Sala dos recortes no ARQUIVO / BIBLIOTECA.
Por sua filha, Rita Múrias, soube da morte de Maria João Múrias que conheci quando era responsável pelo arquivo de O Jornal. Devo-lhe então o conhecimento do seu trabalho exemplar nesse arquivo, onde, de uma forma ao mesmo tempo simples e eficaz, conseguia armazenar toda a informação útil que era usada pelos jornalistas da casa e por alguns investigadores nacionais e estrangeiros. Desconheço o que aconteceu a esse arquivo em papel (terá sido “herdado” pela Visão?), mas temo pelo seu destino. Os arquivos em papel, essencialmente de recortes mas não só, foram substituídos nos jornais por arquivos electrónicos, quando existem. Porém, quem tenha tido a experiência de consultar arquivos desta natureza sabe que, apesar das enormes vantagens em termos de procura (quando estão bem classificados e indexados) e de acesso rápido, há funcionalidades que o ecrã do computador, tablet ou telefone, não substitui. Como acontece com o folhear nos livros, há um processo mental de procura e associação que é fuzzy e não se desenvolve da mesma maneira quando há “folhas” num ecrã ou folhas físicas, que podem ser estendidas numa mesa, ordenadas de várias formas, “procuradas” por um olhar diferente do que vê uma página electrónica.
Parte da letra H.
O meu ARQUIVO / BIBLIOTECA deve muito a Maria João Múrias, cujo processo de organizar o arquivo do jornal, como se fosse um dicionário, sem necessidade de um thesaurus particular, foi copiado por mim principalmente para o Arquivo de Recortes, quer na parte física, quer na digital, permitindo uma procura integrada muito eficaz. Idealmente todos os recortes deviam ser digitalizados, existindo em papel e no disco duro, mas tal não é possível por falta de tempo e meios. Alguns são, mas mesmo assim permanece a parte retrospectiva que ocupa integralmente uma grande sala, que reproduz o mesmo método do arquivo de O Jornal, organizado por Maria João Múrias..
Fica pois aqui esta lembrança e agradecimento pelo que aprendi com a Maria João Múrias.



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