
(Desenho para uma série publicitária da British Industry Fair (BIF), 1952)
O ARQUIVO EPHEMERA recebe todos os dias uma enorme quantidade de documentação, a que se somam várias aquisições. Em muitos casos, manuscritos, cartas, notas, cadernos, fotografias , iconografia, recibos, objectos, etc. tornam-se muito difíceis de organizar por duas razões: uma, é a indeterminação da origem e autoria; outra o grau de dispersão de muitos itens que são muitas vezes únicos e incomuns. Para além disso é um arquivo pouco convencional, com uma grande quantidade daquilo que se classifica habitualmente como “efemera”.
A classificação de “vários” é talvez a mais sinistra num arquivo, mas ao mesmo tempo é impossível abrir uma pasta para cada categoria quando se consegue encontrar uma categoria. Este problema é comum a vários arquivos que lidam de forma diferente com este tipo de materiais, mas é ainda mais grave num arquivo “omnivoro” como é o EPHEMERA. A consulta, mesmo em grandes arquivos internacionais, revela o mesmo tipo de dificuldades, – não é possível organizar “tudo”.
Aqui vão alguns exemplos:
Nem todos são o que parecem. Por exemplo, o caderno com o título de Lausanne é um caderno escolar com um longo manuscrito intercalado por recortes colados sobre a cidade. Os recortes racistas anti-bolcheviques tem origem na propaganda nazi, mas são publicados por um jornal português sem indicação de qual, nem a data. E por aí adiante.
A questão não está tanto em não se poder identificar a tipologia de cada item, está mais na forma como são guardados e na necessária rapidez com que são tratados. A solução que se tem encontrado é fazer uma espécie de “miscelânia” agrupando estes documentos dispersos em pastas grossas (neste momento há cerca de 50, cada uma com entre 10 e 20 itens), com um inventário para cada pasta, com os documentos mais importantes digitalizados e organizados em bases de dados com as categorias comuns a essas bases, principalmente BIO-ORG-GEO-EVENTOS, para além da data real ou presumida, e uma tipologia sobre a sua natureza, uma carta, um bloco de notas, um desenho, um recorte, a capa de um rebuçado com slogans eleitorais, Por regra, não se inclui nada nestas pastas que possa ser organizado por entidade emissora, ou qualquer periódico ou seriado, mas já é mais difícil quando temos um panfleto anotado à mão.
Este sistema não é o ideal, mas nenhuma informação é perdida e é fácil localizar qualquer item. No entanto, estamos abertos a sugestões dos nossos amigos arquivistas ou com experiência de arquivo, para melhorar, tendo sempre em conta que estamos a falar de muitos milhares de itens, alguns dos quais os arquivos tradicionais não guardam.
Seja o primeiro a comentar