A mais importante notícia dos últimos anos para o ARQUIVO / BIBLIOTECA é a que posso dar hoje: espaço, muito mais espaço, pouco a pouco, mas seguro. O primeiro espaço em condições de ser ocupado no novo edifício (antiga escola / quartel da GNR / Junta de Freguesia) começou a sê-lo ontem e continuará todo este fim de semana. É apenas uma pequena área, mas com um grande pé direito (quase 4 metros), pelo que oferece uma grande espaço para arrumação. Hoje já estão praticamente cheias duas estantes, e, ao fim do dia, estará todo ocupado – a Natureza tem horror ao vácuo, e livros e papéis são da essência da Natureza.
Para esta sala de armazenamento (que, tanto quanto se sabe, sempre o foi nas diversas encarnações do edifício) estão a ir os arquivos, espólios, papéis. Não caberão todos, mas pelo menos os de menor dimensão podem ficar aqui acomodados. Já estão lá os papéis de Maurício Pinto, Joaquim Barros de Sousa, José Borrego, Teresa Leitão de Barros, Maria José Abrunhosa, documentos da Censura (livros e espectáculos), José Carlos Ferreira de Almeida, Maria de Lurdes Belchior, Damião Peres, de vários altos funcionários corporativos e de alguns propagandistas do Estado Novo, parte do Núcleo da Família Pacheco Pereira, etc., etc. Uma lista mais detalhada será feita hoje, e passará para um página permanente no EPHEMERA, o que significa que estes arquivos estarão depois de Setembro (?) em condições de serem consultados. Até agora não tem sido possível permitir o acesso, pelas condições de sobrecarga do espaço.
Os arquivistas profissionais anotarão e bem que os materiais (caixas, por exemplo) não correspondem aos critérios de um arquivo profissional. É verdade, há caixas de todo o tipo e uma representação considerável de caixas de frutas oferecidas amavelmente pelo dono do mini mercado local. Mas com o tempo poder-se-á melhorar, havendo recursos. De qualquer modo, o controlo da temperatura e humidade relativa e das infestações de insectos está assegurado, pelo que penso os papéis podem manter-se em bom estado muitos anos, até haver outras condições.
A seguir serão ocupados mais dois espaços, um dos quais o antigo gabinete do oficial de dia, e mais tarde a antiga sala muito ampla da escola masculina (as meninas iam para o andar de cima, que ainda não está recuperado). Para esses espaços irá a literatura portuguesa, permitindo ganhar muitos metros de estante nos edifícios mais antigos para os livros relativos à história e política mundiais (de Espanha à Antárctida) que estão superlotados. Depois transitará o arquivo por entidade emissora, libertando espaço para os periódicos. Uma parte da colecção de cartazes, bandeiras, faixas e objectos também transitará.
Esta estabilização, que o espaço pode trazer, permitirá melhorar a política de aquisições, acolher as ofertas, permitir um mais fácil acesso a investigadores in situ, e desenvolver alguns projectos editoriais e outros (exposições, etc) , com os amigos do EPHEMERA (por exemplo os que mantém a página do Facebook) e os múltiplos voluntários que tem ajudado a crescer este ARQUIVO / BIBLIOTECA, único em Portugal. Entre as soluções a estudar para projectos específicos poder-se-á colocar a hipótese do crowdfunding.
O andar térreo, se tudo correr como esperado, ficará em condições plenas até Setembro, o andar de cima ainda não sei, mas o edifício será exclusivamente dedicado ao ARQUIVO / BIBLIOTECA . Depois começará a saga da institucionalização, para que este espólio privado possa ficar ao serviço de todos e deixe de ser minha propriedade. Será uma saga porque a actual legislação é completamente desapropriada e dá poderes de interferência total, por exemplo, ao Primeiro-ministro em funções. Como eu não quero um tostão do estado (tudo isto está a ser feito com o meu dinheiro e não é dedutível em nada), mas apenas condições para assegurar a sua preservação e continuidade, terá que se encontrar uma solução.



Que estupendo acto de CIDADANIA!