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Em 2009, fui contactado por Conceição Monteiro que me perguntou “se eu queria uns papéis de Sá Carneiro”. Disse logo que sim, convencido que era uma pasta ou duas. Quando fui pela primeira vez a casa onde se encontrava o Espólio verifiquei que era o seu arquivo pessoal contendo documentos fundamentais sobre a história da democracia portuguesa, do PSD, e dos governos da AD, centrados na figura de Francisco Sá Carneiro, desde a década de 70, ainda em ditadura, até à sua morte em 1980. Conceição Monteiro, uma personalidade fundamental da história do PSD, quer como secretária pessoal de Sá Carneiro, militante, dirigente partidária e deputada, acompanhou de perto todo o processo de fundação do partido e os anos difíceis da sua implantação e afirmação na vida política nacional. Nesse contexto de dificuldades, instabilidade e risco, Francisco Sá Carneiro confiou a Conceição Monteiro muito do seu próprio arquivo pessoal, que esta organizou e classificou, permanecendo “escondido”. O arquivo doado representa cerca de 12 metros lineares de documentação, quase toda organizada em pastas de arquivo e em pastas por assunto, havendo apenas uma muito pequena parte que se encontrava dispersa, coincidindo com a data da sua morte, uns dias antes, uns dias depois. A exposição que vamos inaugurar é também uma homenagem mais que merecida a Conceição Monteiro que, para a sua preparação, ofereceu mais materiais que não estavam incluídos na entrega inicial, e que vão melhorar o conhecimento da acção de Sá Carneiro e os primeiros tempos do PPD. Num momento em que os partidos não cuidam da sua memória, no caso do PSD foi a atitude de alguns dos seus militantes fundadores, e eles próprios testemunhas directas de muitos acontecimentos, que permitiu conhecer melhor a história portuguesa dos últimos 50 anos. Tem, por isso, todo o sentido que a CM do Porto e o seu Presidente Rui Moreira, tenham incluido esta exposição nas comemorações do aniversário do 25 de Abril.
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