ANTECIPAÇÕES, NOTÍCIAS E AS HABITUAIS DESCULPAS

Comecemos pela desculpas.

No mês de Agosto, dediquei-me a acabar o IV volume da biografia  de Álvaro Cunhal que terá o título de Álvaro Cunhal – Biografia Política – O Secretário-geral (1960-1968).. Esteve um ano “quase no fim”, agora “está no fim”. Uma semana, quinze dias e será entregue na minha paciente e heróica editora. Para oito anos, são, em bruto, mais de 600 páginas, e mais de 1000 notas, e vida (a dele) e as vidas (de muitos outros) passadas entre Portugal clandestino, Paris, Moscovo, Praga, Bucareste, Roma e Argel. Por várias razões, que se perceberão quando se vir o livro, deu um enorme trabalho a fazer, e espero que o resultado final justifique a leitura e a crítica.

Para o acabar tornei-me, mais do que já sou naturalmente, muito pouco social. Afastei-me dos computadores, desliguei telefones e não respondi ao email, o que significa que não cumpri alguns compromissos, e não respondi a muitas solicitações que me foram feitas, algumas muito interessantes, e não dei andamento a propostas e ofertas para o EPHEMERA.

Peço desculpas a todos e vou tentar agora retomar o fio à meada, pouco a pouco, no início de Setembro.

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Como, com os jornais e as televisões, não há uma sem duas, três, quatro ou cinco, depois do Observador ter feito uma peça com materiais do ARQUIVO / BIBLIOTECA, com bons resultados de audiências; a RTP fez uma entrevista e reportagem sobre os cartazes aqui existentes e o Jornal i uma reportagem.  Já estão programadas mais iniciativas do mesmo género, cumprindo a regra  de colocar a público e divulgar tudo o que for possível do que aqui está guardado. A única condição é a referência à origem, que tem sido, nestas notícias e reportagens, escrupulosamente seguida.

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Para o nosso trabalho, a grande notícia para a semana é a divulgação em primeira mão das capas dos dois primeiros exemplares da Colecção EPHEMERA editada pela Tinta da China, com a notável qualidade gráfica da editora. Estarão nas livrarias em fins de Outubro.

Sairão três volumes este ano (o primeiro catálogo feito em Portugal de autocolantes como se fosse um catálogo de selos; uma  correspondência amorosa nos anos trinta e quarenta do século passado entre duas pessoas da parte invisível de Portugal, o “povo”; e um conjunto de fotografias estenopeicas tiradas nas salas do arquivo e da biblioteca, no Ano Internacional da Luz). Tudo coisas muito diferentes umas das outras, mas mais interligadas do que parecem.  Os seus autores serão também divulgados, Amigos do EPHEMERA, parte do esforço colectivo que, sem um cêntimo de dinheiro público, temos vindo a realizar.

Já há vários projectos para o ano de 2016, também com mesma regra de produzir livros originais feitos de maneira diferente e sobre coisas diferentes do habitual. Haverá uma história oral de um edifício centenário, com quem nele estudou, nele esteve preso, nele habitou e nele exerceu funções administrativas. Haverá trabalhos sobre partes de alguns espólios muito importantes entrados nestes dois últimos anos, como seja o de Vítor Crespo (sobre os seus esforços para fazer uma Lei de Bases do Sistema Educativo), ou o de Sousa e Castro (sobre a propaganda anti-FRELIMO durante a guerra colonial). Pensa-se numa biografia de Nuno Rodrigues dos Santos e na exploração dos papéis de Sá Carneiro. Continuará o trabalho de inventariar os autocolantes (uma hipótese que está a ser estudada é agrupar MES – FSP – UEDS, num catálogo de grupos socialistas radicais), de publicar fontes originais , tudo em complemento com o que aqui se coloca em linha.

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