FOTOGRAFIAS E OUTROS MATERIAIS DO PROGRAMA CONJUNTO DA ASSOCIAÇÃO CULTURAL EPHEMERA E DA CÂMARA MUNICIPAL DE S. COMBA DÃO NO DIA 28 DE FEVEREIRO DE 2025

EXCURSÃO DOS AMIGOS E VOLUNTÁRIOS DO EPHEMERA A S.COMBA DÃO

SESSÃO CONJUNTA E ASSINATURA DO PROTOCOLO DO CENTRO INTERPRETATIVO DO ESTADO NOVO – REGIME E RESISTÊNCIA

INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA CM DE S. COMBA DÃO
Exmos. Srs.
Este é o momento que há muito esperávamos, o passo determinante para a concretização do Centro Interpretativo de Estado Novo.
Finalmente, este projeto – que já teve tantas etiquetas e rótulos – encontra um caminho sem retorno. Apraz-me, neste sentido, dizer que a autarquia encontrou na Associação Cultural Ephemera, na pessoa do Dr. José Pacheco Pereira, o parceiro ideal para levar a bom porto este empreendimento.
Com uma história feita de avanços e recuos, o Centro Interpretativo do Estado Novo, a instalar na Escola Cantina Salazar, será o que sempre pretendemos: um baluarte do conhecimento, da cultura, da educação e da história, que dará a conhecer toda uma época e a sua contextualização… o regime e a resistência, de 1926 a 1974.
O projeto do Centro Interpretativo do Estado Novo nunca foi nem nunca será um Museu Salazar, um santuário de e para saudosistas…
Alicerçado em fortes bases científicas, o Centro servirá o conhecimento da história e a memória do que fomos – regime e resistência. Surge, neste contexto, como um posto avançado para a investigação, preservação e divulgação da memória documental e patrimonial de 48 anos de ditadura.
Pretendemos deixar um legado à nossa geração e às gerações futuras! Queremos mostrar-lhes a voz que emana nas diferentes memórias da ditadura – do regime e da resistência – educando para a democracia e liberdade.
Criar conhecimento, formar cidadãos informados e fomentar a investigação sobre a época do Estado Novo estão entre os principais objetivos do Centro Interpretativo. O primeiro passo desta jornada está já em marcha, com a organização de uma biblioteca especializada sobre a época e a constituição de uma Comissão Científica que definirá, com base nos materiais existentes, as linhas gerais do conteúdo e de funcionamento do projeto.
O Centro Interpretativo ficará instalado na Escola Cantina Salazar – um edifício modelo do regime e por si só uma memória robusta desse período, mandada construir por Salazar na sua terra natal. A Escola Cantina serviu os objetivos da doutrina e foi albergue temporário para agentes da Polícia Internacional e de Defesa do Estado.
Esta bandeira da propaganda do Estado Novo, vai ser agora transformada – como sempre quisemos – num espaço de celebração da democracia, num espaço que vai dar voz às memórias do regime e da resistência, pois só assim teremos futuro enquanto povo. É com essa convicção que abraçamos, desde o início, esta cooperação com a Associação Cultural Ephemera, expressa no protocolo que hoje assinamos.
Estamos convictos que encontrámos um parceiro talhado à medida para dar voz às memórias do Estado Novo, para valorizar a história e o património do regime e da resistência. Através deste protocolo, a Ephemera assumirá, com autonomia, a direção e a coordenação científica, do projeto de criação e funcionamento do Centro Interpretativo do Estado Novo 1926/1974 –Regime e Resistência.
Não obstante a autonomia científica confiada à Ephemera, a autarquia assegurará
responsabilidades logísticas, funcionais e de recursos do equipamento e participará nas diferentes fases que compreendem o plano de execução e de implementação de todo o projeto.
Conhecer o Estado Novo (a mais longa ditadura da europa 1926/1974 (com excepção da URSS) e os movimentos de resistência que se lhe opuseram, estudar os seus impactos e importância no que somos hoje como povo é de fundamental importância. Situar em Santa Comba Dão, terra de nascimento de Salazar este espaço não é, contrariamente ao que se diz, um problema. Até porque a região está cheia de exemplos de lutas de resistência ao Estado Novo (Aristides de Sousa Mendes, Tomaz da Fonseca, Flausino Torres, etc…) que terão aqui o seu espaço, de divulgação e estudo. Não se fará nenhum espaço de glorificação, mas sim um espaço de conhecimento tirando partido da história como bússola para orientar o nosso caminho futuro. Queremos associar este espaço a outros que existem e venham a existir no território, para reforçar o conhecimento deste período da nossa história colectiva.
Um projeto que finalmente encontra um caminho alinhado, em todos os sentidos, com aquele que sempre foi o objetivo deste Município: fazer da Escola Cantina Salazar um espaço de aprofundamento da cultura democrática, mostrando a todos e, especialmente aos mais novos, o regime que fomos e a resistência que lhe foi feita.

Para que a história não se repita, nem se reinvente…

MOSTRA DE MATERIAIS DO ARQUIVO EPHEMERA RELATIVOS AO ESTADO NOVO

VIAGEM NO CARRO DE SALAZAR USADO NA FUGA DE CAXIAS DE PRESOS DO PCP

VISITA À ESCOLA

1 Comment

  1. Ao contrário do que hoje ouvi na televisão, a Escola Cantina Salazar, do Vimieiro, não foi construída pelo Estado, mas pelos amigos de Salazar do seu tempo de Coimbra, com o Dr. Bissaia Barreto à frente do grupo.
    Era uma escola como, ao tempo, não havia outra, com instalações próprias para cantina, sala de professores com piano e um grande ginásio. Este não era utilizado para as aulas de educação física dos alunos, mas para albergar os elementos da GNR que ali viviam em beliches, cozinhando as próprias refeições, para vigia e segurança durante os dias em que Salazar permanecia na sua casa e se deslocava, normalmente a pé, para a sua quinta de Óvoa.
    Em 2 de março de 2005

Leave a Reply