy ilustre colega.
Acabo de leer que [ostenta] Ud. el cargo de Presidente de la Sociedad de Estudios económicos y de Secretario de S. E. el Presidente, y por ello me es grato ofrecerle mis respetos y anunciarle que intentaré visitarle en Lisboa a donde me dirijo hoy saliendo de esta en el rápido de las 6 tarde e hospedándome en Lisboa en el Palace Hotel.
Encantado de los obsequios recibidos durante el Cong.º p. el Prog.º de las Ciencias solo me resta saludar al Dr. Oliveira Salazar, del cual tengo solicitarla audiencia para mañana sábado por conducto de nuestro Embajador D. Nicolás Franco: y ponerme en relación con los elementos representativos de la ciencia económica de Lisboa, de la cual es V. E. uno de los altos exponentes.
Permaneceré en Lisboa hasta el dia 30, para salir hacia Madrid en el exprés.

Con los más sinceros homenajes y esperando ocasión de estrechar su mano, quedo [ilegível] s. s.
[assinatura J. Algarra]
1942/06/26Algarra Postius, Jaime Oscar F. de Carmona,ALGARRA Y POSTIUS, Jaime (1879-1948)
Catedrático de Economía Política y Hacienda Pública de la Universidad de Barcelona. Fue un estudioso de la filosofía y de la cultura catalana. Podría denominarse “catalanista” y partidario de la autonomía universitaria. Manifestó su adhesión al alzamiento nacional el 1 de marzo de 1937, refugiándose en Roma, y volviendo a ocupar su cargo como catedrático en la Universidad de Barcelona durante la dictadura franquista.


1943/11/10LisboaVáriosDirector da Seara Nova
1945Grupo de telegramas dirigidos a Barbosa de Magalhães informando de adesões a nível local ao MUD em fins de 1945. Junto com os textos dos telegramas encontram-se notas manuscritas de resposta de autoria de Barbosa de Magalhães.CORRESPONDÊNCIA DO MUD (1945)MOVIMENTO DE UNIDADE DEMOCRÁTICA
1945/11/08Nova IorqueÁguas, AbílioPinto, Maurício




1945 ? /12/04LisboaMota, Amílcar (general)Pamphilio, Numa, coronelPapel de Caata da Presidência da República
1946/01/09Rodrigues, Armindo / Salema, Álvaro / Lisboa, Irene / Lapa, Rodrigues / ? , Francisco[Rosa, Jacobetty?]MUD - COMISSÃO DOS ESCRITORES, JORNALISTAS E ARTISTAS DEMOCRÁTICOS
1949/01/09Caldas da Rainha Freitas, MaldonadoRosa, JacobettyCANDIDATURA DE NORTON DE MATOS
1950/10/25AberdeenBarros, Henrique de
1951/08/02Figueira da FozPinto, Maurício?Ferreira, Domingos
1952/01/22LisboaFaria, DutraBarbosa IlídioPAPÉIS DE ILÍDIO BARBOSA
anexo: MOCIDADE PORTUGUESA – “RELATÓRIO DA VIAGEM DA PRIMEIRA MISSÃO DE ESTUDOS A ANGOLA…” (1952)
Pepel de carta da ANI




31/7/1952
“Pusemos as camas cá fora, como é costume às 5ªs feiras. Uns leem, outros estudam, um outro lava a roupa (eu, de quando em quando, também a lavo – pois não!)
“O Sol está prestes a descobrir, e um galo de crista flamejante repete o seu cântico monótono a que outro responde.
“São 10 da manhã. Os muros que nos circundam têem úlceras que o salitre abriu; plantação rasteira num deles: Uma brecha, em um pedaço azul de mar. O motor de um arrastão ouve-se ao longe. A “História da Civilização” em cima da minha cama, é desfolhada ao acaso por um golpe de vento, e fica numa folha que representa um camelo e as dunas de um deserto. Árabes sentados, de longas túnicas, olham, abstractos, um longe imaginário. Entre mim e eles existe uma certa correlacção : não é o camelo cansado nem as dunas onduladas. É o oásis…Eles, caminheiros perdidos, sabem da sua existência, e porfiam na sua procura; eu sei que ao sair, te tenho também! Oásis deste deserto sem carinhos que vislumbro para lá dos muros, que salta na crista das marolas e se repercute nas ondas do ar.
“(…)
“Fui informado que os Regulamentos não permitem troca de correspondência em língua estrangeira, pelo que nos é vedado continuar com as nossas lições de inglês.
“Tal proibição é lógica. Sabido que todas as cartas são censuradas e se cada um lhe desse para escrever numa língua estrangeira não haveria possibilidade de controlar –pelos serviços de censura- toda a correspondência que é remetida”.
1952/07/31Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos
28/3/1953
“Contráriamente o que julgas as cartas que vêm com as encomendas não são entregues logo, mas sim no dia seguinte, pois elas têm de ser censuradas.
“(…)
“Às vezes ouço um rádio, ao longe. Este mês, porém, tenho aqui no andar de cima a criada que trata dos miúdos ao Tenente da Guarda que está a par de toda as canções da voga. E por sinal, além de bom ouvido tem uma voz muito regular. Canta “a mala” (olha a mala, olha a malinha de mão) e que diz que não é dela é do “hidrobião”…O miudito mais pequeno, está a palrar à janela: blébléblé.
“Passa um gato e um companheiro com uma bilha na mão. A noite vem descendo aos poucos, e as estrelas já deviam ter feito a “toillete”. Vão aparecendo aos poucos também, aos ramos, formando figuras geométricas, cruzes, quadriláteros, reticências. As “ursas” lá vêm (a grande e a pequena) fazer companhia a Vénus que, nem por não ser estrela, deixa de ter um brilho tão lindo como os olhos de uma “saloia” torreense dos nossos conhecimentos”.
1953/03/28Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos
15/7/1953
“Já sai algumas vezes para tratar dos dentes. Amanhã, 5ª feira, é o ultimo tratamento. Da ultima vez que sai vi na varanda de um colégio ou escola comercial o professor de contabilidade que esteve aí em Torres durante muito tempo. Conhece-lo por certo. Olhou para mim, muito admirado, e eu, na falta de melhor, sorrir. Sorri e continuei. No retorno, ainda mal refeito da primeira surpresa, dei de caras com o irmão da Celsa, chefe ou sub-chefe da secção de Finanças aís de Torres. Ia com a Esposa e deu-me as boas tardes gentilmente. (…) O mundo é pequeno. Toda a gente se conhece e se encontra.
“x
“Na sala de espera muitas pessoas. Ao canto uma rapariga nova fazendo tricot. Um casaquinho amarelo, muito pequenino, tomando forma à espera do miúdo prestes nascer. Um camponês queixando-se da vida; e um pescador a relatar os dias que ficou sem dormir por causa duns dentes cariados. Eu a um canto, guardado à vista, a servir de pasto aos olhos curiosos duma miúda muito esperta que, de vez em quando, me lançava uns olhares medrosos. Regresso. E de novo a sensação dos portões que se fecham, da vida que ficou lá fora, dos dias que passam e jamais se podem recuperar. Estou desejoso de acabar estas saídas que só trazem tristeza, pensamentos lúgubres, e uma dolorosa saudade de ti, do emprego, desse movimento de vila de primeira classe a fingir de cidade, do meu quarto modesto e da minha vida toda destroçada”.
1953/07/15Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos
20/9/1953
“Aqui já começou a “invernar” com força. Tem chovido muito e as nuvens baixas dão um tom acinzentado às pessoas, aos pensamentos e às coisas.
“Ontem, no entanto, o dia conservou-se bom tendo começado as festas da vila com foguetório, gaiteiros e circo, barracas de tiro, etc. À noite houve a procissão no mar. Fomos autorizados a assistir no fim da rua ao cortejo. Trepou-se a bancos e dali assistimos ao espectáculo bastante interessante. Os barcos todos iluminados dos quais era lançado fogo de artifício como se abrisse sobre a agua um chuveiro de estrelas – brancas, vermelhas, azuis, verdes- que a água reflectia a cintilar. Por alti-falante era transmitida musica […?] por um coral masculino. As traineiras no momento da partida fizeram ouvir as sereias que um rebocador com voz de “baixo” acompanhava de quando em quando. Um navio de guerra lançava “very light’s” verdes. Pela muralha do forte e nas paredes do porto agitavam-se archotes. A procissão saiu acompanhada por uma litania apropriada, largou o porto, deu uma volta o mar e retornou em fila indiana com o andor iluminado por um fogacho encarnado. Mais um “bouquet” [?] de lágrimas, novos apitos e os pescadores tendo dado forma ao misticismo que há em cada homem saltaram em terra e foram acabar a noite nos carrosséis, tabernas e barracas de tiro para, no pino do inverno, rogarem pragas ao mar, às tempestade e à fome que se avizinha. É isto a vida: fogacho breve e luminoso, misto de fé e de raiva, esperança, esperança e muita esperança.
“Mas, confesso francamente: gostei!”.
1953/09/20Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos








6/1/1954
“Sabes o que tenho ali numa caixa de fósforos? (…) Um “bicho doirado”! Uns companheiros que vieram de Cabo Verde traziam na bagagem, sem saber, alguns destes insectos. São lindíssimos. Têm o feitio dos cágados. Mas do tamanho das “joanhinhas”, e doirados. Por cima da carapaça usam uma casca transparente absolutamente redonda. Parecem um alfinete de gravata, em oiro. Pois meti um numa caixa de fósforos, mas fiquei indeciso: que diabo de comida lhes havia de dar? Como é um insecto e, de uma maneira geral, se sustentam de comida, à base de associar dei-lhe uma folha de laranjeira, uma casca de maçã e (não digas nada à tua tia) um bocadito de pera cristalizada!...
“Mas o sujeito, ou porque vinha cansado da viagem, ou porque estranhou o clima, está ali há já bastantes dias…a dormir. Encolhido, não se mexe; Parece morto. Hibernará? Aguentar-se-á até 14 de Fevereiro? Incógnita tremenda, esta, a da vida! Todos os dias de manhã vou vê-lo. Sei que está vivo pelo brilho do “vestuário”. Quando morrer, fica branco , segundo disse o companheiro que o trouxe. Mais uma vez se prova que os “doirados” são só possíveis entre as vaidades da vida. A morte…é branca. Tudo nivela!”.
1954/01/06Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos
1954/06/07LisboaVáriosPrezado correlegionáriioCAUSA REPUBLICANA
13/6/1954
“Já só somos três no quarto. O meu parceiro de xadrez foi posto em liberdade. Faltavam-lhe quatro dias para acabar o tempo. (…) faltam-me, na pior das hipóteses, quinze dias (…)”.
“A miudagem acendeu perto da muralha uma fogueira para comemorar o Santo António. Como já estava deitado só via o clarão e ouvia, a par do crepitar dos ramos. Estoirar algumas bombas. E na vila havia foguetes também. Enfim! Um Santo António muito barulhento e pouco convidativo. Estava frio e vento”.
“(…)
“São perto de 4 horas. Já vim do recreio. Estou esfolado num braço pois cai…a jogar o oquei! Não percebo nada daquilo e do lado em que jogo sabem logo quem perde!
“(…)
“Lá fora está o circo! Ouve-se daqui a musica sempre igual dos discos gastos e regastos. Mas é uma companhia. E alegra-se a gente de a ouvir. É sinal de vida. É alegria”.
1954/06/13Cartas da prisão de Peniche de Venerando Ferreira de Matos






1956/08/27LisboaNobre, RobertoBorrego, José


1956/10/04ManteigasTau...hha, Padre AntónioSubsecretário da Assistêncis
1956?/11/06Borrego, José
1959ArgentinaGalvão, HenriqueCartas de amigos datadas de 1959, a maior parte ileg?veis ou sem interesse pol?ticoCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1959/06/13Roça Trás-os-Montes, MapepeAlves, AntónioFreitas"conversa dos pretos"
1959/08/10
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, Henrique"Comité dos Intelectuais e Artistas Portugueses - S. Paulo" - Queixas sobre o comportamento de alguns apoiantesCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1959/08/12
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueResposta a carta de H.G. onde perguntava: "Enfim, que há? Qual a sua posição actual? Que querem os dissidentes?"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA




1959/10/17
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, Henrique"Congresso dos Democratas Portugueses - S. Paulo" - Resposta a proposta de Henrique Galvão para novo jornalCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA


1959/12/11LisboaMNE
1959/12/14
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueVotos de Boas Festas: "tão boas quanto o possa permitir o exílio, mas certamente melhores do que as dos últimos anos"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1959/12/21
CaracasGalvão, Henrique(*) Manifesto da "Frente Democratico para la liberacion de los pueblos de la peninsula Iberica" COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1959/12/27KhartoumCunninson, I.G.Moerira, Adriano
1959/12/30
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueQueixas sobre as criticas de H.G. e de Humberto Delgado sobre o trabalho da Oposição em S. PauloCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
01/20/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueInforma que vai intervir na Conf? Sul-Americana pr?-amnistia, e lamenta as divis?es existentes na oposi??o no BrasilCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
01/30/1960
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueNot?cias sobre a actividade da Oposi??o em S. Paulo e da viagem de Humberto Delgado a S. PauloCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
02/04/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueLamenta a falta de articula??o das for?as oposicionista para derrubar o salazarismo e o "anti-comunismo visceral" de algunsCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
02/05/1960
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueResposta a acusações de H.G.: "Devo sinceramente dizer-lhe que a sua carta me surpreendeu… "COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
02/20/1960
S. Paulo Mota, Santana Galvão, HenriqueJornalista do "Estado de S?o Paulo", justificando criticas ? actua??o de Henrique Galv?o (2 cartas)COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
03/01/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueSugere uma ida a Caracas para se encontrar com Henrique Galv?oCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
03/27/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, Henrique(antigo Consul de Portugal) saudando H.G. pela sua "Carta aberta a Salazar" e ref? ? visita de Eisenhower aos A?oresCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
04/04/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, Henrique Informa??es sobre a situa??o de luta contra o salazarismo na sociedade brasileiraCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
04/05/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueInforma o envio para Lisboa da documenta??o relativa ao posto emissor, salvaguardando a sua intercep??o pela PideCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
04/14/1960
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueCarta a partir de Caracas, denunciando a moralidade de um membro da oposi??o: M?rio Mendes, condenado por crimes de burlaCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
04/27/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueEnvio das resolu??es da II Confer?ncia dos Povos Africanos, "recebida dos nossos amigos de Londres".COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/01/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueInforma que recebeu duas proclama??es do "Movimento Nacional de Estudantes", para o combate ? ditaduraCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/01/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, Henrique(*) Comunicado (Continua enigm?tica a execu??o do Capit?o Almeida Santos)COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/01/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, Henrique Informa??es sobre a situa??o de luta contra o salazarismo na sociedade brasileiraCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/07/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, Henrique(*) Sobre contactos para a causa de H.G, com Jos? Rodrigues Migu?is e a indiferen?a dos Luso-AmericanosCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/11/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, Henrique(*) Informa??o sobre um navio ? venda que poderia servir para a opera??o em prepara??o por Henrique Galv?oCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/13/1960
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueInforma sobre a n?o chegada a Portugal das emiss?es do posto emissor e das movimenta??es de oposi??es, em PortugalCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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05/21/1960
S. Paulo Sertório, Manuel Galvão, HenriqueEnvio: "Projecto de Conv?nio p/a Constit? Conselho Anti-fascista no Exterior" e do "Manifesto sobre problemas ultramarinos"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/23/1960
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueInforma??es sobre a actividade do jornal "Portugal Democr?tico"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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05/25/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, Henrique(*) Informa??o das not?cias publicadas nos U.S.A sobre a situa??o em Portugal e da posi??o do GovernoCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
05/26/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriquePedido pessoal a H.G, para que junto de amigos seus, tentar arranjar neg?cio para bebidas por si comercializadasCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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05/28/1960
S. Paulo Sertório, Manuel Galvão, HenriqueResposta de Henrique Galv?o com an?lise do "Projecto de Manifesto sobre os problemas ultramarinos"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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06/04/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma que segur para S. Paulo para se encontrar com Humbero Delgado para convence-lo a aceitar uma homenagem no RioCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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06/12/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueCarta com desabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
06/19/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??o sobre o mau estado de sa?de de um amigo comum ?lvaro?COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
06/22/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueCarta com desabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
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06/22/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??es sobre a actividade de membros da oposi??o no Rio de Janeiro e sobre o Gen.Humberto DelgadoCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
06/24/1960
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueLamenta o ambiente de "intrigas, invejas, raivosas insinua??es em que navega a consci?ncia dos emigrados pol?ticos"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
06/28/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriqueEnvio de 2 cheques de 100,00 e 10,00 USD, de apoio a H.G., com o pedido de n?o divulga??o dos nomes dos respectivos doadoresCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
06/28/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??o sobre o agravamento do estado de sa?de de ?lvaro e pedindo a H.Galv?o para"acalmar" as aposi??es no BrasilCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
07/09/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriqueInforma??es de artigos na imprensa Americana sobre a ditadura, e um esclarecimento sobre o pedido de venda de bebidasCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
07/15/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriqueRecorte do jornal "New Bedford" com not?cia sobre o perfil e actividade de Abilio ?guasCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
07/21/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??es sobre not?cias na imprensaCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
07/25/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueDesabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/02/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriqueEsclarecimentos sobre a tentativa (sem grandes resultados) deangaria??o de fundos junto da comunidade luso-americanaCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/03/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueDesabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/04/1960
S. Paulo Neves, João Alves das Galvão, HenriqueInforma sobre a publica??o de Boletim alusivo ao 5 de Outubro e aos 52 anos de exist?ncia do "Centro Republicano Portugu?s"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/08/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??es v?rias e envio de recortes de jornaisCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/10/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueDesabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/16/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueDesabafos sobre os oposiocionistas no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/21/1960
EUAÁguas, Abilio de OliveiraGalvão, HenriqueInforma??o sobre o apoio de militares americanos em Portugal ? ditadura de Salazar e 2 recortes de jornais sobre EspanhaCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
08/21/1960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueDesabafos sobre os oposiocionistas no Brasil e tentando dissuadir H.G. de fazer escala no Rio de JaneiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
09/15/1959
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueConvite a Humberto Delgado para presidir ?s comemora??es da Proclama??o da Rep?blica, pelo Centro Republicano Portugu?sCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
09/21/1959
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueResposta de Humberto Delgado ao Capit?o Sarmento Pimentel, "lamentando n?o estar em condi??es de aceitar o convite"COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
10/05/1959
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueTelegrama de sauda??o a H.Delgado dos " Democratas portugueses de S.Paulo, representantes de todas as correntes politicasCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
11/06/1959
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueDesculpas por n?o ter podido ir receber H.G. ao aeroporto, manifestando-lhe o pr?sito de continuar a luta contra o salazarismoCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960
24/071960
Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??es v?rias e envio de recortes de jornaisCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960/01/13
S. Paulo , BrasilPimentel, Sarmento Galvão, HenriqueInforma que tentou que Humberto Delgado conseguisse um emprego, ou apoio financeiro para H.alv?o, sem sucesso.COPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960/03/10
CaracasGalvão, Henrique(*) Carta da Junta Patri?tica Portuguesa para Humberto Delgado, protestando contra a actua??o divisionista de Henrique Galv?oCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960/03/19
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueSatisfa??o pela instala??o de um posto emissor em Caracas capt?vel em Portugal, e sugest?es para H.G. suprir a falta de dinheiroCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960/03/27
LisboaSertório, Manuel Galvão, HenriqueQuestiona H.G. sobre o alcance das emiss?es do posto emissor e receia sobre a falta de coordena??o e efic?ciadas mensagensCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1960/09/12Barcelona, EspanhaRobusté, Miguel CapevillaMarina, Raul RanceFalange
1961Vicente, ArlindoFernandes, Arnaldo ConstantinoESPÓLIO DE ARNALDO CONSTANTINO FERNANDES
1961/04/20
CaracasGalvão, Henrique(*) cartas "Pr? Patria e Pr? Liberdade" dirigidas aos Secret?rios da Junta Patri?tica Portuguesa, denunciando situa??es internasCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA
1961/08/25MalmoEngdahl. Per[Cortez Pinto?]Per Engdahl, ditigente fascista sueco dos anos 20-40.




1961/10/24ParisMathias, Marcelo ?Vieira, Fernando Lopes
1962/05/12Azevedo, Francisco Gil




1962/06Azevedo, Francisco Gil Devolução dos livros apreendidos pela polícias na Cantina Univeersitária
1962/06/09Azevedo, Francisco Gil Cintra, LindleyNão foi entrefue
1962/09/03Uma ouvinteCarlos de SousaESPÓLIO DE CARLOS DE SOUSA (1923-1998) - Cartas dos ouvintes ao programa "Tudo isto é Vida"


Correspondência prisional
BILHETE POSTAL
[selo estampilhado com logotipo do correio de Portugal – 50 centavos]
[carimbo] CTT - 15.12.62 PAÇOS DE FERREIRA

Francisco Louro
Preso Político
Cadeia central do Norte
Paços de Ferreira
Remetente


Para
Maria da Graça Louro
Rua Jorge Colaço, n.º 19/3.º, Esq
Lisboa – 5
Endereço


Paços de Ferreira, 15.12.62
Censura [?]

Querida:
Das 14 às 16 horas, na véspera do Dia de Natal, e à mesma hora no Ano Novo tenho visita em comum. Até lá, vê se consegues fazer umas luvas de lã, que o frio aqui é de respeito, e as frieiras e o cieiro não me largam. Deixa a Ana continuar com as minhas luvas de cabedal.
Não esqueças de trazer a tua e a identificação das filhas. Cá as espero ansioso. Já recebi a encomenda. Beijos para todos vocês e um abraço terno e amigo do teu X.

1962/12/15Paços de FerreiraLouro, FranciscoLouro, Ana Maria da Silva Cadeia Central do Norte


Correspondência prisional.
(1º Leituta)
BILHETE POSTAL
[selo estampilhado com logotipo do correio de Portugal – 5 centavos]
[carimbo] CTT - 9.1.63 PAÇOS DE FERREIRA

Francisco Louro
Preso Político
Cadeia central do Norte
Paços de Ferreira
Remetente


Para
Maria Manuela Silva Louro
Rua Jorge Colaço, n.º 19/3.º, Esq
Lisboa – 5
Endereço

Paços de Ferreira, 7.1.63
Censura [?]
Querida Nela:
O tempo não perdoa aos velhos e embeleza os novos. É assim que vais crescendo e te fazer uma jovem esbelta, enquanto se enrugam os rostos de nós outros – pai e mãe.
Foram poucas as palavras que dissemos e tantas haviam para dizer pois já há meses que não nos víamos. As notas do 1.º período foram a melhor prenda que recebi – sem desprimor para as outras que foram coisas, enquanto aquelas significac«vam trabalho compensado. Alerta com as línguas e o desenho e EM FRENTE, MARCHE.
Quando tiveres lido o livro de Mark Twain, manda-o. Vou enviar-te os “Contos Búlgaros”. Através da carta da mãe, recebi os teus Parabéns. obrigado! Diz à mãe ou à Ana que passe por uma perfumaria e com os meus dados procure comprar o remédio para a caspa. Deu óptimo resultado. Beijos saudosos do Pai. X
1963/01/09Paços de FerreiraLouro, FranciscoLouro, Ana Maria da Silva Cadeia Central do Norte


Correspondência prisional
(1º leitura)
BILHETE POSTAL
[selo estampilhado com logotipo do correio de Portugal – 50 centavos]
[carimbo] CTT - 9.1.63 PAÇOS DE FERREIRA

Francisco Louro
Preso Político
Cadeia central do Norte
Paços de Ferreira
Remetente


Para
Ana Maria Silva Louro
Rua Jorge Colaço, n.º 19/3.º, Esq
Lisboa – 5
Endereço

P.S- obrigado pelos PARABENS [sic]:
Paços de Ferreira, 8.1.63
Querida Anita:
Censura [?]
Aquelas poucas palavras que trocámos no humano convívio das festas do Natal e Ano Novo deram-me uma alegria imensa. Os conselhos deixados, as reflexões mútuas sobra a tua vida de estudante levaram a promessas tuas, que estou certo, cumprirás. As parcas possibilidades que tenho – dada a distância que nos separa – de ajudar-te, pensando contigo os teus próprios deveres como agora fiz, fazem-me sentido – muito feliz quando isso sucede. Gostei de te ver. Gostei de te ouvir. Gostei das tuas prendas. Sou um pai baboso – eu sei! mas sinto uma grata satisfação nesta confiança que nos une – a mim e às minhas 3 queridas Marias. E agora: AO ESTUDO! – não é assim, Anita? Beijos saudosos do Pai X
1963/01/09Paços de FerreiraLouro, FranciscoLouro, Ana Maria da Silva Cadeia Central do Norte
1963/05/27PortoAlfredo Pereira MachadoESPÓLIO DE CARLOS DE SOUSA (1923-1998) - Cartas dos ouvintes ao programa "Tudo isto é Vida"


Correspondência prisional.
(1ª Leitura)
Francisco Louro - Cadeias privativas da PIDE
Porto

BILHETE POSTAL
[selo estampilhado com logotipo do correio de Portugal ] – 50 centavos]

[carimbo] CORREIOS – [ilegível]
- 9.VII
1963
21 [ilegível]
PORTO

[ilustração]
Conheça as suas danças

DÁ-RI-DUM
DE MATOSINHOS

Ai! Dá-ri-dum,
Dá-ri-dum, dá-ri-dum!
Ai, Dá-ri-dum
Dá-ri-dum
Dai-dai


Para
Ana Maria da Silva Louro
Rua Jorge Colaço, n.º 19/3.º, Esq
Lisboa – 5

P.S. Escrevi à mãe. Ajuda-a com a tua confiança de jovem. X
Porto 9.7.63
[carimbo] CENSURADO
___/___/19…….
Querida Anita:
Parece que as coisas correram mal, de novo. O momento deve ser de franco desânimo. Escrevo-te para me associar ao teu desgosto, e, se as palavras valem alguma coisa, que sirvam de incentivo para obteres a aprovação em História e ganhares novas forças para no menor espaço de tempo possível recapitulares o teu comportamento de estudante e emenda-lo naquilo em que estiver mal. Não te deixes invadir pelo derrotismo. Não te deixes amesquinhar pelo desespero. Repudia complexos e seus recalcamentos. Desabafa duma vez as tristezas de nova derrota. Encara de frente as duplas responsabilidades do novo ano que chega. Quando estiveres mais calma pondera os factos, relaciona causas e efeitos crìticamente, e, sem lamentações piegas, impõe-te um novo procedimento. Conta com a nossa ajuda!
Um beijo e um abraço do Pai. X
1963/07/08Paços de FerreiraLouro, FranciscoLouro, Ana Maria da Silva Cadeia Central do Norte


1963/08/01LisboaJosé Lopes EstevesVictorino de SousaESPÓLIO DE CARLOS DE SOUSA (1923-1998) - Cartas dos ouvintes ao programa "Tudo isto é Vida"
1964/12/05Taunton, MA, EUAÁguas, AbílioAbreu, Judite Mendes deReferindo manobras do regime nas comunidades e com um artigo de Henrique Galvão em anexo.






(1ª leitura)
Meu querido António:
Faz agora precisamente 35 anos que saiu o primeiro número do teu “Kino”. Lembras-te? O cabeçalho era desenhado pelo Cottinelli Telmo, havia artigos assinados por Norberto Lopes e Carlos Queirós, naquele tempo que, culturalmente, parecia um tapume, o jornal tinha o ar gritante de ser a resposta impressa à revolução do sonoro: uma geração esbracejante ia acabar brevemente com o esbracejar violento dos galãs da cena muda.
“Kino”, se fosse vivo, teria quase a minha idade; intento ressuscitá-lo agora a ver se consigo ressuscitar o puro e simples gosto pelo cinema, gosto pendante [?] doutros gostos e animador de inteligência e de imaginação. Os homens do meu tempo, educados pelos homens do teu, gostaram do Eisenstein sem cuidarem saber se ele era ou não comunista, da Riefenstahl sem pensarem se era ou não nazista e do Charlot sem se lembrarem do seu mal desmentido judaísmo. Gostavam deles porque faziam bom cinema – e mais nada; agora depois de se pedir licença aos redactores do “Positif” ou dos “Cahiers du Cinema”, depois de se ter consultado conscienciosamente um dos muitos calhamaços do Sadoul, industrial de história do cinema, só se pode gostar deste ou daquele. Os outros não existem: - intoxicam as massas, são uns reles serventuários de Wall Street, perigosos fautores de guerra e denunciantes.
O Fellini? É um burguês desasado pela tempestade das contradições que o dominam. O Ford? É um lírico apatetado, adorador dos mitos tradicionais. O Wyler, esse, fez o “Ben-Hur”. Queres mais? Queres melhor prova de que não percebe nada de cinema? Atrever-se a fazer o “Ben-Hur”! Um filme de apologética vista [?], onde os bons são bons e os maus são maus sem que o Presidente dos Estados Unidos tenha culpa!
Milhares e milhares de rapazes foram levados por esta enxurrada de preconceitos e ideias feitas: gostam do que não gostam e desgostam do que gostam. O anema que foi a expressão artística duma época e formou intelectualmente uma geração, passou de repente, em meia dúzia de anos, a ser apenas um instrumento político; os críticos que tinham a estricta obrigação de os despoliticizar, tomaram-no assim mesmo, cedendo à pressão das capelinhas. Eu queria fazer um “Kino” mil novecentos e trinta hortelã-pimenta; que gostasse dos filmes pelo que são e não pelo que se pretende que sejam; que pusesse os pontos nos is; que não sendo embora a continuação do teu “Kino” fosse como o seu perpetuar em maneira de ver e de viver, e de gostar pura e simplesmente de cinema.
Conto contigo, como contei quase sempre. Até conto discutir contigo. Se quiseres, poderemos ter aqui duas ou três belas zangas. Das antigas – das que fazem os amigos mais amigos, e deixam roídos de raiva os inimigos. Ressuscitar “Kino” deixará assim de ser um acto de necrofilia cultural, para ser fonte vivificadora de um novo cinefilismo, de um cinema novo, português de raiz e universal por isso mesmo.
Creio que não te vais envergonhar do novo “Kino”; espero que, em 1965, seja tão novo como foi o velho. Será a maior homenagem que te poderia prestar.
Aceita um abraço do teu amigo
ex-corde
Manuel Maria Múrias
1965Múrias, Manuel MariaRibeiro, António Lopes MATERIAIS PREPARATÓRIOS DA REVISTA KINO (1965)








1965/09/05LisboaRibeiro, Antóno Lopes Múrias, Manuel Maria MATERIAIS PREPARATÓRIOS DA REVISTA KINO (1965)
1969/07/07Lisboa[BNU Conselho de Admnistração]Sousa, Baltazar Rebelo de
1969/09/17OucaNeves, Eduardo AlmeidaNeves, Álvaro Seiça OPOSIÇÃO 1969RECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO
1969/09/19AveiroNeves, Álvaro SeiçaNeves, Eduardo Almeida OPOSIÇÃO 1969RECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO
1969/09/26ÍlhavoCalisto, Júlio Correia da RochaSecretariado da Comissão de CandidaturasOPOSIÇÃO 1969RECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO
1969/09/27AveiroSecretariado da Comissão de Apoio aps Candidatos da Oposição Democrática do Distrito de AveiroOPOSIÇÃO 1969RECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIROPode ser falsa
1969/10/02AveitoGovernador CivilSardo, FlávioOPOSIÇÃO 1969RECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO




1969/10/19Rodrigues, B.Arriaga, Kaulza de
1970/05/01LisboaPinto, CortezSubsecretário de Estado do Trabalho e PrevidênciaConfidencial
1970/08/30Berkley, MA, EUAÁguas, AbílioAbreu, Judite Mendes de Sobre o “Saara” da Figueira.
1970/11/04Berkley, MA, EUAÁguas, AbílioAbreu, Judite Mendes de Referindo a visita de Mário Soares aos EUA.
1971/12/31Recife, BrasilGomes, Ruy LuisSilva, Ribeiro da
1972/07/22Ministério do InteriorCid, António SobralPAPÉIS DE ANTÓNIO SOBRAL CID


1973/02/17Cunha, SilvaRodrigues, General Bettencourt






Aveiro, 18 de Maio de 1973



Meu caro Fonseca e Costa:



Estou muito grato pelo magnífico acolhimento que concedeu à minha carta e pelos preciosos elementos que me forneceu sobre o seu filme “O Recado”. As suas palavras impressionaram-me profundamente pois através delas se vislumbra não só uma personalidade rica e inquieta, mas sobretudo um certo número de qualidades humanas que muito admiro (abertura de espírito, sensibilidade, inquietação intelectual, perfeita consciência do ambiente em que vive, etc.). Também fiquei lisonjeado pelo facto de o meu nome não ser para si o de um desconhecido.

Com a ajuda dos elementos que me forneceu (e que muito agradeço) vou ver se escrevo um artigo (ou mais do que um, ainda não sei…) sobre o seu filme para a página “Tela e Palco” de “O Comércio do Porto”.

Como o cinema apenas me ocupa as horas vagas, que não são muitas (e algumas delas terão de ser dedicadas à família e até ao descanso, pois não podemos trabalhar 24 horas por dia…), demoro sempre um certo tempo a escrever os meus artigos que são elaborados e pensados um pouco fragmentariamente.

Julgo, contudo, que “O Recado”, merecia um estudo mais profundo e uma publicação de tipo diferente. Por isso me atrevo a sugeri-la, embora não saiba neste momento se esta minha sugestão tem qualquer espécie de viabilidade no mercado editorial português. A sugestão é a seguinte: por que não se faz uma planificação a posteriori de “O Recado” (a partir de uma cópia do filme, com o auxílio de uma visionadora e recorrendo aos diálogos que me facultou) e não se publica acompanhada por um estudo crítico? Seria uma coisa um pouco no género do que faz a revista “Avant-Scène du Cinéma” ou a colecção “Points/Films”, dirigida por Jacques Charrière. Julgo que o filme merecia inteiramente esta edição mas não sei se seria fácil pôr em prática esta ideia… De qualquer modo, aqui fica a sugestão.

Sobre a minha actividade ensaística e crítica, pode resumir-se em poucas palavras. Na realidade, tem razão quando diz que houve uma paragem nessa actividade. Aborrecido com o ambiente que encontrei à minha volta no campo do cinema e também com as atitudes de alguns dirigentes do Cineclube do Porto, abandonei toda a actividade neste campo a partir de 1955 e só a retomei a partir de 1967. Foram realmente 12 anos de completo isolamento. Transformou-se numa espécie de meditação (e até de “purga”) espiritual.

Em 1967 regressei à actividade… Parecia-me que o panorama se tinha modificado bastante, para melhor. Na verdade, assim é, embora não tanto quanto eu supunha. Comecei por re-iniciar a minha colaboração na “Vértice”, e, mais regular, no Suplemento de Cultura e Arte de “O Comércio do Porto”. Presentemente, colaboro com certa regularidade na página “Tela e Palco” de “O Comércio do Porto” (às sextas-feiras de quinze em quinze dias).

Tenho prometida a publicação do ensaio “Justificação Estética do Cinema” para Outubro deste ano. Mas promessas não são certezas… Trata-se dum livro escrito em 1953-54 (portanto, já antigo) actualizado com um prefácio explicativo e dois Apêndices. Apesar do tempo que decorreu entretanto, julgo que o texto do livro continua com actualidade. É certo que se o tivesse escrito hoje, seria um tanto diferente sob alguns pontos de vista e os exemplos apresentados ao leitor seriam mais recentes. Mas, mesmo assim, parece-me indispensável a sua publicação por três razões fundamentais que vou apontar seguidamente:

1ª Para a boa compreensão de tudo o que escrevi depois deste ensaio, é necessário lê-lo com atenção e não posso no momento actual perder tempo a refazê-lo pois o tempo de que disponho já é muito escasso para fazer os estudos que desejo empreender;

2ª Porque o estilo espontâneo e vivo, juvenil, do livro me parece também interessante e hoje já me não era possível reproduzi-lo, desde que entretanto evoluí [?] e amadureci;

3ª Porque é necessário que tal ensaio se publique e fique registada a data da sua elaboração, pois muitas das ideias expostas só podem revelar o seu verdadeiro alcance quando confrontadas com as correntes na sua época e com a evolução posterior (isto é, pós-1954) do cinema, da filmologia, da estética geral e da própria linguística geral. Talvez se possa interpretar isto como “vaidade”, mas trata-se dum facto que me parece bem objectivo (pelo qual, aliás, devo dizê-lo francamente, não tenho qualquer espécie de vaidade ou de orgulho…) e que se torna necessário para avaliar o que representava, no Portugal de 1954, o esforço teórico dum estudioso isolado e desamparado, sem qualquer apoio de espécie nenhuma (antes pelo contrário) e apenas sob a inspiração inicial da obra de Eisenstein, dos filmólogos franceses Cohen-Séat e Étienne Souriau e do grande pensador português que se chamou Abel Salazar.

Cumprimentos e um abraço do amigo sempre à sua disposição,
Gonçalves Lavrador
1973/05/18AveiroLavrador, F. GonçalvesCosta, José Fonseca e ESPÓLIO FONSECA E COSTA










1973/06/22Lourenço MarquesGovernador de Moçambique[Cunha, Silva?]






1973/06/26LisboaCunha, SilvaGovernador de Moçambique










1973/10S.ToméSilva, Álvaro José Ferreira doFotocópia
Correspondência apreendida (pela PIDE?)




1973/10/02Praia, Cabo VerdeSantos, A. Lopes dos Cunha, Silva






1973/10/19S.ToméSilva, Álvaro José Ferreira doSua Alteza Real o Prínciope da BeiraFotocópia enviada a Silva Cunha


(1º leitura)
S. Tomé - 19 – Outubro - 1973
Meu Caro Nuno,
Recebi a tua carta no dia 16. Não trazia quaisquer sinais de violação e só não sei em que data foi deitada ao correio porque um dos selos caiu. Também não sei […] data a escreveste pois não está datada.
O documento seguiu para Luanda tal como tinhas pedido, em carta registada para o J.S.S.
Há um sistema de as cartas me chegarem as [sic] mãos mas que só poderá funcionar se esta carta te chegar incólume, sem as habituais […] policiais. Por isso, o envelope interior vai totalmente fechado a fita gomada para termos a certeza.
As cartas serão enviadas para SÉRGIO AUGUSTO FERREIRA DOS SANTOS C.P. 187 – S. Tomé; tendo como remetente Carmelinda de Jesus Ferreira – Rua Horta Nova A.H.S. – 1º - esq. Torres Vedras (Estremadura)
Dentro virá, noutro envelope fechado, a carta para mim.
Estou absolutamente de acordo com o plano de mudar o centro do movimento monárquico para Angola. Sei que essa é a opinião dos monárquicos sem S. Tomé e que os africanos nossos simpatizantes veriam com bons olhos um ultramarino como porta-voz do Senhor Dom Duarte.
Acho bem a escolha do Roseiro (?) e estou pronto a cumprir a parte do plano que me destinarem. Preciso apenas que me avisem com a antecedência necessária para as marcações de avião. Terei de ir numa 6ª feira e regressar numa 3ª feira. Necessito de que me “instalem” em Luanda (Hotel e transporte) pois estou desfalcado financeiramente. O avião é por minha conta pois quero contribuir com alguma coisa. Portanto, peço-te com todo o empenho (?) que me informes como se processará a coisa pois não sei se sabes que a 16 de Setembro ainda a tua conta do D. João II estava por pagar e fui eu quem disse ao gerente para se dirigir ao S. Silva. É pois necessário que que não me suceda o mesmo. Espero as vossas ordens e a carta do Senhor Dom Duarte para o Roseira (?). Mandem-me bem definidos os contactos que devo ter, o temperamento das pessoas com quem contactar e o seu grau de monarquismo e de dependência da “ordem republicana”.
Até breve. Um abraço amigo do Álvaro

P.S. A Anita(?) agradece as saudades que retribui
P.P.S. O meu telefone é o 519
1973/10/19S.ToméSilva, Álvaro José Ferreira doSilva, Nuno Cardoso daFotocópia enviada a Silva Cunha
(1º leitura)
Província de S. Tomé e Príncipe
Gabinete do Governador
26- X-73

Senhor Prof. Doutor Silva Cunha
Excelência
Os meus respeitosos cumprimentos.
Permita-me Vossa Excelência que aborde hoje um problema, para o qual gostaria de pedir orientação. Refiro-me a actividade da causa Monárquica, utilizando um funcionário de S. Tomé para ligações e contactos com Angola.
Informa-me a D.G.S. a que dispõe de documentos sobre o assunto, colhidos pela Delegação de S. Tomé, que está em curso uma manobra de mudança da sede (Secretaria Geral) para Angola, com vista à captação de adeptos entre os africanos.
Numa primeira acção, seria dirigido um convite a um Sr. [?] ROSEIRA, residente em Angola, por carta de D. Duarte Nuno que seria remetida para S. Tomé e levada pessoalmente pelo Professor do Ensino Técnico Álvaro Ferreira da Silva, que à Angola se deslocaria para o efeito.
O Ferreira da Silva, conhece-o Vossa Excelência, pois acompanhou-o recentemente à Metrópole o grupo da Tchiboli [?].
Também o mesmo Ferreira da Silva recebeu, para expandir para Angola, um abaixo assinado destinado a colher assinaturas de antigos combatentes e que foi remetido a um Joaquim Santos Silva, de Luanda.
Foi efectuada combinação sobre a maneira de O Ferreira da Silva receber instruções e documentos de Lisboa como intermediário da sua remessa para Angola, ao que ele se prontifica.
Creio que a DGS – Lisboa – terá posto Vossa Excelência ao corrente, pois a delegação de S. Tomé enviou – ou vai enviar por esta mesma mala- cópia dos referidos documentos, incluindo uma carta de Ferreira da Silva ao Príncipe da Beira pela qual se fica conhecer uma intenção de ele aqui voltar, ou no fim deste ano ou princípio do próximo, com um grupo de amigos.
Nasce, pois, em S. Tomé uma célula activa da causa Monárquica. Centra-se por agora no Ferreira da Silva, pois outros simpatizantes que conheço manteem-se [sic] quietos.
A orientação que gostaria de receber de Vossa Excelência respeita à atitude que Vossa Excelência entenda melhor o Governo tomar, desde o acompanhar sem interferir e ir colhendo mais elementos, a intervir no sentido de desencorajar a actividade local, ou ainda tomar outras medidas mais pesadas.
Designadamente em relação à ida do Ferreira da Silva a Angola fazer o convite ao Sr. Roseira, transportando uma carta de D. Duarte Nuno, como se trata de funcionário posso não autorizar, se V. Exª achar melhor.
Aguardo pois alguma indicação de Vossa Excelência entenda dar-me.
Conforme tenho referido nos telegramas enviados, tudo decorre a inteiro contento no que respeita às eleições. A designação no nosso Procurador também tem aceitação generalidade.
O Director dos CIT de S. Tomé, que receei abandonasse o lugar, após um desvaneio em Lisboa, regressa hoje à Província, desempenhava em acumulação as funções do chefe de gabinete, mas não lhas volto a entregar, pelo menos para já.
Renovo os meus respeitosos cumprimentos, e creia-me sempre,
De Vossa Excelência, subordinado e amigo muito dedicado e grato,
Cecílio Gonçalves [?]
1973/10/26S.Tomé e PríncipeGovernadorCunha, Silva
(1ª leitura)
Província de S. Tomé e Príncipe
Gabinete do Governador
30.X.73

Senhor Prof. Doutor Silva e Cunha
Excelência

Renovo a V. Exª os meus agradecimentos pelo teor do telefonema referente às eleições.
Tudo correu bem, realmente, de modo a deixar-nos inteiramente satisfeitos, e na realidade a resposta da população foi excelente.
Passada que foi esta preocupação, a que felizmente em S. Tomé não chegou a ser grande, pois o ambiente de relações era de molde[?] a tranquilizar – vamos continuar.
Abro hoje a Assembleia Legislativa. Nesta mesma mala seguem cópias das palavras que vou proferir na sessão.
Um problema me preocupa agora, e peço licença para o expôr a Vossa Excelência. Trata-se do anúncio feito pelo Senhor Presidente do Conselho, do 13º mês, que prevejo Vossa Excelência vá tornar extensivo ao Ultramar, à semelhança do ano findo.
A situação financeira neste aspecto é impeditiva. As melhores receitas cobradas pela subida das cotações foram consumidas, juntamente com a suavização da dívida, pelo aumento de vencimentos, Educação, Saúde, e Abono de Família, apesar de toda a compressão que fizemos.
Como passámos o ano de 1972 práticamente [sic] sem saldo, não temos onde ir buscar recursos.
Junto um apontamento que os Serviços de Finanças da Província elaboraram.
Não sei se Vossa Excelência terá possibilidade, de nos conceder um subsídio, única forma viável de materializar o 13º mês. Muito agradeço o que possa ser feito neste sentido.
Seguem hoje também nesta mesma mala as fotografias do acto eleitoral.
Com os meus respeitosos cumprimentos, peço me creia sempre de Vossa Excelência com a maior admiração, dedicação e estima,
Cecílio Gonçalves [?]

APONTAMENTO

ASSUNTO: - Atribuição, no corrente ano, do suplemento eventual. –
Confidencial
1. A concessão, no corrente ano, do Suplemento eventual ao funcionalismo civil da Provincia [sic] nos termos em que foi atribuido [sic] no ano findo, implica um encargo da ordem de 6 400 contos.
2. Conforme se verifica dos elementos existentes na Repartição Provincial dos Serviços de Finanças, a posição orçamental em 30 de Setembro do ano em curso, apresentava a seguinte expressão:
a)- Menor cobrança das receitas em relação à respec-
tiva previsão orçamental (excluindo as consignadas) 2 200 000$00
b)- Créditos e reforços que aguardam disponibilidades
de contrapartida ………………………………………………………………….. 3 200 000$00
c)- Disponibilidades da conta “Tesouro Público” (Sal-
dos das contas de exercicios [sic] findos ………………..……………… ________-$-
Soma…,,… 5 400 000$00
3. Não há, assim, qualquer hipótese de se poder encarar a concessão daquela melhoria ao funcionalismo da Provincia [sic], face à situação orçamental acima exposta, não obstante se esperar no corrente mês um pequeno reajustamento das receitas resultantes da saida [sic] dum maior contingente de cacau.
4. Tal posição não deixará, por certo, de causar maus reflexos entre os servidores do Estado, cujas remunerações são, já por si, insuficientes para fazer face ao custo de vida local, cuja subida se vem processando em elevado ritmo, provocada principalmente por factores externos a que a Provincia [sic] é alheia.
5. Em face do exposto, afigura-se-nos que só através da concessão pelo Ministério do Ultramar dum subsidio [sic] de 6 000 contos se poderá concretizar a atribuição do suplemento eventual no ano em curso.
1973/10/30S.Tomé e PríncipeGovernadorCunha, Silva






1973/11/03MacauGovernador de MacauCunha, Silva
1974/01/25Luís, António SalesCid, António SobralNotícia da suspensãoPAPÉIS DE ANTÓNIO SOBRAL CID
1974/02/07LisboaBatista, Jacinto Ferreira, Alfredo ANARQUISMO
1974/02/23Luís, António SalesCid, António SobralPAPÉIS DE ANTÓNIO SOBRAL CID


Aveiro, 28 de Abril de 1974
Meu caro Fonseca e Costa:



Como sabe (deve ter recebido o número do jornal), publiquei um pequeno artigo sobre “O Recado” em “O Comércio do Porto” (Página “Tela e Palco”). Todavia, prometi nessa altura a publicação dum estudo mais extenso e aprofundado sobre o seu filme. Para isso, precisava, contudo, de o ver segunda vez. A oportunidade surgiu, finalmente, numa sessão do Clube Português de Cinematografia, cineclube do Porto. Fui convidado para orientar um colóquio sobre a película no dia 2 de Abril p. p., na sede daquele cineclube. Coligi então uma série de apontamentos em que analisava “O Recado” com maior detalhe e profundidade e em que fazia longas citações dos diálogos que teve a gentileza de me fornecer. O colóquio realizou-se e, no fim, a assistência pediu-me para publicar esses apontamentos. Como o cineclube não o podia fazer (por falta de verba, esclareceu Alves Costa) foi combinado que os enviasse à “Vértice” a qual editaria uma separata, ficando o Clube Português de Cinematografia com um certo número de exemplares. De acordo com esta decisão, já enviei para a revista de cultura e arte de Coimbra os meus apontamentos, depois de passados “a limpo”. Contudo, seria interessante acompanhar o artigo com uma ou duas gravuras de enquadramento do filme. Como não possuo nenhuma fotografia que sirva para tal, peço-lhe o favor de fornecer à revista “Vértice”, com essa finalidade e o mais depressa possível, duas ou três fotografias de “O Recado”, se as tiver ou se de qualquer modo, as conseguir obter. Desde já lhe agradeço este favor.

Para não se perder tempo, julgo que o melhor seria que o meu amigo entrasse em contacto directo com a revista, cujo endereço é:

VÉRTICE

Revista de Cultura e Arte

Rua das Fangas, 55-A 2º

Coimbra

Cumprimentos do amigo e admirador sempre à sua disposição,
Gonçalves Lavrador
1974/04/28AveiroLavrador, F. GonçalvesCosta, José Fonseca e ESPÓLIO FONSECA E COSTA
1974/08/11Câmara Municipal de Viana do CasteloRECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIROespólio Lbertação?
1974/08/16OvarMonte, José FerreiraRECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO
1974/09/23S. João da MadeiraASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA DE S. JOÃO DA MADEIRA "UNIÃO OPERÁRIA"Delegação da Voz do Povo - PortoASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA DE S. JOÃO DA MADEIRA "UNIÃO OPERÁRIA"
/ udp
1974/09/26PortoDelegação da Voz do Povo - PortoASSOCIAÇÃO CULTURAL E RECREATIVA DE S. JOÃO DA MADEIRA "UNIÃO OPERÁRIA" /
udp
1974/09/27S. João da MadeiraSantos, Joaquim José Magalhães dos [Redacção de Libertação]LIBERTAÇÃORECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIRO
1974/10/06Alegria, ManuelCarneiro, Francisco SáASC


1974/10/10LisboaCarneiro, Francisco SáPrimeiro ministroARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1974/11/18LeiriaDias, Tomás OliveiraCarneiro, Francuisco SáPPD
1974/11/21LiaboaMacedo, CarlosCarneiro, Francisco SáASC


1975/02/06LisboaCarneiro, Francisco SáGomes, Costa (Presidente da República)ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1975/03Riba d' ÁveAlmeida, José Duarte CostaDelegação da Voz do Povo - Portoresposta a 1975/04/03UDP




CHALLENGER PORTUGAL INC.

RUA RODRIGO DA FONSECA – 9- 4.ºB TELEPHONE (01) 65 7043
LISBOA – 2 TELEFONE
PORTUGAL

Exmo Senhor
Secretário Geral do
PARTIDO POPULAR DEMOCRÁTICO
Largo do Rato
Lisboa 1.

SUBJECT DATE 12th March, 1975
ASSUNTO DATA

Dear Sir,

Please find herewith a copy of a letter addressed by our Company to His Excellency the President of the Republic of Portugal, which shows clearly the feelings and the intentions of this Company, and our faith in the future of Portugal.
In view of the difficult political climate which exists at the moment, especially in regard to foreign companies, we send you this copy in order that your Party can know that our position here in Portugal is unique, and that we intend to continue to fulfil our obligations to Portugal, come what may.
Yours truly,
[signature]
Ian Craigie
Director

Encl.



CHALLENGER PORTUGAL INC.

TO His Excellency the President of DATE 12th March 1975
PARA the Republic of Portugal DATA


Our Parent Company has proved to the world that with no consideration of politics, we intend to use our special skills in whatever country they are needed, and at the present time are concerned in a joint venture with the Government of Yugoslavia.
May we take this opportunity to offer you, Sir, together with the M.F.A. and your Government, our congratulations on dealing effectively once again with a most unhappy situation, and confirm our readiness to continue our work here with every confidence in the future of Portugal.
Yours respectfully,
[signature]
Ian Craig
Director

CHALLENGER PORTUGAL INC.

RUA RODRIGO DA FONSECA – 9- 4.ºB TELEPHONE (01) 65 7043
LISBOA – 2 TELEFONE
PORTUGAL

Exmo Senhor
Secretário Geral do
PARTIDO POPULAR DEMOCRÁTICO
Largo do Rato
Lisboa 1.

HIS EXCELLENCY THE PRESIDENT OF THE REPUBLIC OF PORTUGAL
Palácio de Belem
Lisboa.

SUBJECT DATE 12th March, 1975
ASSUNTO DATA


Dear Mr. President,
The Directors and Staff of Challenger Portugal. Inc. have asked me to inform you that they abhor the attempted coup d’état of yesterday as being not only stupid in conception and planning, but an action which, in any case, could only delay Portugal’s progress towards its rightful place in the community of free and prosperous nations.
Our Company, which was originally formed by a group of courageous engineers, has often suffered through political pressures and the power of international cartels as we all appreciate the problems besetting the M.F.A. and your Provisional Government at this time.
We wish to assure you, Sir, that we, together with our co-Concessionaire Frax Portugal Inc., shall continue to search for oil which Portugal so badly needs, with unabeten [sic] determination, and are confident that the mutual goodwill which has existed between the Government and our Company since 25th April, will not only continue, but become even stronger.

1975/03/12LisboaCraigie, Ian (Challenger, Portugal)Carneiro, Francisco Sá ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1975/04/03PortoDelegação da Voz do Povo - PortoAlmeida, José Duarte Costaresposta a 1975/03UDP
1975/12/13ViseuSousa, Carlos Alberto CoelhoCarneiro, Francisco SáPapel timbrado da A.R.ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
CARTA DO INSPECTOR ADJUNTO FERNANDO ARAÚJO GOUVEIA AO CAPITÃO SOUSA E CASTRO (30 DE MARÇO DE 1976)

(12 páginas manuscritas)

Excelentíssimo Senhor Capitão Sousa e Castro -Mui ilustre membro do Conselho da Revolução

Fernando de Sousa Araújo Gouveia, ex-membro do Conselho Técnico Superior da extinta Direcção Geral de Segurança, com a categoria de Inspector-Adjunto, mui respeitosamente pede licença a Vossa Excelència para lhe descrever um pequeno episódio antes de expor o assunto que o leva a dirigir-lhe esta exposição, como esclarecimento de uma posição ignorada pela grande maioria de todos os Senhores dos nossos destinos.

Assim, durante estes 23 meses de prisão sem culpa formada, estive no ano findo, de 18 de Março a 28 de Maio do mesmo ano, na Cadeia Penitenciária de Lisboa, juntamente com mais 718 detidos, com uma mistura de funcionários de todas as categorias da extinta Direcção Geral de Segurança, com os chamados informadores ou colaboradores da mesma.

A certa altura, já ali entrado como detido, um indivíduo civil, novo e bem falante, já anteriormente detido no Forte Militar de Caxias, onde deve ter entrado em meados de 1974 e solto pouco depois, tendo gozado neste intervalo, 8 meses de liberdade, pouco mais ou menos.

As razões destas entradas e saídas nunca foram por nós conhecidas, sendo certo que no isolamento inicial em Caxias e através da janela da sua cela situada nas traseiras, dizia para os dois lados, ter sido informador da nossa Corporação.

Após a sua entrada na Cadeia Penitenciária, procurou insinuar-se entre alguns funcionários superiores da extinta D.G.S. – cujos nomes havia conhecido através das celas de Caxias – apresentando-se-lhes como sendo o fulano de tal que esteve na cela ao lado e assim, conseguiu captar algumas simpatias.

Passados alguns dias, por meio de conversas que encaminhava em diversas direções, tenta conhecer alguns pormenores da vida interna da nossa Corporação, o que nos coloca de sobreaviso, embora nada de escabroso houvesse para ocultar.

Confiado na influência da sua verborreia e julgando que nos havia conquistado, começa a interessar-se de cada um de nós e sem contudo, manifestar interesse pela sua, tenta manipular-nos, sugerindo que fizéssemos exposições da nossa situação e dos nossos familiares, para serem entregues na Presidência da República, Conselho da Revolução e Conselho de Ministros, e, ainda, nas Embaixadas estrangeiras, com excepção das “tais” de Leste, o mesmo se devemos fazer em relação aos jornalistas-correspondentes nos jornais estrangeiros com as mesmas excepções.

Compreendidas as suas intenções, pouco a pouco, fomos ponde de lado esse individuo, sem qualquer atitude hostilizante.

Passados alguns dias, no recreio em comum – devo esclarecer que avida naquela Penitenciária era toda feita em comum, havendo por isso, maior espaço de movimentação que permitia passarem-se dias sem que uns tantos vissem outros, o mesmo já não sucedia no recreio, onde tínhamos possibilidade de ver todos os que ali vinham, por ser menor o seu espaço – vou surpreender esse indivíduo perorando no meio de alguns agentes da nossa Corporação.

Aproximei-me e ouvi perfeitamente ele estar a dizer-lhes: … a vossa passividade só pode significar um complexo de culpa…

Depreendi imediatamente que ele estava tentando instrumentalizar aqueles rapazes, levando-os a contar qualquer acto ou insubordinação, semelhante ao ocorrido ali em Agosto de 1974 – também provocado por influência exterior – o que só viria a agravar a sua situação e permitir que lançassem sobre eles o labéu de desordeiros e de amotinados como confirmação do mau ambiente já criado e muito desenvolvido por uma venenosa propaganda bem orquestrada pelos meios de comunicação social afectos aos comunistas.

Não me foi possível dominar-me e colocando-me bem na sua frente, disse-lhe de forma a ser bem ouvido por todos quantos andavam no recreio, que o pessoal da D.G.S., não tinha nada que sofrer de qualquer complexo de culpa, por ter a consciência limpa e descansada; que a sua passividade apenas significava ser disciplinado e respeitador das Forças Armadas, com quem sempre colaborou, tanto no Continente como no Ultramar; que se esse pessoal não fosse honesto e bem comportado, nunca poderia ingressar no quadro da Polícia, pela exigência do registo criminal limpo e bom comportamento militar aquando do seu alistamento, além da abonação de dois oficiais do Exército que por escrito, afiançavam o seu bom comportamento tanto moral como político, nas unidades Militares em que prestavam serviço e onde muitas vezes era recrutado, ainda no efectivo.

Esse indivíduo teve então o arrojo de, no final deste meu exaltado esclarecimento, dizer: “Pois olhe, não é isso que dizem lá fora!”.

Retorqui-lhe que fosse dizer a quem lhe pagava, que o pessoal da D.G.S. era assim e que aguardaria calmamente a justiça que um dia lhe seria feita e, acto contínuo, todos lhe virámos as costas.

A citação deste incidente, vem mesmo a propósito da calma que todos temos tido, pois, não só durante o pouco tempo que ali permaneci, como também nos 5 meses que a seguir passei no Forte Militar de Peniche e nos últimos 5 meses aqui em Caxias, tive sempre oportunidade de verificar o clima de disciplina e da confiança nas Forças Armadas, todos aguardando uma justiça que vem tardando, sendo certo que a fuga de Alcoentre não invalida esta opinião, dado que essa fuga não significa mais do que, a impaciência respeitosa dos mais novos e o desejo de rirem angariar no estrangeiro, o trabalho e o pão, para eles e para os seus familiares, que lhes era negado cá no País.

No entanto, pensando bem, é natural que a maioria do nosso Povo ´, tenha estranhado a facilidade com que se deixou prender uma Corporação Policial inteira, que tinha a seu cargo exclusivo, dado por lei, a fiscalização e o controlo de todas as fronteiras terrestres, marítimas e aéreas, tanto na entrada como na saída de estrangeiros e nacionais, assim como sobre os primeiros, quando residentes permanentes ou temporários, ou ainda como turistas, além de ser membro da Interpol-Organização Internacional de Polícias Criminais – de que foi Presidente efectivo durante um triénio, o falecido Capitão Agostinho Lourenço, e, cujos serviços aqui em Portugal estavam instalados na Sede da D.G.S.

Ainda por Lei, competia à nossa Corporação, a investigação e a instrução dos processos pela prática de crimes contra a Segurança interna e externa da Nação, com a remessa dos processos-crime aos Tribunais competentes, o mesmo sucedendo aos crimes de engajamento e emigração clandestina.

E é natural também que, assim como aquele individuo provocador admitia, o nosso Povo admita igualmente que a passividade de mais de um milhar de funcionários policiais, não represente mais do que o reconhecimento da sua culpabilidade na prática de actos que sempre lhe foram atribuídos, mas nunca provados, numa campanha bem orquestrada e melhor desenvolvida por aqueles que mais sentiam a acção da Polícia na frustração dos seus maquiavélicos intentos.

Admitir tal, é não conhecer o espirito de disciplina, honestidade e do respeito pelo nosso Povo – por cuja segurança e tranquilidade sempre zelou – que sempre reinou na Corporação e sobretudo, a confiança que sempre depositou nas Forças Armadas, aliás retribuída, com quem sempre colaborou ao londo dos 46 anos da sua existência – a inicial, Policia de Informação, foi criada em 17 de Março de 1928, pelo Decreto nº 15.195 – e sempre dirigida por oficiais do exército.

E foi sem dúvida esse espirito de disciplina e de confiança nas Forças Armadas, que levou todos os seus funcionários a obedecer à ordem, ainda de um oficial do Exército – O Diretor-geral, Major de Engenharia, Silva Pais – de cada um aguardar nos seus lugares, o desenrolar dos acontecimentos naquele dia 25 de Abril de 1974, dado que nenhum admitia a ideia de uma traição.

É assim, que ao longo da fronteira terrestre, todos os funcionários se mantiveram firmes nos postos respectivos, resistindo a todos os convites insistentes, que foram feitos do outro lado da fronteira para que atravessassem a linha divisória e se pusessem a coberto de qualquer surpresa.

O mesmo sucedeu com o pessoal dos postos marítimos e aéreos, onde lhe teria sido fácil refugiar-se em qualquer barco ou avião estrangeiro. No entanto, todos se deixaram prender sem esboçar qualquer resistência.

Mas há mais. O próprio Director-Geral foi mandado recolher à sua residência pelas Forças de ocupação da Sede da D.G.S. na noite de 26 para 27 de Abril de 1974, e ali permaneceu 3 dias, ainda antes de ser preso, fiel ao mencionado espírito de disciplina e de confiança nas Forças Armadas de que ainda fazia parte, quando lhe teria sido fácil, durante este espaço de tempo, refugiar-se em qualquer Embaixada estrangeira onde, em algumas, contava muitos amigos.

O mesmo sucedeu com o Director de Serviços, Manuel da Silva Clara, ex-oficial miliciano, mandado para casa nessa mesma noite de 26 para 27, e ali se conservou durante 8 dias à espera que o fossem prender, como de facto sucedeu.

Mas comigo ocorreu também ter sido mandado para minha casa ainda na mesma noite, por me encontrar em recuperação de uma grave doença que me forçou a permanecer internado na Clínica da Cruz Vermelha durante 8 meses e meio, entre a vida e a morte, e, igualmente, não tentei refugiar-me depois em qualquer parte.

Com a consciência bem tranquila, na manhã do dia 29 desse mesmo mês de Abril, fiz a minha apresentação voluntária na Cova da Moura, dando entrada aqui, em Caxias, ao fim do mesmo dia.

Nós, os verdadeiros homens da D.G.S., fomos sempre assim.

E não é o “Caso Delgado” – acto que teria sido combinado por um reduzidíssimo grupo isolado, sem o mínimo conhecimento dos restantes, e mesmo assim, ainda não devidamente esclarecido – suficiente para manchar o bom nome e o prestígio da nossa Corporação, com as provas dadas do seu espirito de luta e de sacrifício em qualquer parte do território continental e ultramarino, bem reconhecido por todo o Povo português trabalhador e honesto e até pelos Altos Comandos das Forças Armadas que, continuamente o consagravam em Ordens de Serviço e Ofícios, e ainda em Boletins Oficiais e Diário do Governo, havendo bastantes distinguidos com louvores e condecorações nacionais e estrangeiras, o que tanto nos honrava.

Mencionei o “Caso Delgado”, por me recordar que em 19 de Outubro de 1921, alguns civis e marinheiros, sob o comando do Guarda-Marinha Benjamim, procedeu à captura de uns tantos vultos da República, entre os quais se contava o seu Fundador, Almirante Machado Santos, o Presidente do Conselho de Ministros em exercício, Dr. António Granjo, o Comandante Carlos da Maia, Ministro da Marinha com o Presidente Sidónio Pais e outros, todos conduzidos numa camioneta que ficou conhecida por “camioneta fantasma”, para uma instalação do velho Arsenal da Marinha e ali, foram simplesmente fuzilados a sangue frio, como aliás, o ao tempo bem conceituado revolucionário, Capitão de Engenharia, Cunha Leal, teve oportunidade de assistir, embora forçado, como ele declarou mais tarde no Parlamento, onde exibiu o colarinho da sua camisa, tinto de sangue, por uma bala lhe ter roçado o pescoço.

Não creio que por estes factos, a nossa Marinha de Guerra tivesse que ser dissolvida e presos todos os seus componentes, mas sei que esses factos em nada afectaram o seu grande prestígio e glória, por os mesmos terem sido praticados por uns tantos elementos seus que, em Tribunal competente, prestaram as devidas contas.

Passamos agora ao assunto concreto do meu caso, peço licença a Vossa Excelência, para expor o seguinte:

Sempre tive como principal objectivo da minha vida policial, contribuir para evitar ao Povo português o doloroso sofrimento de assistir ao espectáculo do caos e da degradação que o período gonçalvista teve oportunidade de lhe proporcionar e do qual, ainda, e durante muito tempo terá de sofrer os efeitos.

Tudo sacrifiquei – saúde, horas regulares de descanso e de alimentação, convívio familiar e férias – numa luta insana e pertinaz, contra a organização clandestina do chamado Partido Comunista Português – o seu funcionamento foi por mim descoberto em 1952 – cuja finalidade era a agitação e a mobilização das massas, tentando provocar por meio de greves e de sabotagens, a insegurança e a intranquilidade pública, para, depois, por meio de infiltrações dos seus membros e simpatizantes em todos os lugares-chave, estabelecer o clima apropriado ao desencadeamento da insurreição armada para a tomada do poder.

Para acionar a sua máquina clandestina, dispunha de um forte quadro de “funcionários” – indivíduos que abandonavam as suas profissões, se é que alguma vez as tiveram – que viviam na clandestinidade com falsas identidades, dedicando exclusivamente ao desenvolvimento das tarefas partidárias e de agitação nos sectores em que dividiram o País, e que lhes eram distribuídas pelos membros do seu Comité Central, igualmente “funcionários”, vivendo nas mesmas condições clandestinas ou no estrangeiro.

Como não trabalhavam – alguns mesmos nunca trabalharam – viviam todos à custa dos Fundos da organização, de início com produtos das quotizações e venda da sua imprensa clandestina e depois já com o poderoso auxilio material de Moscovo.

O meu crime é ter assimilado os métodos e táticas dessa organização clandestina e de ter estudado e proposto um plano que foi aprovado superiormente, de luta contra a sua actividade, procurando neutralizar a sua nefasta e perigosa infiltração no nosso País.

Essa luta foi sempre desenvolvida com cérebro e humanidade e cuja eficiência era também reconhecida pelos próprios membros do Comité Central, quando presos.

E é tão certo isto, que logo a seguir a 25 de Abril de 1974, alguns desses membros do Comité Central, estiveram aqui, neste Forte Militar de Caxias, armados em polícias, a interrogar detidos da D.G.S., e nenhum teve coragem de me fazerem comparecer perante eles, para me formularem de frente e de viva voz, as acusações que me foram sempre feitas através de uma campanha superiormente orquestrada e dirigida por meio da sua imprensa clandestina e mesmo estrangeira e até na Rádio Moscovo, Rádio Praga e Rádio Portugal Livre, na Argélia, com a finalidade de criar e desenvolver um amplo movimento de opinião que forçasse o Governo a demitir-me, tentando assim, paralisar uma actividade que dificultava, sem dúvida, a realização dos seus objectivos subversivos.

Excelência

Se me permite, eu atrevo-me a fazer uma pergunta:

Estarei preso à ordem ou por ordem do tal chamado Partido Comunista Português, que tão boas provas de portuguesismo tem dado ao País?

Eu que aos 16 anos e nove meses de idade, jurei pela minha honra, fidelidade à nossa Bandeira e à nossa Pátria, não regateando a vida, caso fosse preciso, quando, como voluntário, passei a pronto da instrução militar, incorporado numa Unidade do nosso Exército e que dediquei os melhores anos da minha vida, expondo-a constantemente, em luta contra uma organização subversiva que sempre que sempre usou como sua bandeira, a bandeira de uma forte e poderosa Nação comunista, opressora de milhões de indivíduos, incluindo os símbolos da estrela, foice e martelo, continuo preso sem culpa formada e sem que até à presente data me tenha sido formulada qualquer acusação concreta, de ter cometido violências ou actos de abuso de autoridade que na imaginação dos programadores da já citada campanha, devia ter praticado, continuo preso, repito, enquanto alguns que foram nossos presos, julgados e condenados em Tribunal competente, andam à solta, em posições de destaque, inclusive até, como membros dos vários Governos, sem excepção do VI.

E devo continuar a perguntar se é por isso que se passam meses e meses, sem ver sequer o ou os instrutores do meu processo, já iniciado há pouco mais ou menos, um ano, primeiro por um Oficial do Exército e depois continuado por outro que a certa altura o interrompeu e que há mais de 5 meses não voltou a aparecer, os quais se limitaram a inquirir o que fiz desde a data do meu alistamento na Polícia de Informação do Ministério do Interior – 1 de Junho de 1929 – até, segundo creio, à data da minha detenção – 20 de Abril de 1974 – ou seja, o que fiz como Chefe de Brigada, ou melhor, primeiro como Agente e depois como Chefe de Brigada, pois ainda não passamos desta última categoria, faltando ainda inquirir o que teria feito como Subinspector, Inspector, Inspector-adjunto e Técnico Suerior, naturalmente à espera de alguma contradição que possa determinar culpa, já que nada de concreto me foi ainda apresentado.

Ora eu devo informar Vossa Excelência que de facto, a minha subida da corda a pulso, não tem podres nem nada de que me envergonhar e por tal, franca e lealmente tudo tenho exposto e tenho pena de não terminar esse processo assim iniciado, pois penso que estarei condenado a prisão perpétua, sem culpa formada, naturalmente pelo muito que conheço acerca desses senhores, tão vulneráveis como outros mortais, mas com certas agravantes.

Como já tive ocasião de expor a Vossa Excelência, em 5 de Janeiro p.p., nada possuo de meu e estou na perspectiva de uma terceira idade de miséria, como paga do sacrifício de uma vida inteira, dedicada ao serviço da Nação e na defesa dos mais sãos princípios da Ordem e da Paz e o Bem estar do nosso Povo, precisamente os sãos princípios porque luta o Conselho da Revolução de que Vossa Excelência é mui Ilustre membro.

Com a maior consideração e respeito, de Vossa Excelência, atentamente

Fernando de Sousa Araújo Gouveia

– Forte Militar de Caxias, em 30 de Março de 1976 – Quarto 20 – 3º piso – esqº
1976/03/39Gouveia, FernnadoCastro, Sousa




(1ª leitura)
Lisboa, 15 de Maio de 1976

Exmo. Senhor
ALMIRANTE JOSÉ BATISTA PINHEIRO AZEVEDO
Digmº. 1º. Ministro
Excelência
Os abaixo assinados, trabalhadores da ex-Cantina da Armada e da Brigada Naval, vêm, respeitosamente, expôr a V. Exa. o seguinte:
Após o movimento do 25 de Abril foi ordenada superiormente a extinção do organismo em que nos encontrávamos a prestar serviços e o mesmo sob a designação da Cantina da Armada passou a ser considerado, para todos os efeitos, como pertencendo à Armada e continuou na sua normal laboração até que passado cerca de dois meses foi nomeada uma Comissão Liquidatária para integração dos respectivos valores activos e passivos nos Serviços Comerciais da Fabrica Nacional de Cordoaria e bem assim, como é lógico, da recolocação do pessoal.
Porque a Cantina possuía um Supermercado e uma Secção de Abastecimento de Navios na Docapesca ou seja fora das instalações militares da Armada foi resolvido pela mesma Comissão Liquidatária encerrar estas dependências em primeiro lugar (princípios de Julho de 1974), inventariar e transferir para a Sede em Alcantara a mercadoria ali existente, entregar as chaves dos respectivos serviços e despedir o pessoal que havia sido admitido exclusivamente para ali prestar serviços, pagando-se-lhes as respectivas indemnisações de harmonia com a Lei Geral do Trabalho.
Em fins e Julho de 1974 foram demitidos mais dois trabalhadores – o porteiro e o fiel das bombas de combustíveis – e aos quais tambem foram pagas as respectivas indemnisações em conformidade com a mesma Lei Geral.
O restante pessoal continuou a aguardar que fosse tomada uma resolução acerca da sua situação, tendo em fins de Setembro desse mesmo ano tomado conhecimento, atravez de uma circular da referida Comissão Liquidatária que se iria proceder à escolha do pessoal necessária para a integração nos Serviços Comerciais da Fábrica Nacional de Cordoaria no total de 54 unidades, incluindo 21 trabalhadores da Secção de Padaria que foram absorvidos na sua totalidade , não podendo, porêm, ser considerados os trabalhadores com mais de 55 anos de idade e do que resultou ficarem sem emprego 29 trabalhadores, uns por terem idade superior ao limite indicado e os outros por não haver para eles possibilidade de colocação naqueles serviços.
Ao pessoal despedido foi-lhes abonado, por ordem superior, no fim do mês de Outubro e pela Fábrica Nacional da Cordoaria, um mês de vencimento por conta das indemnisações a que tiverem direito, com a promessa de que seriam efectuadas as necessárias diligências no sentido de se obterem os fundos necessários para se proceder ao respectivo pagamento.
A partir de então nada mais lhes foi abonado e no número dos despedidos contam-se alguns empregados com mais de 25 anos de serviço efectivo que lutam com bastantes dificuldades e sem possibilidades de colocação noutros serviços devido à sua avançada idade.
Acontece, porêm que a maior parte do pessoal despedido se constituiu em grupos tendo recorrido às vias judiciais atravez do Tribunal do Trabalho e cujos processos seguem seus trâmites pelas diversas secções naquele Tribunal para que lhes sejam pagas as indemnisações a que se se julgam com direito.
Os signatários em número de cinco e dos quais os três primeiros desempenharam os cargos de maior responsabilidade dentro da Cantina (chefe de serviços e encarregados, respectivamente) e que por coincidência englobam os trabalhadores com maior número de anos de actividade, entenderam por bem não fazerem parte de qualquer dos grupos abrangidos nos respectivos processos judiciais, na esperança de que superiormente e na sua devida oportunidade fosse tomada uma decisão acerca deste problema, não fazendo sentido que para ser dado cumprimento a soluções justas e portanto ao abrigo das leis em vigor haja que recorrer às vias judiciais.
Acontece tambem que quanto ao pagamento das indemnisações a pessoal despedido há já precedentes na própria Cantina, pois foram pagas as respectivas indemnisações ao primeiro pessoal que foi despedido na altura em que foram encerradas as seguintes secções: Supermercado – na Docapesca, Talho e Salsicharia – na Sucursal do Alfeite e Serviço de Combustiveis e Porteiro – na Sede.
Certamente que há que tomar tambem em linha de conta que na altura em que a Comissão Liquidatária deu por findo os seus trabalhos ou seja em principios do mês de Novembro de 1974 esta não dispunha dos meios necessários para proceder ao pagamento das indemnisações em dívida ao pessoal despedido sendo talvez essa a principal razão porque não foi efectuado o referido pagamento, mas a verdade é que após o pagamento pela Fabrica Nacional de Cordoaria do valor das mercadorias que lhe foram entregues pela Cantina e de algumas cobranças efectuadas, a nova Comissão Liquidatária, segundo nos informaram, conta presentemente com disponibilidades de valor superior a 5.000 contos, valor mais do que suficiente para pagar as indemnisações ao pessoal despedido e que em conformidade com a Lei Geral do Trabalho é de cerca de 1.550 contos.
Temos tambem conhecimento que a actual Comissão Liquidatária aguardava que superiormente lhe sejam dadas instrucções sem as quais não poderá proceder ao pagamento das referidas indemnisações.
Tudo leva a crer que se está à espera que o Tribunal decida como por caso por não haver quem superiormente assuma a responsabilidade de tomar uma resolução.
O certo é que entre os processos que decorrem seus trâmites pelo Tribunal de Trabalho há um que se encontra na 3ª. Vara – 1ª. Secção que está prestes a chegar ao seu termo, constando-nos que certos elementos de determinado sector de imprensa estão interessados em assistir ao julgamento afim de dar oa [sic] facto o necessário relevo e segundo as suas conveniências.
Apesar de profundamente prejudicados com a situação que nos foi criada, pois só a partir de 1967 passámos a contribuir para a Caixa da Providência, estamos no entanto de alma e coração com o movimento do 25 de Abril, nunca tomámos parte em qualquer grupo de protesto contra a actuação dos poderes governativos e temos aguardado com serenidade que nos sejam pagas as indemnisações que nos são devidas por terem sido dispensados os nossos serviços depois de tantos anos de constante trabalho ao serviço dum organismo que procurou servir o melhor possível todo o pessoal da Marinha que se encontrava ali inscrito como cliente e que alem disso tambem abastecia o pão para consumo das praças da Armada, da Escola Naval, nesses e outros serviços da Marinha e ainda o tabaco nacional em regime de gastos de bordo para consumo das tripulações dos navios que partiam em comissão de serviço.
Prestámos sempre à Armada a melhor colaboração possivel e em todas as circunstancias, razão porque nos sentíamos a ela ligados não só porque estávamos instalados nas suas dependências - Quartel de Marinheiros em Alcantara e Base Naval do Alfeite – mas tambem porque tivemos sempre a dirigir-nos oficiais superiores da Armada e que nos recomendavam constantemente que tivéssemos a máxima atenção nos serviços a nosso cargo e especialmente nos abastecimentos aos serviços da nossa Armada.
É por todas estas razões que nos permitimos apelar para o generoso coração de V. Exa. no sentido de pôr termo a esta situação a que chegámos, ordenando que sejam pagas indemnisações devidas ao pessoal despedido há já mais de 18 meses, a maior parte dos quais tem sentido e continuam a sentir nos seus lares as maiores dificuldades.
Tal facto alem de solucionar uma situação que se arrasta há já bastante tempo e que as pessoas a quem competia resolvê-la não o fizeram até esta data ou por falta dos necessários poderes ou por qualquer outro motivo , daria tambem lugar a que fossem arquivados todos os processos que se encontram no tribunal de trabalho, por desistencia dos autores e deixaria de haver lugar a mais críticas ou apreciações tendenciosas acerca do assunto.
Confiados no elevado espírito de compreensão de V. Exa. na qualidade de distinto oficial-general nossa gloriosa Armada e no posto mais alto do governo da nossa querida Pátria, resta-nos pedir desculpa do tempo que se dignou dispensar-nos na apreciação deste nosso desabafo e rogar a V. Exa. que se digne aceitar os respeitosos cumprimentos e protestos de elevada consideração dos que se subscrevem
Respeitosamente
a)
b)
c)
d)
e)

a) Possidonio Henriques das Neves
Chefe dos Serviços – c/69 anos de idade – admitido em 16/10/945
Residente em Rua Alves Redol Nº. 3 – 2º. Esq. Lisboa – Tel. 40172
b) Arnaldo Valentim Lourenço
Encarregado Geral – 53 anos de idade –18/2/942
Residente em Rua General Humberto Delgado nº- 12 Sabugo Tel. 292824
c) Ernesto da Silva Bastos
Encarregado da Secção de – c/70 anos de idade - admitido em 24/1952 – Residente em Escadinhas das Olarias Nº. 12 – 2º. Tel 571934
d) Américo Mario Caldeira
Motorista – 69 anos de idade – admitido em 18/4/943
Residente em Largo do Mastro n.º 24 – r/c Lisboa
e) Augusto Secundino de Caldas
Caixeiro – 44 anos – admitido em 3/8/959
Residente na Rua Maria Pimentel Montenegro Nº. 8 – 2º. Esq. Lisboa.
1976/05/15LisboaVáriosAzevedo, Almirante Pinheiro de

(falta texto)
(1ª leitura)
Meu Caro Valdemar:
Confirmando o que te comuniquei já de viva voz, informo-te de que o velho serviço da “Arcada”, vindo de mais de meio século, foi reduzido ao silêncio, pelo menos por enquanto, por alegada carência de instalações do Ministério da Administração Interna, onde funcionava e poderia continuar a ser de grande utilidade para os contactos profissionais directos e persistentes com as fontes informativas dos sectores oficiais.
Perde a Imprensa essa posição e do desinteresse por ela própria demonstrado algo de prejuízo em meu entender advirá para o desempenho da sua missão. Lutei quanto pude para que tal não sucedesse, mas a situação tornou-se insustentável, devido a procedimentos que sucessivamente foram incomodando os jornalistas e pessoal seu cooperador em trabalhos de dactilografia e arquivo. De facto, tais procedimentos tinham por objectivo, afinal, embora não manifestado frontalmente, conduzir ao afastamento. Ultimamente, fora “tolerada” apenas uma presença junto do encarregado do pessoal menor! E acabou por ser da boca deste que se detectou a decisão de acabar efectivamente com a “Arcada”.
Deixa, pois, de existir a “Arcada”, que marcou tradição no meio jornalístico “oficial”, unicamente nos ficando a esperança – a não desprezar – de aproveitamento duma oportunidade em possamos renascê-la, para mais fora dos condicionalismos de que tanto nos fomos queixando e que nunca nos chegaram a vencer, mesmo em alturas de ofensivas mais agrestes (SPN, SNI, SEI) contra a permanência desse lugar que deveríamos agora, com mais fundamento pela diferença verificada em relação a tais épocas de acentuadas dificuldades no exercício do nosso mister, pugnar para que não se desfizesse ou desaparecesse. Por mim, resisti quanto pude e parto da “Arcada” muito mais apoquentado pela Imprensa do que por posição pessoal, ainda que somente devendo ser ela vista do ângulo profissional.
Foi “O Primeiro de Janeiro”, juntamente com “O Século”, dos últimos a ter presença marcada nesse posto, pois infelizmente outros preferiram alhear-se e cooperar assim na derrota sofrida. Deve assinalar-se a atitude dessa presença, que individualmente em ti cabe. Mas, dada a situação actual, restar-vos-á considerarem sem efeito, desde Maio findo, inclusive, as ligações de serviço que o Jornal mantinha com a “Arcada”, a cuja alma um e o outro pouco mais poderemos fazer do que dedicar-lhe um […]

Aliás, Almeida e Costa modificou radicalmente o seu comportamento inicial para com a “Arcada”, quando se revelava para a política e o pediu de empréstimo por algumas semanas, que vieram a tornar-se meses, e afirmando-se então em absoluto respeitador da existência daquela casa de jornalistas. Quando a sala foi restituída, compareceu mesmo nela e, sentado numa das secretárias, felicitou-nos na circunstância da restituição prometida e cumprida. Só que, ascendendo algum tempo depois a ministro, deixámos de lhe merecer sequer uma palavra de satisfação no aniquilamento do Gabinete da Imprensa a funcionar no departamento governativo que passou a ser de sua inteira responsabilidade.
Deve marcar-se também no caso a influência determinativa do comandante Costa Correia, director-geral do Secretariado Técnico dos Assuntos Políticos e Eleitorais, de quem não nos ficam de modo algum boas recordações por atitudes e palavras.
Pertenceste ao grupo dos directores que expressaram ao então ministro sem pasta Vítor Alves o desejo veemente da Imprensa de não perder essa posição tão tradicional e efectivamente útil, que haveríamos agora de reanimar, já que os condicionalismos anteriores se anunciaram como impróprios da nova situação que todos desejamos alcançar. Restar-nos-á a esperança duma oportunidade em que alguém melhor veja e sinta e assim nos proporcione retomar tal posição.
Foi “O Século”, juntamente com “O Primeiro de Janeiro”, dos derradeiros vencidos da “Arcada”, visto que continuava a pretender o seu serviço, mesmo a funcionar a “meia-adriça”, mas aguardando se recompusesse neste mundo bem maior que é agora a dos Ministérios. Acompanhou portanto, até ao fim, o Gabinete da Imprensa por que tantos de nós se bateram (três gerações) e que, na realidade, prestou colaboração muito valiosa à Informação. Como jornalista, não quero deixar sem registo essa “teimosia” independentemente das atenções de ordem pessoal, fazendo-o também em nome de colaboradores no trabalho nele desenvolvido e que vêem [sic] agora perderem-se alguns proventos que cobriam necessidades em ganho da vida.
É com um grande abraço que te dou conhecimento do sucedido à “Arcada”, que para além de tudo o mais constituía para mim uma presença de sinal familiar e que me lembro de haver visitado com meu Pai, noutro piso do edifício, quando não ia além dos três ou quatro anos de idade e me fechei num lavabo que tiveram de assaltar a fim de me libertarem! Nos últimos tempos, tornara-o uma instalação montada com dignidade e largueza de acomodações, como nunca sucedera. Lamento o aniquilamento desse lugar que a Imprensa conquistara e lhe fará certamente alguma falta. Que possa um dia renascer – este o meu voto.
Porque o serviço da “Arcada” já praticamente não existia desde Maio findo, devolvo o cheque respeitante ao pagamento habitual, por parte de “O Século”, da colaboração que recebia, assim contribuindo para as despesas de pessoal e de material.
Entretanto, volto a abraçar-te com amizade e peço-te que de mim continues a dispor na medida das minhas possibilidades, tal como todos os demais camaradas.

Lisboa, 8 de Junho de 1976
1976/06/08LisboaAlmeida, Armando Jorge deValdemarARCADA
(falta texto)
Meu Caro Manuel Magro:
A luta pela permanência da “Arcada” foi inglória, nestes novos tempos de liberdade. A posição que ela representava e a Imprensa não desejava perder desaparece, afinal, não por culpa inteiramente própria (digo inteiramente devido a não se haver verificado uma defesa de facto, com toda a nossa força sempre mais posta ao serviço dos outros do que de nós mesmos), mas porque a foram tornando impraticável a partir de dificuldades levantadas sucessivamente à sua instalação e que visavam conduzi-la a uma situação incómoda e depois insustentável. A última presença consentida fora já numa dependência juntamente com o encarregado do pessoal menor! E através deste se soube, de modo não frontal do lado dos responsáveis maiores do Ministério, da determinação em que alguém se encontrava de acabar pura e simplesmente com o tradicional ponto de reunião e de trabalho dos jornalistas no Gabinete que, há mais de meio século, o próprio Governo lhes cedera, reconhecendo a sua utilidade para o labor desenvolvido pelos profissionais da Informação com a incumbência, nada fácil, de manter contactos directos com as fontes informativas, dos sectores oficiais, fora da rotina dos documentos redigidos para aproveitamento a seco nas Redacções, quase sem diálogo.
O ministro Almeida e Costa, a quem solicitei ao menos a passagem de um documento a registar os motivos alegados de carência de dependências no actual Ministério da Administração Interna, a fim de me salvaguarda da falsa posição de abandonar um posto fundamentalmente da Imprensa (e não meu ou de quaisquer outros camaradas, individualmente, porque sim de todos) , negou-se a fazê-lo, considerando-o desnecessário, na interpretação primária e insuficiente de que a “Arcada” morria tal como havia nascido! Além do mais que tal atitude traduz, é de assinalar a ignorância ou o alheamento da verdade, porquanto o Gabinete da Imprensa que principiou a funcionar junto do antigo Ministério do Interior fora cedido por deliberação procedente de destacadas figuras governativas do tempo, incluindo o Presidente do Ministério, que com o Ministro da pasta e outras entidades oficiais esteve presente à sua inauguração em acto que a Imprensa noticiou com relevo.
[…] rezar para que descanse em paz.
Um grande abraço e o pedido de que faças chegar à direcção, à administração e aos camaradas de “O Primeiro de Janeiro” um cumprimento geral e os votos de venturas.
Lisboa, 8 de Junho de 1976
1976/06/08LisboaAlmeida, Armando Jorge deMagro, ManuelARCADA
>1976/08/03LisboaCarneiro, Fracisco SáMao ZedongTelegrama de solidariedade às vítimas do terramoto.ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1976/12/07LisboaGranadeiro, Henrique (Chefe da Casa Civil da P.R.)Presidente do PSDConfidencial.
Oaoel timbrado da P.R.
ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1977/03/30LisboaGabriel, António de CastroSilva, Fernanda Pires da DOSSIER GRÃO-PARÁ
1977/04/01Coelho, Fernando de Almeida Nogueira Comissão Administriva da Imobiliária Construtora Grão-ParáDOSSIER GRÃO-PARÁ
Rio, 12/10/1977



Caro Zé



“Aquele abraço”, Saravá[3] e tudo de bom para ti. Uma dose igual extensiva ao Fernando Lopes.

Bicho. Aqui chegou o verão. As menininhas estão agora mais descascadas e assim a gente consegue ter um pouco mais de alegria de viver. Entretanto, como diz o Chico, “a coisa aqui está preta”, ou melhor, continua preta. Mas como Deus é brasileiro cá vamos cantando e rindo carregando a nossa fé.

Eu, Zé Manel e Galveias já tivemos bastantes papos com o Ruy Guerra sobre o teu caso. Assunto Dina Sfat o Ruy falou com o Paulo José e nada feito. Dina está no momento a fazer teatro (Seis personagens à procura de um autor) e assinou contrato com a TV Globo para uma novela a gravar em breve. Entretanto o Ruy sugere, a Sonia Braga, o Lima Duarte e o Armando Bogus que talvez estejam em Lisboa em Novembro contratados pelo Vasco Morgado. Claro que não está ainda confirmada esta ida a Portugal. Vou tentar ainda falar hoje com o Galveias e qualquer outra novidade deixo para o final desta carta. Assunto Chico o Ruy também falou com ele e no momento está super ocupado. Entretanto o Ruy gostaria de saber se dá para aguentar até janeiro ou Fevereiro (aí o Chico talvez arranjasse um tempo disponível) ou se precisas da música já. O Ruy sugeriu ainda que caso já tivesses uma música seria mais fácil o Chico pôr só a letra. Num desses papos e com referência à atriz eu e o Coelho ainda chagamos a sugerir a Itala Nandi mas creio que o Ruy tem uns problemas com ela. Ele disse que tu também a conheces. Como acima disse ainda vou bater hoje um papo muito sério com o Galveias pois sei que ele falou contigo ontem pelo telefone (por causa desse telefonema seguramos mais um rabo de foguete) e pode ser que tenha mais novidades para contar. Acho que devias bater um telefonema direto para o Ruy Guerra para ele ver estes assuntos.

Quanto ao livro “O que diz Molero” o Oliveira Pinto mandou-nos um exemplar e achamos sensacional. Bola p’rá frente rapaz.

Assuntos “Demónios” em São Paulo está tudo OK e a fita entregue no Museu de Arte Moderna. Dias atrás o Jaime Conde (da Secretaria de Estado de Emigração no Rio) comunicou-nos que o Consulado de S. Paulo tinha recebido uma cópia dos “Demónios” e que não sabiam o que fazer ao filme, pois não tinham recebido instruções. Chegamos a pensar que fosse uma cópia fantasma voando por aqui e alertamos o Jaime Conde para que ao fim de um tempo (caso as instruções não viessem) a cópia viesse para o Rio. Com o telefonema teu para o Galveias o assunto ficou esclarecido e ontem mesmo se falou com São Paulo e a cópia entregue ao M. A. M. Entretanto fazemos uma pergunta que espero não deixes sem resposta. Essa cópia fica no Brasil ou o próprio Consulado devolve para Lisboa? E como é que esses caras aí mandam a cópia sem instruções para São Paulo?

A cópia que ficou com a gente já foi levantada na Cinemateca do Rio onde foi exibida a sessão especial com convites. Tão logo a recebi dei uma big revisão na mesma, que está riscada em algumas partes, com algumas colagens e que já não se apresenta tão nova como dizias. Creio que algumas cenas do filme foram exibidas no programa CINEMATECA da TV Educativa (nos disseram) e isso justifica os riscos e colagens pois sabemos como aqueles caras tratam os filmes. Entretanto (O Pinto sabe que nós gostamos de tudo certinho e bonitinho e que e termos de revisão de filmes ainda somos mais a gente) a cópia agora está super OK pois foi limpa, as colagens refeitas com durex especial que o Narciso nos manda etc. Na próxima terça feira e numa promoção nossa juntamente com os Serviços Culturais da Embaixada de Portugal vamos exibir o filme no Palácio de São Clemente em sessão especial com convites. Mandei uma lista para a Embaixada para eles convidarem a pato—da Embrafilme, TV Globo etc. Por sua vez a Embaixada manda convites para Centros Académicos, Professores Universitários e outros Colunáveis. Na nossa lista (os convites serão expedidos pela Embaixada) incluí também críticos de cinema. Depois te escrevemos e contamos como a coisa correu. Essa projeção (sem riscos e filme partido) nós garantimos.

O Oliveira Pinto e Narciso também nos mandaram na remessa habitual de jornais o “Diário de Lisboa” com o teu artigo “Os inimigos do Cinema português estão em todo o lado (até do nosso)”. Lemos, gostamos e LAMENTAMOS. LAMENTAMOS PROFUNDAMENTE que sejas obrigado a escrever um artigo desses. Zé. Escuta bicho. Diz a esses filhos da mãe QUE O POR DO SOL NÃO ACABA NO BARREIRO. QUE O MUNDO CONTINUA DALI P’RA FRENTE, QUE MIL E UMA TRANSAS ANDAM PELO AR E QUE COM ESSAS POLITIQUICES NÓS (TODOS) ACABAMOS PERDENDO. DIZ ISSO, GRITA, BERRA, E METE ISSO NA CUCA DESSES CARAS NEM QUE SEJA DA FORMA CUJA SUGESTÃO APRESENTAOS A SEGUIR:



imagem (um recorte colado)



Tu e o Lopes estiveram aqui, contataram com a malta e viram a explosão que vai ser neste país não tarda muito. São milhares de caras fazendo e querendo fazer cinema e uma explosão de juventude vem por aí. Tives-te [sic] um exemplo naquela noite no Opinião de como vai ser a coisa no dia em que soltarem a juventude deste país. Devias ter visto a zorra que foi no Teatro Ruth Escobar durante a leitura da peça “Calabar” com a presença de Ruy e Chico e que nós gravamos para uma próxima edição do Tropicália. Entretanto aí, a turma continua a fazer politiquices e como agora é inverno as coisas vão piorar. É isso aí bicho o cachecol aperta o pescoço e as ideias custam mais a subir à cabeça. Sabes be como nós estamos inseridos no contexto (êta chavão) deste país e o que queremos para o futuro das relações Brasil-Portugal. Mas qual vai ser o papel de Portugal no meio disto tudo? O Dias Gomes (agora trabalhando a peso de ouro no esquema Global) no seu regresso de Portugal talvez tenha visto tudo. «A “Gabriela” domina na Televisão, “Dona Flor” domina no cinema e “O Santo Inquérito” domina no Teatro. É isso aí minha gente. Portugal virou colónia do Brasil». Isto veio publicado (sic) no jornal o Globo. A gente só acrescenta (da nossa autoria): – Já dizia o Fernando Pessoa «“A minha pátria é a língua portuguesa” (só que com sotaque brasileiro)». E nem adianta fazer mais comentários porque senão isto não seria uma carta (à qual tentamos imprimir um pouco do saber carioca pois aí é inverno e isso põe as pessoas na fossa) e sim um relatório. Apenas temos e devemos de [sic] acrescentar que esta piada, (de nossa autoria, repetimos) é considerada por nós como de humor grego.

Os jornais daí noticiaram (e o “Globo” aqui deu enfase à notícia por conveniência claro) que em Portugal até o Alvaro Cunhal e o Mário Soares chegaram atrasados a compromissos pois não conseguem sair de casa sem ver a Gabriela. Pergunta aos milhares de estudantes de São Paulo, Rio e esse Brasil por aí afora se eles chegam atrasados às passeatas por terem estado a ver novelas, que aqui são o pão de cada hora. Pergunta. Pergunta também a eles o que é que essa turma esperava de Portugal e da sua mensagem cultural pós 25 de Abril. Pergunta da desilusão que estão apanhando. Enquanto isso alguém (muitos) não estão dormindo no ponto e entrando de fininho naquilo que por direito Portugal deveria ser cabeça de ponte. Ou seja, o ponto de partida, o elo maior, da divulgação da cultura portuguesa no mundo. A propósito, o folclore continua a ter aqui muita aceitação no seio da colónia portuguesa no Brasil, porque o resto eles nem cheiro sentem.

Com todos os defeitos (e tem muitos) a Embrafilme tem à sua frente um cara como o Roberto, ou seja, um cara que abriu as portas à turma quer de direita, quer de esquerda. Áplaudidos por uns, combatidos por outros, os caras vão fazendo cinema. Coma a grana da Embrafilme tanto um Zelito Viana faz a “Morte e Vida Severina”, como um Rosemberg faz “Assuntina das Américas” (proibido no Brasil como um Rovai faz a “Viuva Virgem”. Tem muita política e politiquices no meio mas a turma faz e trabalha cinema. Quase cem por cento. E nós? Para o Mercado Comum do Filme vamos levar filmes ou politiquices?

Escuta Bicho. Faz uma superprodução baseada no folhetim TIDE e vais enriquecer em Portugal. Para “O que diz Molero” creio que escolheste o país errado. Esse país efetivamente é muito pequeno é o país do PÁ. Olha pá, escuta pá, paciência pá, aguenta pá. Eu sou o maior pá. É tudo na base do Pá. Todos se conhecem, todos se comem. É uma espécie de bastidores dos Festivais da Canção da R. T. P. Um dia, pessoalmente, te conto essa piada feita por mim antes do 25 de Abril. Hoje continua atualíssima pois as mentalidades são as mesmas. Meu caro Zé sempre gostei de fazer piadas pois não quero levar isto a sério, nem quero que me tomem a sério. Espero ir aí em breve e soltar as minhas piadas em cima das pessoas certas, ou erradas, sei lá. Como te disse sempre gostei de fazer piadas. Aqui vai uma, da qual o O. Pinto riu paca. Naqueles que antecederam a saida do Carlos Cruz da R. T. P. quando o Pinto me disse pelo telefone que ele deveria ser substituido por um cara que era crítico literário, na mesma hora eu perguntei ao Pinto se a partir daí as pessoas em Portugal, antes de ligar o botão da TV iriam cuspir no dedo.

É isso aí bicho. É tudo uma piada.

Falei agora com o Galveias. Ele me disse que o Ruy Guerra te escreveu. Manhã vou tentar falar com o Ruy. Pelo Galveias fiquei sabendo que as informações que te dou no inicio desta carta estão atuais e mesmo em função do teu telefonema nada mudou. Mal recebas a carta do Ruy responde logo pois ele está de abalada para Moçambique. O Ruy é o cara ideal para tratar dos assuntos do teu filme aqui no Rio. Para a semana vamos estar com o Roberto e estou preparando um dossier para ele com recortes de jornais. Vou anexar também uma fotocópia do teu artigo de duas páginas no “Diário de Lisboa”.

No final deste mês o Zé Manel deve estar em Lisboa e baterá um papo contigo. Tenho pena de não ir também. O Zé Manel levará a cópia dos “Demónios”.

Espero que não deixes de tomar a tua dose diária de Gabriela. Aqui, como não tivemos a fartura de filmes que vocês viram e vêm aí, como ainda temos uma censura que trabalha não com uma tesoura mas com um alicate de pontas, a turma prestigia o que de bom aparece. No momento os dois filmes que estão faturando mais no Rio (tem filas (aí dizem bichas) na porta dos cinemas) são: – “O Enigma de Kaspar Hauser” de Warner Herzog e “Derzu Uzala” de Kurosawa. Felizmente que as novelas ainda deixam sobrar muita gente para ir ao cinema. Aí acho que o esquema é outro. E o 25 de Abril vai fazer 4 anos.

A carta vai longa. Um dia a gente bate um papo. Escreve rapaz e conta coisas. Apesar dos pesares e da falta de grana a gente cá vai cantando e rindo e vivendo para os amigos.



Esse sacana só pensa em ler o Expresso. Qual é o meu papel?

O

O

O

FOTO Abraços

Reinaldo

e

Zé Manel



MERCADO COMUM SÓ O EUROPEU E MAIS NENHUM.


Não esquece Zé. Mal de malandro é pensar que todo

mundo é otário.



1977/10/14Rio de JaneiroVarela, ReynaldoCosta, José Fonseca e








1977/11/17LisboaMachete, RuiCarneiro, Francisco SáARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1978/03/93LisboaCosta, BeatrizCarneiro, Francisco SáASC
1979/04/17LisboaCarneiro, Francisco SáAmaral, Freitas do ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
1979/12/05EstorilJoão, Conde de BarcelonaCarneiro, Francisco SáARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
04.04.1980- Estoril: Carta de Adelino Amaro da Costa -Ministro da Defesa Nacional
Meu caro Vítor Crespo e Amigo:
Cumprimento-o e felicito-o pelo “projecto de lei de bases do sistema educativo” que fez distribuir na última reunião do Conselho de Ministros. É um trabalho sério e ponderado que revela muito amadurecimento.
Depreendo da nota informativa que o acompanha ser sua intenção pô-lo brevemente à discussão pública, assumindo individualmente o ónus das críticas e o mérito dos elogios que o texto venha a merecer. É nobre o seu propósito, pois nestas coisas da política são sempre mais fortes as vozes dos detractores que as dos aliados.
Da sua atitude – a ir por diante – resultará para si, certamente, mais inquietações do que conforto. Será justo que assim seja? Não seria de considerar a hipótese de fazer aprovar o documento como proposta de lei, solicitando à AR que – à semelhança do que faz, por obrigação constitucional, com as leis laborais – promovesse ela própria o debate público?
Julgo que seria de reflectir sobre esta hipótese. O Ministro da Educação poderia ir ao Parlamento, em sessão plenária, com toda a dignidade, apresentar ao País, através dos deputados, a sua proposta de lei, pedindo-lhes que se abrissem, durante um período de tempo determinado, à consideração de comentários e críticas dos interessados. Através do apoio da maioria, o Ministro não teria dificuldades em acompanhar todo o processo, seguindo-o de perto.
Ganhar-se-ia, talvez, em firmeza institucional e em participação política, sem reduzir a necessária pilotagem do Ministro da Educação, e evitando-se a montagem de estruturas administrativas complexas – e cheias de delicadeza – do tipo do antigo Secretariado da Reforma Educativa.
Seja qual for o método que o meu Amigo venha a escolher – e, a si, no fundo, compete a principal decisão – penso que seria indispensável garantir, antes do lançamento público, algumas condições que assegurassem um mínimo de solidariedade governamental e partidária ao texto publicitado por si.
Deixo-lhe, pois, estas reflexões metodológicas na sincera intenção de contribuir para o melhor sucesso da sua iniciativa.
Quanto à substância do projecto, e sem prejuízo de anteriores comentários, penso poder adiantar, desde já, algumas observações.
Parece-me correcta a intenção de se procurar construir uma “lei de bases” em termos que a coloquem num plano de consenso, alheio, tanto quanto possível, a eventuais alterações das maiorias parlamentares. Avaliando, integralmente, a intenção, considero, não obstante, que será erróneo admitir-se, com optimismo, a possibilidade de um consenso fácil.
Mesmo que se “descarnasse” a lei até limites de elasticidade muito elevada – uma lei desta natureza é,por força das coisas, e sempre, a lei de uma maioria. Tome-se um exemplo: a questão do ensino particular e cooperativo. Estará o PS de hoje disposto a manter aquilo que escassas dezenas dos seus 102 deputados votaram no passado em matéria de liberdade de ensino? Estou em crer que não. E os exemplos podiam multiplicar-se.
Daí que, para mim, a utilidade da intenção consensual reside mais nos efeitos que, com ela, se podem extrair junto do público, do que nas atitudes concretas que a Oposição parlamentar defenderá em relação ao projecto. Quanto a estas sou, em princípio, francamente pessimista e não alimento ilusões.
Por isso, e dentro de certos limites razoáveis, sustento que é útil avançar-se tanto quanto possível no sentido de fazer coincidir a ideia de lei de bases do sistema educativo com a ideia do modelo de sociedade que defendemos.
Que defendemos: nós, esta maioria eleita em nome de um modelo de sociedade.
Não penso que, para tanto, seja necessário “desfigurar” o projecto ou introduzir-lhe modificações de grande monta: apesar da referida intenção consensual, ela já aponta nesse sentido. Mas há, sobretudo, que não ficar a meio caminho. É um trabalho de equilíbrio delicado entre vectores de sentido oposto. Nalguns casos bastará, talvez, uma arrumação distinta; noutros, será preciso reforçar, explicitando, um outro conceito; noutros ainda, tornar-se-á necessária a ponderação de cortes ou acrescentos.
Sem entrar em pormenores, diria que se afigura conveniente, neste espírito, valorizar os seguintes aspectos: a liberdade de ensino e o direito dos pais à escolha do modo de educação dos filhos; a enunciação do papel educativo reconhecido à família; a dignificação do ensino particular e cooperativo; a dimensão espiritual, cívica e cultural do processo educativo; o lugar do ensino na língua, da história e da geografia portuguesas no ensino básico; a educação para a liberdade, para a criatividade e para o universalismo e o sentido pluralista da educação para a democracia.
No plano ideológico, a adequada valorização destes aspectos faria inteiro sentido à luz do modelo de sociedade que defendemos se, como parece evidente, o seu enquadramento se subordinasse às ideias-matriz da justiça social, da igualdade de oportunidades e do melhor serviço à sociedade.
Aqui lhe deixo, pois, meu Amigo, algumas observações de fundo sobre o projecto.
Duas notas mais:
O problema do ensino superior é, no plano estrutural, o mais delicado, na minha opinião. Por mim, ser favorável a que os estabelecimentos de ensino superior não universitário possam ou não dar graus de bacharel. Os Politécnicos e os I. Artísticos deviam ser centros ágeis com cursos de diversa natureza pós-secundária. Julgo que essa é a solução que melhor conviria ao País.
Por outro lado, a generalização dos mestrados e a redução do nº de anos da licenciatura deverá levar a pensar-se na equivalência de numerosas licenciaturas, actuais ou passadas, a mestrados. Uma situação poderia ser a de fazer equivaler a “mestres” os licenciados com cursos de duração mínima de 5 anos, acrescidos de defesa de tese, ou de 6º ano, ou de estágio com relatório, etç.
A segunda nota final diz respeito a “obras de forma” que talvez fossem de ponderar no texto, com recurso a linguista emérito. Não o sou, mas julgo, por exemplo, que expressões como “liderança” e outras não foram ainda absorvidas pela Academia…
Certo que interpretará nesta carta o meu sincero propósito de colaboração e lealdade, de par com o meu apreço pelo seu trabalho, e esclarecendo que deixei de lado, por ora, aquilo que mais em pormenor pode interessar directamente às Forças Armadas – o que a seu tempo será considerado – subscrevo-me com estima e um forte abraço, seu
Atº e Admºr
Adelino Amaro da Costa
1980/04/04Costa, Adelino Amaro da Crespo, VítorCORRESPONDÊNCIA VÍTOR CRESPO
1980/06/11Paris, FrançaRothschild, NathanielCarneiro, Francisco SáTimbrada do Banque RothschildARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
Los Angeles, 26 de Novembro 1980



Amigo Zé

Cá estou pelas terras americanas, muita poluição algum sol e nenhum ouro.

Tenho-me sentido optimamente por estas lados, para isso, tem contribuído o facto de cada vez gostar mais de frequentar o A. F. I.

Acabei ontem de montar o filme, tem no total 16 minutos, e é uma merda. (é longo demais e “chato”)

Passo a explicar. Nós aqui temos apenas, 3 dias para filmar e 3 dias para montar.

O problema do tempo de rodagem é parcialmente “aliviado” porque levantamos o material a uma sexta-feira à noite, assim, podemos filmar Sab. E Dom. No período de montagem, o problema não tem resolução, isto é, 3 dias a 10 horas por dia, no final, nem mais um minuto.

Assim, filmei dentro do prazo estipulado, com uma equipa de 6 pessoas (5 nacionalidades diferentes), e três actores.

A montagem também foi levada a cabo dentro do prazo, mas o filme ficou com dezasseis minutos, em vez de doze, o que o tornaria mais interessante e tenso.

Ficou aquilo que eles chamam um “inff-ent” e não o “final-ent” como seria de desejar.

Agora no dia 4 de Dezem. o filme é projectado para todos os alunos e professores.

Depois desta projecção começa o “sacrifício”, isto é, tenho que me sentar, com o produtor, frente a esta multidão, aproximadamente 60 pessoas, e ouvir as criticas.

É suposto neste “exercício” o realizador não “falar”, quero dizer, “explicar” ou “defender” o filme, toma-se por básico o princípio que todas as explicações e defesas devem estar no próprio filme.

Até agora já foram projectados 18 filmes, 11 dramas e 7 comédias, o melhor, na minha opinião, foi uma comédia.

Alguns destes filmes, são bastantes interessantes.

As criticas de um modo geral são duríssimas, ainda que, na minha opinião, são feitas de um modo extremamente construtivo e saudavel.

Evidentemente que é um bocado duro para quem está lá sentado.

O último filme que foi projectado, o realizador no final era própria imagem de abatimento, porquê? porque o tipo fez um filme de 20 minutos, e o que é facto é que ninguém percebeu nada, isto é, a história.

E os americanos quando não querem perceber, é o diabo.

Estas criticas, assim como todo o sistema didactico da A. F. I. assenta no principio, que fazer filmes é contar histórias, de gente “verdadeira”, “real” (as personagens) através de gente real (os actores) e com obrigação de atrair audiencias, enfim o classico cinema americano.

Filmes de “arte”, “intelectuais” ou de “ambiente”, desconhecem, dizem que não percebem, e que o público não gosta.

A U.S.C. tambem assenta todo o ensino de cinema nesta visão, um filme, é um “SHOW BUSINESS”, talvez possa vir a ser mais qualquer coisa, mas é depois…

O dificil aqui, a nivel de estudo, porque o mais trabalhoso é produtor. De facto, ser produtor nestas terras é só para alguns.

É suposto o produtor dominar todos os estádios, no sentido de profundo conhecedor, “script”, realização, produção, distribuição e lançamento

Este negócio aqui, tem dois pontos vitais.

O “script” onde tudo começa e distribuição onde tudo acaba (bem ou mal).

O “script” porque é a base “real” possível, a distribuição porque nenhum produtor por mais independente que seja não faz um filme ser ter contratos de distribuição com um estúdio (as grandes distribuidoras), isto é, sem ter vendido o filme, (falo como sabe de longas-metragens de ficção).

O curso de “screen writing” é interessantíssimo, mas infelizmente, não posso aproveitar completamente, porque é-me impossível escrever uma sinopse que seja, em Inglês, sem dar erros, o que seria hilariante senão trágico.

Aqui na América é difícil, um exemplo: Este ano a A.S.C. (directores de fotografia) recebem à volta de 3.000 candidaturas para novos membros, aceitaram 8.

O ritmo de trabalho é intenso, agora começo a filmar no dia 9 de Fevereiro, o que quer dizer que tenho que dar o “script” ao produtor o mais tardar 15 de Janeiro, e ainda não tenho ideia do que vou fazer.

Entretanto agora que lhe mando estas desalinhavadas e parcas noticias, mande-me noticias, aí do remansoso rincão natal. Televisões, Film — [?], espanholas (?), sócios(AH) (AH) e demais elementos da opereta.

Gostaria de ter noticias do Kilas, datas de lançamento, etc…

O filme “O outro” penso podê-lo enviá-lo até ao Natal, vou tentá-lo vê-lo aqui. Hoje estou convencido que aquilo não é exibivel, devido à sua falta de qualidade, deve ser visto apenas como um filme de “estudante”, mas como disse não voltei a ver o filme e pode ser que estas considerações sejam erradas.



Um abraço do

sempre amigo

Jorge
1980/11/26Los Angeles, EUAJorge ?Costa, José Fonseca e
1982/10/14LisboaSoares, MárioAbreu, Judite Mendes de
1984/08/15Oliveira do BairroGandra, ErnaniRECUPERAÇÃO DA SEDE DO MDP/CDE - AVEIROespólio Lbertação?
04.XI.84 – S. João do Estoril: Carta de António D’Orey Capucho
Meu Caro Prof. Victor Crespo
Agradeço as suas amáveis palavras sobre a minha eleição para a Presidência do Grupo Parlamentar. Como sempre, vou tentar cumprir, mas confesso que não estou muito optimista: o Parlamento está desprestigiado, o Governo que a maioria apoia está em pior situação, as condições de trabalho não são famosas e a equipa está longe de ser a oitava maravilha…
Quanto ao Partido… está mesmo um buraco pior do que o “orçamental”. O pior é que não é nada fácil tapá-lo ou sair dele! Para além do Rui Machete ou não há nada ou se joga contra a liderança (Ângelo, Rogério Martins e Rui A. Mendes, pelo menos, já estão com os dois pés fora, embora por razões diferentes). O Secretário Geral é permanentemente desautorizado e marginalizado pela “clarividência” do Calvão e do Eugénio Nobre.
Não se vislumbra estratégia presidencial que mereça um mínimo de consenso interno, e o próximo Conselho Nacional poderá revelar isso mesmo, provocando possivelmente uma grave crise interna com reflexos no Governo.
Mais grave que o Partido é a situação do Governo depois da “pseudo-remodelação” que se limitou a mudar uma pasta e a promover um Secretário de Estado! Ninguém de nível parece aceitar integrar este Governo.
Apesar de tudo, há um certo consenso na “sensibilidade” que não se deve “esticar a corda” já que seriam graves e imprevisíveis as consequências de uma crise governamental.
No Partido, só um “rassemblement” (tenho medo de dizer abrangência” dos homens válidos e sérios que se afastaram poderá relançar a credibilidade do PSD. Só espero não cair noutro infortunado equívoco que, envolto em sebastianismo, se foi buscar a Coimbra.
Desculpe estes desabafos, ainda por cima desordenados, que representam o estado de espírito generalizado dos que são conscientes e sérios. Apesar de tudo, continuamos a lutar persistentemente, embora com pouca convicção...
E já agora uma nota positiva, embora inexplicável: se é certo que seria normal o PS sofrer um desgaste eleitoral maior do que o nosso, não deixa de ser espantoso que a última sondagem do Semanário nos deixe incólumes ao mesmo nível de Abril de 1983! Como disse, com alguma graça, o César de Oliveira, o PSD pode ter como líder o Mota Pinto ou colocar na chefia do Partido um tronco de pinheiro que nunca baixa dos 25%! Só é pena que não consiga acreditar nem nesta tese nem nos resultados daquela sondagem.
A sua saúde? E o seu trabalho? Espero que esteja bem e que nessa estadia possa recuperar o élan de que aqui virá a ser preciso.
Um abraço amigo do
1984/10/04S. João do EstorilCapucho, AntónioCrespo, VítorCORRESPONDÊNCIA VÍTOR CRESPO
Meu caro Professor Victor Crespo
Várias pessoas me telefonaram ontem a propósito dos estudantes timorenses que em Djakarta, após terem sido libertados e antes de irem para Timor, se refugiaram na Embaixada da Holanda.
A maioria dessas pessoas queria que nos forcássemos a tomar posição pública do género “pagamos as passagens e assumimos a responsabilidade pela sua manutenção”… Eu discordo totalmente desse tipo de iniciativas públicas que mais não levariam a que a Indonésia nunca mais os deixava sair.
Que o Governo faça saber aos holandeses que se eles quiserem vir para Portugal, suportaremos as despesas e lhes asseguraremos a continuidade dos estudos parece-me correcto. Mas com a discrição que a natureza destes factos delicados exige.
Que a Comissão Parlamentar – ou o seu Presidente – sensibilize a obrigação do Governo parece-me 100% correcto.
Julgo que publicamente o que poderia ser feito era a Comissão pedir uma audiência ao Embaixador da Holanda para saber o que se passa. Isso parece-me muito correcto, até.
A razão de ser desta carta é que parto amanhã para Macau (desta vez não está prevista qualquer intervenção pró-Timor) e queria que a minha opinião fique claramente expressa.
Temo alguns nervosismos que podem prejudicar os estudantes que queremos ver connosco, e nestes 15 dias, se por acaso houver necessidade de definir posições, é em si, Prof. Victor Crespo, que delego a minha representação.
Receba com muita consideração um abraço do
1986/10/23Correia, Miguel AnacoretaCrespo, VítorCORRESPONDÊNCIA VÍTOR CRESPO
(1ª leitura)
Lisboa 15-Julho -87
Caro Amigo,
Se as bases do C.D.S. no dia do Comício, se interrogam pela ausência de Nuno Abecassis, apreciando por outro lado a presença de Morais Leitão é porque malmente [?] o apreciam e fingem confiança em si.
E nós, simples amigos chocou-nos profundamente que desajustez [sic] de ordem pessoal o tivesse levado a tal atitude?
Porque sejam quais forem os desajustes o partido é o mesmo, a doutrina é a mesma.
Não podemos acreditar que depois de tanta luta e depois de ter dado a imagem da pessoa em quem se confia possa tomar posições em relação a outros partidos que contrariam a doutrina da igreja, falamos no P.S.D. que não tomou posição contra o aborto admitindo mesmo condições para isso. O Santo Padre disse bem alto “Votar Cristão”.
Com toda a amizade, pedíamos que em consciência se continue a sentir plenamente democrata cristão e vote como tal.
Um grupo de amigos,
1987/07/15LisboaUm grupo de amigosAbecassis, Nuno Krus
texto1989/06LisboaFerreira, Armando HasseBarroso, Alfredo
1990Trovoada, MiguelSoares, JoãoPAPÉIS DE JOÃO SOARES Carta de Miguel Trovoada em vésperas de ser Presidente de S.Tomé e Príncipe, 1990
(1ª leitura)
Secrétariat National
FORCES NOUVELLES forces nouvelles
OLIVIER MATHIEU
ECRIVAIN
10, rue des Pyramides
F-75001 – PARIS (France)

Bruxelles, le 18/10/1990
Cher ami,
Je n’ai pas encore reçu ta lettre, mais je tiens à te remercier pour tes coups de téléphone en Belgique. Je ne te connais pas personnellement, mais je sais que tu es un ami de mon cher Daniel Gilson, et je crois deviner en toi un homme de qualité.
Je regrette fort ton absence à ma conférence du 26 octobre 1990, mais tu dois absolument rester auprès de tes parents malades. J’ai moi-Même perdu ma mère, le 12 août 1988, d’un cancer du pancréas. Elle est morte après trois mois de paralysie et d’agonie. Et je souhaite de tout mon cœur que la santé de tes parents s’améliore. Je suis près de toi par la pensée.
En ce qui me concerne, les juifs me font un procès le 19 octobre 1990, à Paris, et le 14 novembre 1990 à Bruxelles. Je ne possède pas de domicile fixe, et je n’ai ni salaire, ni chômage, ni sécurité sociale. Après avoir quitté la Belgique, je ne sais pas où je pourrai aller rédiger mon prochain livre. Mais tu pourras m’écrire à cette adresse:
OLIVIER MATHIEU
ECRIVAIN
10, rue des Pyramides
F-75001 – PARIS (France)
Mon visage est extrêmement connu en France, et je risque une agression, et peut-être un assassinat. Je t’envoie quelques documents qui t’expliqueront mieux ma situation. Heureusement, tu les liras facilement, puisque tu
FORCES NOUVELLES 104Bd E. Bockstael 1020 Bruxelles Tél. 426.72.02



Secrétariat National
FORCES NOUVELLES forces nouvelles
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parles parfaitement le français.
Le Portugal est un des pays d’Europe où j’ai le moins de contacts avec les milieux nationaux-
-socialistes et révisionnistes. Je voudrais que tu transmettes mes meilleures amitiés à tous tes camarades portugais, que j’espère rencontrer un jour.
Je pense que tu as vu des cassettes de mon passage, le 6-2-90, à l’émission « Ciel, mon mardi », sur TF1, la première chaîne de télévision française. Si tu reçois TF1, au Portugal, tu me verras au mois de décembre dans une émission du juif Serge Moati sur l’antisémitisme.
Je tâcherai de rester en contact avec toi, mais je ne sais pas où m’entraînera mon errance, ni quel sera mon sort. Même à l’extrême-droite, je suscite souvent des jalousies, et mes idées sont jugées trop dures par beaucoup…
Crois en toute mon amitié.
Olivier Mathieu
P.S. Les 11 et 12 novembre, je serai à Malaga.
Deux jours plus tard, ce sera mon procès à Bruxelles (je risque deux ans de prison).
FORCES NOUVELLES 104Bd E. Bockstael 1020 Bruxelles Tél. 426.72.02
1990/10/18BruxelasMathieu, OlivierJ.M.F.
“ Não posso deixar de comunicar a V.Exª alguns factos insólitos de que tive conhecimento na passada semana, envolvendo um jornalista que afirma ser do vosso semanário, e que me fizeram lembrar atitudes de tipo policial do passado que eu julgava incompatíveis com a democracia em que vivemos.
Um pedreiro, que foi encarregado de umas obras de reparação e remodelação que minha mulher e eu decidimos efectuar no andar onde moramos há 27 anos, fez chegar ao nosso conhecimento que anda a ser perseguido por um jornalista de nome João Ramos de Almeida, que diz pertencer ao Expresso, inquirindo-o sobre os trabalhos que realizou e o que viu na nossa casa. Mais acrescentou que o referido jornalista anda também a interrogar os fornecedores onde foram comprados os materiais utilizados nas obras e que uma vez se terá mesmo apresentado como sendo da Polícia Judiciária.
Mas, Sr. Director. O insólito inquérito “policial” não fica por aqui. O referido jornalista passou seguidamente a inquirir um arquitecto das minhas relações familiares, a quem a minha mulher pediu que fizesse as plantas a apresentar à Câmara Municipal de Lisboa, sobre as pequenas obras a realizar na casa, para que tudo se processasse numa legalidade exemplar. Mais uma vez queria o jornalista ser informado de tudo sobre a nossa casa.
Mas verdadeiramente estupefacto ficou o arquitecto quando o jornalista lhe disse que ele não devia surpreender-se com as perguntas porque em França até já tinham sido presos três ministros, “por coisas como estas”.
Chegado aqui, Sr. Director, e estando certo que V. Exª é estranho a esta insólita perseguição “policial”, não posso deixar de lhe expressar o meu mais veemente protesto. Há limites para tudo. Em democracia tem que haver limites para a perseguição à vida privada dos cidadãos.
Será que a minha mulher, lá por eu ser Primeiro Ministro, não pode remodelar e reparar a casa de banho da nossa casa? Será que não pode mandar fechar a varanda? Sendo certo que nunca ficámos a dever nada a ninguém.
Estando certo que não é este o tipo de jornalismo que V. Exª defende, permita-me este desabafo, que é também um grito de indignação. “
1994/11/21Silva, Aníbal CavacoSaraiva, José António 21.11.94 – Carta do Primeiro Ministro dirigida ao Director do Expresso - Arquitecto José António Saraiva
“ Relativamente ao seu fax de 21.11.94, a Dra. Maria Cavaco Silva, que tratou do assunto a que ela se refere, pede-me que lhe responda não tem nada que lhe revelar quanto pagou na reparação e na remodelação das casas de banho, no fechar da varanda e na eliminação de uma parede de um quarto na sua casa, na Travessa do Possolo, porque também nunca perguntou a nenhum jornalista quanto é que gastou na última reparação do seu automóvel ou n última vez que foi ao alfaiate. “
1994/11/23Lima, FernandoVieira, Joaquim23.11.94 – Carta de Fernando Lima - Assessor de Imprensa do Primeiro Ministro, dirigida a Joaquim Vieira -Redactor Principal do Expresso:
“ No passado dia 21 do corrente enviei a V. Exa. Um fax solicitando que se dignasse informar este jornal do valor total pago pelas obras realizadas na residência particular de V. Exa. Em Lisboa, há cerca de um ano.
Em resposta, recebi, com data de 23, uma carta do Exmº Sr. Fernando Lima, assessor de Imprensa de V. Exa., em que considera: “A Dra. Maria Cavaco Silva, que tratou do assunto (relativo ao fax), pede-me que lhe responda que não tem nada que lhe revelar quanto pagou na reparação e na remodelação (…), porque também nunca perguntou a nenhum jornalista quanto é que gastou na última reparação do seu automóvel ou na última que foi ao alfaiate.”
Com todo o respeito, permita-me V. Exa. Que apresente a minha profunda discordância pelo que anteriormente é afirmado. Numa sociedade democrática, não se pode, com efeito, fazer equivaler um jornalista a um político para efeitos de avaliação da transparência das respectivas acções.
Acontece que um político se apresenta regularmente aos cidadãos, se sujeita ao seu escrutínio eleitoral e, quando eleito (como é o caso de V. Exa.), exerce uma função de administração da «res pública» (seja ela física, cultural ou espiritual) que determina o presente e o futuro da comunidade.
Naturalmente, daí decorre o interesse dos cidadãos em observar se o comportamento desse político está de acordo com os princípios éticos que ele apregoa e com as regras de rigor a que se deve obrigar qualquer titular de cargo público.
Esta é a grande diferença com o jornalista, que, embora exercendo uma função de responsabilidade social, não gere património público nem tem necessidade de prestar contas perante quem o elegeu, pela simples razão de que não é eleito.
Por esta razão, o político encontra-se mais exposto do que o jornalista ao interesse noticioso da comunidade, exercido ao abrigo do direito constitucional de informação e da liberdade de imprensa. É certo que determinadas informações sobre a vida das pessoas não importam ao público quando se trata de jornalistas, mas já importam quando se trata de políticos.
Gostaria, a este propósito, de mencionar como exemplo a recente revelação pelo “Expresso” de uma alegada evasão fiscal que teria sido praticada por um dirigente político português.
Certamente que se trata de uma informação da maior relevância para os filiados do partido desse político, para o seu potencial eleitorado e para os cidadãos de uma maneira geral. Seria pois descabido esse político protestar contra uma suposta invasão da sua privacidade e, muito mais, contra um presumível atentado ao seu direito de personalidade.
Creia Sr. Primeiro Ministro que ao colocar a questão contida no meu fax não me motivou qualquer curiosidade gratuita ou extemporânea por um detalhe irrelevante da vida privada de V. Exa., muito menos um sentimento persecutório seja de que natureza for. Muito simplesmente, sucede que, através de vias de informação que reputamos fidedignas, se suscitou dúvidas acerca da regularidade do processo das obras na residência de V. Exa..
Eram essas dúvidas que muito gostaríamos de esclarecer, pois não ficaríamos bem com a nossa consciência profissional e o nosso dever de jornalistas se o não fizéssemos.
Aguardarei, por conseguinte, que o Sr. Primeiro Ministro se digne providenciar no sentido de me ser dada resposta à questão que formulei no faz do dia 21.
Aproveito a ocasião para solicitar a V. Exa. Que transmita à Sra. Dra. Maria Cavaco Silva a minha disponibilidade para lhe revelar o rol integral das despesas feitas com a minha viatura e com o meu alfaiate, caso sinta curiosidade em as conhecer.
Com os protestos da minha mais elevada consideração. “
1994/11/25Vieira, JoaquimSilva, Aníbal Cavaco25.11.94 – Carta de Joaquim Vieira Redactor Principal do Expresso, dirigida ao Primeiro Ministro:
“ Encarrega-me a Dra. Maria Cavaco Silva de lhe transmitir que não tem nada a acrescentar à resposta que já deu e considera inadmissível que V. Exa., em carta que dirigiu ao seu marido, se atreva a insinuar que cometeu qualquer irregularidade. Pagou todas as compras que fez, todas as contas que lhe foram apresentadas, não ficou a dever nada a ninguém.
Sobre este assunto, junto uma cópia da carta que no passado dia 21 de Novembro de 1994 foi dirigida ao Director do “Expresso”- “
1994/12/09Lima, FernandoVieira, Joaquim09.12.94 – Carta de Fernando Lima, dirigida a Joaquim Vieira:
“ Dirijo-me a Vossa Excelência para lhe solicitar que, pela forma julgada adequada, leve ao conhecimento dos Senhores Presidentes dos Grupos Parlamentares o dossier anexo, constituído pelas cópias das cartas que eu ou o meu gabinete trocaram com responsáveis do Expresso sobre obras de remodelação que estão a decorrer na minha residência particular, sob a direcção e acompanhamento de minha mulher.
Ao dirigir-me aos líderes dos Grupos Parlamentares do órgão superior da representatividade democrática do nosso sistema político, visto tão só dar conta da minha preocupação e suscitar uma reflexão por parte dos representantes do povo sobre a dimensão e amplitude da esfera de privacidade dos familiares dos agentes políticos.
Com efeito e conforme descrito nos documentos anexos, reforçado por ocorrências posteriores à correspondência trocada, os métodos usados e as situações criadas a minha mulher e às pessoas que acederam a prestar serviços e fornecer bens no quadro da sua vida profissional própria, são a meu ver intoleráveis e constituem em si mesmo violações de direitos fundamentais.
A manter-se esta nova cultura de actuação por parte de alguns elementos da comunicação social, não andará longe o dia em que para o acto mais comezinho do quotidiano de cada um, não haja quem aceite fornecer bens ou prestar serviços a familiares de políticos.
Os familiares de políticos têm direito à reserva de um espaço de existência próprio.
A situação descrita é apenas um exemplo dos muitos de que tenho conhecimento directo por envolverem familiares meus, mas que infelizmente são generalizáveis a muitas outras pessoas que veem assim o seu bom nome e os seus direitos fundamentais penalizados de forma que se me afigura ilegítima.
Creia, Senhor Presidente, que o propósito que me move ao tomar esta iniciativa tem naturalmente a ver comigo próprio e com a minha família, mas tem sobretudo a ver com a nossa democracia e com o interesse nacional.
Sei que assim serei entendido. “
1995/01/05Silva, Aníbal CavacoMelo, Barbosa de 05.01.95 – Carta do Primeiro Ministro - Aníbal Cavaco Silva, dirigida ao Presidente da Assembleia da República - Prof. Doutor António Moreira Barbosa de Melo:
2000/03/01Savimbi, Jonas MalheiroJoão SoaresUNITAPAPÉIS DE JOÃO SOARES - CORRESPONDÊNCIA
2001/02/02Gouveia, Teresa Patrício João SoaresPAPÉIS DE JOÃO SOARES - CORRESPONDÊNCIA
2001/02/16LazaroteSramago, JoséJoão SoaresPAPÉIS DE JOÃO SOARES - CORRESPONDÊNCIA
2001/10/04Costa, João Bénard da João SoaresCINEMATECA NACIONALPAPÉIS DE JOÃO SOARES - CORRESPONDÊNCIA
2005/04/27Letria, José Jorge João SoaresPSPAPÉIS DE JOÃO SOARES - CORRESPONDÊNCIA
19600/6/10Rio de Janeiro, BrasilSarah Cesar Borba/Rio de JaneiroGalvão, HenriqueInforma??es sobre a actividade de membros da oposi??o no Rio de Janeiro e solicitando a presen?a de H.Galv?oCOPIADOR DE GALVÃO NA VENEZUELA


s.d.Gomes, António LuízFernandes, Arnaldo ConstantinoESPÓLIO DE ARNALDO CONSTANTINO FERNANDES
s.d.PenicheNogueira, Luís (Preso político caserna do Forte de Peniche)Silva, Ribeiro da Viana do Castelo
?
s.d.CubaCrespoSilva, Ribeiro da
s.d.Figueira da FozPinto, MaurícioAndrade, Judite
s.d.FafeCarmona, Ivone
s.d.LisboaMorais, Tito de Carmona, Ivone
s.d.LisboaBalsemãoGomes, Costa Telegrama sobre o reconhecimento do governo do Cambodja.ARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá
Amalia Rodrigues
Rua S. Bento, 193
Lisboa Portugal

Gostei muito das suas flores Senhor Primeiro Ministro e agradeço-lhas de todo o coração, pedindo desculpa pela demora que só a minha vida de cigana justifica!
Amália Rodrigues
s.d.Rodrigues, AmáliaCarneiro, Francisco SáARQUIVO - CARNEIRO, Francisco Sá