ENTRADAS: ACERVO DO CORONEL RODRIGO DE SOUSA E CASTRO

 

Entrou 28 de junho de 2015ontem no ARQUIVO/ BIBLIOTECA mais um importante espólio pessoal. Com agrado tenho utilizado recentemente várias vezes  a classificação de “importante” e, com o trabalho de organização destes espólios, ela parece cada vez mais certeira. É o caso do espólio do Coronel Rodrigo Manuel Lopes de Sousa e Castro (Celorico de Basto, 1944) cuja carreira pessoal, militar e cívica fica aqui depositada pelo seu rastro documental, sem o qual alguns dos eventos da nossa história contemporânea não podem ser estudados. Agradeço-lhe muito a oferta.

“Capitão de Abril, capitão de Novembro”, militar de carreira, Sousa e Castro frequentou a Academia Militar, fez o serviço militar em Angola na arma de Artilharia, na sua primeira comissão. Na sua segunda comissão de serviço esteve em Moçambique. Fez parte da Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitães, na clandestinidade, desde 1973 e participa no documento O Movimento das Forças Armadas e a Nação. No 25 de Abril teve a função de oficial-estafeta.. Membro do Grupo dos Nove está  em 25 Novembro de 1975, no Posto de Comando no Palácio de Belém.

Desde Março de 1975 até à sua extinção em 1982, foi membro do Conselho da Revolução. Entre as funções que exerceu encontra-se a de responsável pela Comissão para a Extinção da PIDE/DGS e Legião Portuguesa, e presidente dos Serviços de Apoio do Conselho da Revolução e seu porta-voz até 1980. No âmbito da Presidência da República, foi presidente da Comissão Instaladora do Instituto Damião de Góis. É autor de vários livros sobre o 25 de Abril.

Tem tido uma participação activa em movimentos cívicos e políticos. Foi responsável pelo Departamento de Informação e Propaganda da CNARPE – Comissão Nacional de Apoio à Reeleição do Presidente Eanes em 1980 e fundador do PRD. Em 1986 é o director de campanha de Maria de Lurdes Pintasilgo. Actualmente participa no Partido Democrático Republicano (PDR).

O seu espólio foi entregue em dois momentos e é de grande dimensão. Está a ser tirado das caixas, e organizado. Compreende alguns milhares de livros e brochuras, documentos originais, correspondência, manuscritos, panfletos, etc. cobrindo o período da segunda metade da década de sessenta até meados dos anos oitenta, mais de vinte e cinco anos de vida pública.Trata-se de mais de 90% de documentos originais, sendo o resto fotocópias, algumas de documentos bastante raros e que se podem ter perdido.

Embora o trabalho de separação e organização esteja ainda em curso (e há uma parte dos papéis desorganizados) é possível desde já referir vários núcleos de documentação muito relevantes:

– documentos sobre a administração de Moçambique no final dos anos 60, com o Governador Baltazar Rebelo de Sousa, incluindo correspondência, relatórios, documentos dactilografados originais, etc. Por exemplo, encontra-se neste núcleo correspondência original com Hastings Banda, Presidente do Malawi e relatos de conversações políticas;

– elementos sobre o MFA, incluindo uma primeira listagem feita a seguir ao 25 de Abril dos oficiais que lhe pertenciam, com fichas autógrafas redigidas pelos próprios;

– abundante documentação político militar no âmbito do Conselho da Revolução, incluindo informações confidenciais e secretas com origem nos serviços militares, SDCI e Polícia Judiciária Militar, “vigilância revolucionária” à sabotagem económica, actas de reuniões, notas manuscritas de reuniões, correspondência de e para o Conselho de Revolução, pastas sobre Timor, processo do PRP-BR,; conflitos laborais, etc.

– documentação original sobre a PIDE/DGS, incluindo processos de informadores (um particularmente interessante é o de Augusto Lindolfo);

– deliberações do Conselho da Revolução na sua função para-constitucional, incluindo os processos de legalização dos partidos, e dos seus símbolos (por exemplo, as várias reclamações do PCP contra a utilização da foice e do martelo por outros grupos como o MRPP, LCI, FECML, o PCP(ML), etc.

– materiais de “aconselhamento” do Presidente Ramalho Eanes;

– espólio da campanha eleitoral de Ramalho Eanes em 1980;

– processo de instalação do  Instituto Damião de Góis;

– espólio da campanha eleitoral de Maria de Lurdes Pintasilgo em 1985-6.

– materiais originais usados nos livros de Sousa e Castro, Capitão de Abril, Capitão de Novembro e em o-autoria com Joana Pontes e Aniceto Afonso, A Hora da Liberdade.

Esta é uma lista provisória que será actualizada.

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