ENTRADA: PAPÉIS DE MARIA JOSÉ ABRUNHOSA

Agradeço a Sérgio Gamelas a oferta do arquivo e dos papéis de Maria José Abrunhosa, que deram entrada no ARQUIVO / BIBLIOTECA e que permanecerão num espólio separado. Maria José Abrunhosa,  enquanto  estudante de arquitectura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, foi uma  militante muito activa no movimento associativo do Porto, participante nas actividades do grupo estudantil “Por um Ensino ao Serviço do Povo”, e foi dirigente no Norte da UEC(ML) onde usava o pseudónimo de “Saúl”. Durante os anos da sua militância estudantil e política escreveu vários textos publicados anonimamente, e foi uma das principais ilustradoras de panfletos, listas e cartazes publicados nos anos setenta (veja-se a nota que publiquei em 2008 sobre a “iconografia esquerdista portuguesa“). Amadora (com Sérgio Gamelas) da fotografia, a eles se deve um vasto conjunto de fotografias que documentam muitos aspectos da vida militante antes e depois do 25 de Abril.

Almoço no “campo de férias” de S. Martinho, Trás-os-Montes, fachada da reunião que unificou a nível nacional o sector “Por um Ensino ao Serviço do Povo” no movimento estudantil.

Já formada em Arquitectura, depois do 25 de Abril, participou nas actividades do jornal A Verdade, no Partido de Unidade Popular (PUP) e no PCP(ML) e nas actividades políticas associadas com estas organizações, como foi o caso da ASSOCIAÇÃO DE AMIZADE PORTUGAL – CHINA – ALBÂNIA (ver também FOTOGRAFIAS DA EXPOSIÇÃO DA AAPCA EM ERMESINDE (JUNHO DE 1974)) . Foi igualmente uma participante muito activa no movimento SAAL e nas Comissões de Moradores , com destaque para a Associação de Moradores da Bouça.  Veio a  afastar-se do PCP(ML) em 1975, durante o processo de dissolução da organização e integração na UDP e mais tarde na constituição do PCP(R).

Maria José  Abrunhosa foi então exercer a sua actividade profissional  para a Guarda, primeiro como arquitecta do quadro da Câmara Municipal e depois como profissional liberal nos anos 80 e 90. São de sua autoria vários projectos de construção e recuperação, de requalificação urbana e equipamentos, planos de ordenamento, urbanização e de reabilitação urbana. Na Guarda, teve um papel activo no debate público, com uma coluna de opinião no jornal Terras da Beira desde 1997, onde foi uma voz activa contra a corrupção autárquica. Continuou sempre a desenhar, ilustrando, entre outras temas, os contos populares portugueses.

Depois da sua morte, em 1999, foi erguido no concelho da Guarda um pequeno monumento em sua memória, comemorando a sua actuação como arquitecta, mas, acima de tudo, lembrando a sua intervenção cívica local.

Cartaz que servia de “emblema” ao grupo estudantil “Por um Ensino ao Serviço do Povo” no Norte do país e de autoria de Maria José Abrunhosa.

Pastas do arquivo decoradas e com desenhos.
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O arquivo e papéis  de Maria José Abrunhosa foram deixados  organizados pela sua “autora” num conjunto de pastas contendo comunicados, panfletos, programas, jornais, e manuscritos. Entre essas pastas encontram-se algumas classificadas como:
Agricultura
Apontamentos de Reuniões (manuscritos)
Comissões de Moradores (incluindo uma colecção de jornais das associações de Moradores e um dossier sobre a Associação de Moradores da Bouça)
Documentos Políticos – PS, PSD, CDS
“Documentos e Processos Relativos a Ex-militantes do PCP(ML) e CMLP”
Economia
Jornais e documentos sindicais
Lutas sindicais
LCI / PRP / MES documentos
MES / PRP / FUR / FSP / LCI / PRT
MRPP
PCP
PCP(R)
Sindicatos / Comissões de Trabalhadores
A Verdade
UCRP(ML)
UCRP(ML) – Comunicados
UCRP(ML) . jornais de célula, documentos
e vários  outras contendo papéis “revisionistas” (UEC, etc.),  publicações marxistas-leninistas estrangeiras, jornais sobre agricultura,  etc. São cerca de 1.50 metros lineares, organizados em caixas de arquivo contendo as pastas. Os materiais deste espólio irão sendo publicados ou em pastas próprias ou em pastas de organizações já abertas, à medida que for digitalizado o seu conteúdo.

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