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A aquisição pessoal, em hasta pública, de um edifício municipal, antiga escola, quartel da GNR e depois casa de habitação, em adiantado estado de degradação, vai permitir resolver, a prazo, o mais premente problema do ARQUIVO / BIBLIOTECA que é o do espaço. Com a entrada semanal de cerca de dois metros lineares de material, e a vinda dos livros da biblioteca familiar, que pertenciam ao meu pai e que se encontravam no Porto, e estão em parte guardados num armazém, tornava-se urgente encontrar uma solução para a escassez de espaço. Agora pode-se, na medida das possibilidades, começar a defrontar o problema, dado que se trata de um edifício com muito espaço, mas que, para além da recuperação, precisa de ser adaptado às condições específicas de um arquivo e bilbioteca.

Escusado será dizer que todo o esforço financeiro desta aquisição, – insisto, em hasta pública, – foi meu, não havendo em todo este trabalho de salvação e recuperação de bens culturais, um cêntimo de dinheiros públicos. Nem, para quem conhece o que penso e faço, podia ser de outra maneira. Porém, coloca-se de novo a questão da institucionalização pública deste acervo, para a qual não existe hoje qualquer legislação adequada. Ou seja, quem queira doar ao público, em condições de autonomia de funcionamento, auto-sustentado, um património de natureza cultural, não tem hoje qualquer enquadramento legal aceitável.

A recente legislação absurda e incompetente sobre as fundações, feita por técnicos das finanças, com a cobertura de políticos que, por ignorância e má fé, encontraram numa campanha demagógica contra as fundações uma distração populista para não fazer o que deviam, separar o trigo do jóio, deu origem a um monstro inaplicável, que permite todos os abusos e não impede nenhum. A lei actual aplica um modelo burocrático que torna as despesas de funcionamento mais gravosas do que a prossecução dos fins próprios, e, pior ainda, atribui ao governo em funções poderes discricionários de interferência nos seus objectivos e património. As grandes fundações acabaram por ser cúmplices, na medida em que tendo condições para defender os seus interesses, abandonaram as pequenas que tem muitas vezes especificidades únicas e servem interesses locais e regionais onde a desertificação cultural é grande. O resultado é que, sem se impedir os abusos de que o estado deu o exemplo, para desorçamentar parte das suas actividades, e as falsas fundações que se deixaram proliferar, apenas destinadas a obter vantagens fiscais e a encobrir muita falcatrua existente, fez-se uma política de terra queimada.  O resultado é que criar uma fundação, um objectivo altruísta de colocar património pessoal ao serviço público, tornou-se equivalente a uma actividade criminosa.

Subsiste por isso a questão de saber o que faz quem queira doar, colocar a público, oferecer à comunidade, ou seja actuar de forma altruísta, parte significativa e valiosa dos seus bens, mantendo o direito de definir os objectivos e os fins dessa doação. Compreendo muito bem que quem seja detentor de bens desta natureza, sinta uma enorme vontade de os vender no mercado internacional, onde as grandes bibliotecas universitárias, e não só, americanas e europeias, mantém uma constante procura, já não falando do mercado de raridades bibliográficas e dos leilões. Tenho conhecimento de alguns espólios recentes importantes para a nossa história e das colónias, que sairam assim de Portugal, num fluxo quase diário que nos leva quadros, jóias históricas, mobiliário, livros, manuscritos, espólios literários e históricos, colecções de fotografias e gravuras, etc. Eu tenho feito o contrário, comprando alguns destes bens para que eles fiquem por cá, mas que apetece muito mandar às malvas estes burocratas ignorantes e presumidos, para quem estas “coisas” são apenas taxáveis e nada mais, lá isso apetece. Por um velho sentimento fora de moda, que tem a ver com o gosto pelo meu país, não o farei. Lá está o velho edifício comprado, que podia dar um hotel de charme, mas será apenas um local de descanso e consulta para livros e papéis.

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A recuperação, encadernação e outras reparações e melhorias nos livros da biblioteca é uma contínua tarefa, justificada pelo estado de alguns exemplares, que já viram muito e já andaram por vários sítios, transportes e muitos anos lhes passaram por cima. Entraram esta semana no ARQUIVO / BIBLIOTECA mais  umas dezenas de exemplares encadernados, estando muitos outros  a ser recuperados. Uma parte dos livros tratados vem da biblioteca familiar que foi transportada do Porto (integrada no Núcleo da Família Pacheco Pereira), outra tem origem em dois núcleos oferecidos, integrados no  Espólio da Família Cottinelli Telmo e da Família Leitão de Barros / Espólio do Coronel Marques Leitão (principalmente livros de Teresa Leitão de Barros) e outros do Espólio Maurício Pinto / Judite Mendes de Abreu.

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Copy of apa A5 01JUN2013-1Agradeço aos amigos e colaboradores do EPHEMERA que começam a enviar material relativo às campanhas eleitorais autárquicas de 2013, como é o caso de Àlvaro Silva (candidatura à  Junta de Freguesia de Agualva/ Mira-Sintra  pelo Movimento Independente “Sintrenses com Marco Almeida” );  e do Movimento de Apoio à Candidatura de Salvador Malheiro à Câmara de Ovar. Agradeço igualmente outras contribuições, como as de  Jorge F. G. de Figueiredo (folheto do PCP, 1996); Manuel Barros Marques (Assembleia Popular de Algés); Afonso Tavares Santos Pereira (materiais da CT da PT, incuindo as listas e programas das recentes eleições para a CT); José Carlos Santos (grafitos no Porto), etc. Todos estes materais serão progressivamente publicados.

(Continua.)

2 Comments

  1. Li a entrevista que a Ana Sousa Dias fez ao Pacheco Pereira na revista «Ler» de que gostei imenso. Confirmei o que já calculava. Parabéns por esta obra…

  2. Venho com alguma frequencia ver este site. É notavel o vosso trabalho. Parabens

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