ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS DA FAMÍLIA LARDIZÁBAL (?) 1900-1920

Este álbum de fotografias, guardadas num álbum originariamente destinado a postais, encontrava-se entre os papéis familiares, embora desconheça as razões de como aí foi parar. É possível que alguma das minhas tias-avós que viveram ou viajaram em Espanha nesta época, quer Helena, quer Rosário (que foi religiosa Doroteia e enfermeira de guerra), tivessem relações de amizade com a jovem organizadora do álbum ou a sua família. O facto de a  capa do álbum ser em português, e de não haver dúvidas de que as fotografias foram lá originalmente montadas, mostra que deve ter sido realizado em Portugal, embora as fotos sejam tiradas em Espanha e em França.

A maioria das fotografias, cuidadosamente legendadas, dizem respeito a familiares da família Lardizábal, cujos membros no início do século viviam  entre o país basco espanhol e francês. O facto de haver muito poucas pessoas de meia idade ou idosos, mostra que a sua autora ou pelo menos a organizadora das legendas era bastante jovem e o facto de aceder a equipamento fotográfico, bem como o  número de fotos, mostra aquilo que as fotografias também revelam, a sua pertença a uma família abastada, com relações com a nobreza europeia. Aliás, uma das fotografias reproduzidas revela essas relações: nela estão retratados os Infantes José e  Luís, filhos de Fernando da Baviera, ligado à corte espanhola, Josefa e Luiza Lardizábal, o conde Jean de Bagneux (que pouco tempo depois veio a casar com Luiza), entre outros, numa “joyeuse reunion”.

O interesse do álbum, de que a seguir se publicam algumas fotografias, é vário: por um lado, revela os efeitos nas famílias francesas da carnificina da Primeira Guerra; por outro, documenta o Movimento Noelista em França nos seus primeiros anos. Vários dos fotografados morreram “no campo de honra”, praticamente a seguir a serem fotografados. E muitas fotografias retratam reuniões, encontros, e um congresso, do Movimento Noelista, um movimento católico fundado pelo Padre Claude Allez (1866-1927), que também aparece numa das fotografias em Lourdes, em 1917.

Algumas das mais de cem fotos encontram-se muito apagadas, mas felizmente são na sua maioria de paisagens e com pouco interesse documental. Pelo contrário, as fotografias  de “noelistas” estão em bom estado. Em dois casos fez-se um tratamento digital muito rudimentar dos originais, mas a maioria das fotografias será posteriormente fotografadas numa melhor resolução.

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