Maria José Moura (1937-2018) morreu há alguns dias. Uma das raras “cunhas” públicas que fiz num artigo, sem ela saber e com sua surpresa, foi pedir que dessem o seu nome a uma bilbioteca pública, ela que as fizera quase todas. A resposta foi envergonhada, colocaram-lhe uma placa na Biblioteca das Galveias, mas não deram o seu nome a nenhuma bilbioteca. Ainda hoje estou para perceber porquê, a não ser o paroquialismo de autarcas que querem lá colocar a sua marca, muitas vezes igualmente paroquial, e não um nome “estranho”. Ainda se vai a tempo, visto que a morte costuma incitar a celebrações que deveriam ser em vida, tão merecida que esta é.
Maria José Moura conheceu bem o Ephemera e foi por sua iniciativa que foi dada uma das primeiras entrevistas sobre o nosso trabalho aos Cadernos BAD.
Texto da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas no facebook:
Faleceu hoje Maria José Moura. Com ela, desapareceu um dos últimos fundadores da Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD).
Há poucos dias realizámos o 13.º Congresso BAD, no Fundão. Durante as sessões, nos corredores e nos momentos mais informais o seu nome era pronunciado e a sua falta notada. Foi o primeiro Congresso a que a associada n.º 12 faltou. Foi o Congresso em que, ausente, foi aplaudida de pé por todos os congressistas.
Esta ausência tão presente de Maria José Moura é o corolário de uma vida inteiramente dedicada à causa das bibliotecas, ao reconhecimento e valorização dos seus profissionais, e à defesa do associativismo.
É com pesar e tristeza que escrevemos estas palavras, mas também com a certeza de que o legado deixado deve ser – vai ser – continuado.
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Não me lembro de Maria José Moura assim, como está na fotografia, claro está. A imagem é de 1972. Conheci-a em 1986, quando a Câmara de Moura candidatou para financiamento o projeto de ampliação da biblioteca municipal. O contrato seria assinado em finais de 1987.
Recordarei, sobretudo, o convicto combate que manteve em prol da Leitura Pública. E o seu trabalho naquela que foi a mais importante revolução cultural feita do nosso País no século XX. Protagonistas? Teresa Patrício Gouveia, José Afonso Furtado, Teresa Calçada, Ana Paula Gordo, Joaquim Portilheiro e Maria José Moura. O País deve imenso, sem o saber, a Maria José Moura. É isso que é importante reter. (Avenida da Saluquia 34)
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