EPHEMERA – NOTÍCIAS DA SEMANA (DE 3 A 9 DE OUTUBRO DE 2016)

EM CONSTRUÇÃO

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EPHEMERA NO PORTO

ACTIVIDADES NO  FUTUREPLACES – MEDIALAB FOR CITIZENSHIP

Exposição Movimento Estudantil na Universidade do Porto 1968-1974.  

A anunciar em breve.

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Memórias Do Copiógrafo – Workshop Sobre Tipografias Militantes

img_3973Workshop a realizar no Porto (em data a anunciar, 18 ou 19 de Outubro)  sobre a impressão semi-legal e clandestina, no âmbito da exposição Movimento Estudantil na Universidade do Porto 1968 – 1974.  O local preciso  e a hora serão posteriormente anunciados. Porém , como há muito interesse nesse workshop, estamos a recolher os nomes de quem quer participar para depois enviarmos informação mais detalhada.

APELO: A equipa que está a trabalhar com o copiógrafo, um Gestetner 310, e a fazer testes a uma máquina que não é usada há mais de quarenta anos, precisava de saber se há alguém com conhecimentos técnicos que possa ser consultada se surgir algum problema. Continuamos a recolher material, em particular stencis e tinta para ter algum stock  e tudo o mais que vier.

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Pensamos em dar continuidade a essa experiência com um livro para a COLECÇÃO EPHEMERA intitulado provisoriamente Memórias do Copiógrafo, com memórias dos “tipógrafos” militantes nesses anos e fotografias das máquinas e do workshop, dando continuidade e aprofundando ao que já faz parte do  livro Armas de Papel, sobre a importância histórica do aparelho.

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AGRADECIMENTOS E ENTRADAS

Uma das razões para a antecipação desta newsletter é não deixar sem agradecer o elevado número e o valor das ofertas recebidas nos últimos quinze dias.

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Agradecimentos a José Moreira, José Pereira Miguel,  Mafalda Braz Teixeira,  e outros (em breve.)

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Agradeço a Bernardo Sousa Pinto a excelente cobertura que fez das eleições locais na Bósnia Herzegovina. um exemplo daquilo que pedimos a muitos dos nossos amigos e leitores. A possibilidade de fazer um trabalho comparativo, quer no plano político, quer iconográfico, torna muito útil este tipo de  cobertura.

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Agradeço a Jorge Henriques o contínuo envio de livros, revistas, panfletos, originais, e outros materiais que muito enriquecem o ARQUIVO / BIBLIOTECA.

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Agradeço a Miguel B  o seu olhar atento pelas ruas e paredes de Lisboa e não só. Há muitos amigos que encontram grafitos, pichagens, murais, etc., mas ele encontra sempre mais um que ninguém tinha visto.

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Agradeço a Isabel Miret ter trazido de Espanha para o EPHEMERA uma série de papéis das recentes eleições, incluindo o celebre e polémico programa do Podemos em formato de um catálogo do IKEA.

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Agradeço a António Leal a oferta dos papéis e jornais de seu pai, que vão ser inventariados.

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João Soares e sua irmã Isabel Soares num dos primeiros comícios do PS.

Agradeço a João Soares, velho amigo e já doador de importante documentação para o EPHEMERA, mais um envio de livros, revistas, documentação vária, fotografias, CDs, DVDs,  e objectos relativos à sua actividade como Presidente da Câmara de Lisboa, parlamentar e membro de delegações internacionais. O conjunto é particularmente rico em questões de defesa e de segurança,  Comissão de Defesa, Conselho Superior de Defesa Nacional, e no acompanhamento dos países que resultaram do desmembramento   da URSS.

Panfletos e cartões de identificação.

DVDs e CDs.

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A colecção de cartazes, nacional e internacional, conheceu nos últimos meses um grande incremento. Cerca de 200 cartazes novos entraram no ARQUIVO / BIBLIOTECA e estão a ser fotografados para publicação.

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O mesmo tem acontecido com T-shirts, sacos, lenços, bandeiras, panos de todo o tipo e objectos.

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Mais em breve.

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NÃO É SÓ DE AGORA:

“Provai que tendes dignidade, que sois homens, conscientes dos vossos direitos e não ovelhas panúrgicas, que a vara do pastor faz mover, ao toque dum hiperbólico chocalho de bronze!” (1928)

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Agradeço a transcrição quase imediata da Maria Faustino.

A PRAXE ACADÉMICA

Desde séculos, que uma afrontosa tirania impera na Academia de Coimbra. Chama-se essa tirania – Praxe Académica.

A ela são sacrificados, em holocausto, os estudantes novos, que um estulto conceito de jerarquia designa por caloiros.

Desde séculos, que a brutalidade dos antigos estudantes, com a covardia dos novos e a cumplicidade do público, que se diverte, vêm representando a velha e indecente farsa: pela porta das humilhações mais deprimentes – com que, como exteriorização primeva de boas-vindas, os veteranos os recebem – dão os novos estudantes entrada nos cursos superiores.

Esta baixa e torpe comédia tem por palco as ruas de Coimbra e os paços universitários, onde, apesar da lei que a proíbe, permanece em cena, entre a indiferença das autoridades e a complacência dos mestres. Todos se hão conluiado para, substituindo-os pelo espírito de subserviência, aniquilarem o culto da personalidade e o espírito de independência das gerações novas.

É o seguinte o cerimonial da praxe: agressão sistemática ao novato, à Porta Férrea; exibição forçada e truanesca do caloiro, em atitudes ridículas de momo, que fazem gargalhar o digníssimo público; julgamento do novato nas repúblicas e condenação a práticas degradantes da dignidade humana; corte de cabelo e agressão aos caloiros, caçados na rua, de emboscada, depois do badalar fúnebre da Cabra, por aqueles que, por antiguidade, a praxe promove à categoria abjecta de polícias dos seus próprios colegas.

Toda esta tragicomédia, com o hipócrito pretexto de que é executada com o fim de despir ao novato a pele de bisonho, que traz do liceu, e de o coagir a ficar em casa a estudar, faz da vida do caloiro indefeso um torturante calvário, pleno de suplícios.

E esta tirania revoltante, que o tacanho espírito universitário de antanho, educado no culto da violência, nos legou, celebrada como uma religião singular, com o seu código de ritos, pelos bonzos da Tradição; este anacrónico ritual, rude negação do espírito de liberdade do nosso século – ¡vive, para aí, embiocado num cenário chocho de pretensa boémia romântica, fazendo-se passar -¡hipocrisia! – como uma florescência vermelha e alacre de graça moça!

¡Ignóbil mascarada, que Guerra Junqueiro combateu, e a brava e desempoeirada geração de 1907 apeou! ¡Farsa chué, que Afonso Lopes Vieira, José de Arruela, Sousa Costa e outros, à frente da sua geração, numa generosa e lúcida concepção da verdadeira jovialidade, enterraram, substituindo-a pela recepção festiva e amiga aos novatos – como hoje se faz no estrangeiro e, entre nós, em certas Faculdades de Lisboa e Porto! ¡Violência, que os escavadores dos esterquilínios do Pretérito desentulharam, há poucos anos, dos escombros das coisas idas!

¡Não! ¡Mente quem afirmar que esta praxe anacrónica, brutal, hipócrita, covarde e iníqua, é filha da nossa alegria juvenil e do nosso cérebro de intelectuais! ¡Não! Esta carcaça da praxe, que para aí se arrasta, espectro da Meia-Idade, ante o qual se genuflectem os coveiros do Futuro, ¡não passa de ídolo de histriões sem graça, de polichinelos sem espírito, pseudo-intelectuais, mascarados de capa-e-batina!

¡Inumemos para sempre esta carcaça desdentada da praxe, que cerebrações ocas ergueram do túmulo em que a sepultara a geração de 1907! ¡E implantemos uma vida nova de trabalho, de estudo, em que se expanda livremente a verdadeira jovialidade! ¡Para que a nossa geração surja, dignificada, aos olhos das gerações pósteras!

¡Recebamos, de braços abertos, como a novos irmãos e amigos, os novos colegas, que chegam! ¡E não, de férula e tesoura erguidas, entra ladainhas de impropérios chulos, como a escravos – cuja submissão se pretende, fazendo-lhe entrever a miragem duma vingança futura!

AOS NOVATOS gritamos: ¡Provai que tendes dignidade, que sois homens, conscientes dos vossos direitos, e não ovelhas panúrgicas, que a vara de pastores faz mover, ao toque dum hiperbólico chocalho de bronze! ¡RESISTI!

AOS ANTI-PRAXISTAS: ¡Obstai, por todos os meios, ao exercício da praxe!

¡Apelamos, finalmente, para o bom senso de todos!

Numa ânsia profunda de renovação, gritamos do imo da nossa alma juvenil e idealista:

¡ABAIXO A PRAXE!

Pela Academia antipraxista:

Coimbra: 1928, Outubro, 31.

Adeodato Barreto, Arnaldo Vilhena, Aurélio Fragoso, Cal Brandão, Guilherme Branco, Mário Vieira. Roberto das Neves, Sousa Cabral, Sousa Pereira e Vahia de Castro.

Visado pela Comissão de Censura

Tip. Bizarro – Coimbra

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VISITAS AO ARQUIVO/ BIBLIOTECA

No último domingo, Irene Pimentel, Ana Vidigal e Nuno Nunes Ferreira visitaram o ARQUIVO / BIBLIOTECA na Vila da Marmeleira. Ana Vidigal tirou uma série de fotografias. de que estas são uma pequena amostra.

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EXPOSIÇÕES EM CURSO COM MATERIAIS DO EPHEMERA

NO PORTO

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EM ALMADA

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COLECÇÃO EPHEMERA

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COISAS QUE INTERESSAM AO EPHEMERA

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