EPHEMERA – NOTÍCIAS DA SEMANA (DE 17 A 23 DE OUTUBRO DE 2016)

EM CONSTRUÇÃO / ACTUALIZADO

*

LÁ ESTAREMOS

image

Nas Astúrias.

Resultado de imagem para AMERICAN ELECTIONS 2016

Em Nova Iorque.

EPHEMERA NO PORTO 

img_4353-1

EPHEMERA no Porto em Lisboa.: painel de fotos na Ler Devagar.

*

Escrevi no Público de 22 de Outubro um artigo sobre esta exposição.

(Para os que não conseguem aceder ao jornal, o artigo está em ANEXO.)

Ver NOVAS DA EXPOSIÇÃO NO PORTO E DAS “MEMÓRIAS DO COPIÓGRAFO”

EXPERIÊNCIAS COM O COPIÓGRAFO

*

APELO À IDENTIFICAÇÃO

Vamos inaugurar uma  secção nova, a do apelo aos nossos amigos e leitores para ajudarem a identificar textos sem assinatura nem data. A situação nas listas estudantis é particularmente calamitosa.

Alguém nos sabe dizer de que escola é esta lista estudantil? Sabemos que é do Porto e por volta de 1975-6.

Ou a data e escola destes dois autocolantes?

Pedro Ferreira: “os materiais que dizem Lista R são da Faculdade de Letras da UP do ano 2013 da candidatura à AE e ao Conselho Directivo“.

*

AGRADECIMENTOS E ENTRADAS

Agradecimentos a José Moreira, José Pereira Miguel,  Mafalda Braz Teixeira,  Miguel B., Maria Faustino,   e outros (em breve.)

*

copy-2-of-scanner_20161022dd

Barco na Praia de Santa Maria na Ilha do Sal, Cabo Verde (Outubro de 2016).

Agradeço mais uma vez a Jorge Henriques o contínuo envio de documentação, livros, revistas, fotos, panfletos, autocolantes, etc. No seu último envio mandou documentação muito interessante sobre a vida política e sindical de Cabo Verde, incluindo material das várias eleições recentemente realizadas.

Autocolantes das eleições presidenciais e autárquicas.

*

Agradeço a Altamiro da Costa Pereira, meu companheiro do Conselho Geral da Universidade do Porto, a compilação que fez para o EPHEMERA da sua colecção de catálogos e programas culturais do Porto entre 1974 e 1984. Trata-se de um volume especialmente encadernado, com as reproduções fac-simile, organizadas e estruturadas por tema, acompanhado pela sua digitalização integral.

*

Por aquisição, entrou no ARQUIVO  um conjunto de jornais e recortes sobre o Vietnam Moratorium Day em 5 de Outubro de 1969.

scanner_20161020-6

Ver

EUA – VIETNAM MORATORIUM DAY (IOWA, 15 DE OUTUBRO DE 1969)

EUA – VIETNAM MORATORIUM DAY (WASHINGTON, 15 DE OUTUBRO DE 1969) – CONTRA-MANIFESTAÇÃO

EUA – VIETNAM MORATORIUM DAY II (WASHINGTON, 15 DE NOVEMBRO DE 1969)

VIETNAM MORATORIUM COMMITTEE

EUA – VIETNAM MORATORIUM DAY NA NORTHWESTERN UNIVERSITY (EVANSTON, ILL., 15 DE OUTUBRO DE 1969)

EUA – VIETNAM MORATORIUM DAY (ST. LOUIS, 15 DE OUTUBRO DE 1969)

EUA – MANIFESTAÇÕES A FAVOR DO DIA DA VIETNAM MORATORIUM (FLORIDA, 15 DE OUTUBRO DE 1969)

COLECÇÃO EPHEMERA

AMORZINHO NO TEATRO

image

image-1

O livro Amorzinho organizado por Rita Maltez a partir de uma correspondência amorosa entre uma costureira “Lourdes” e um empregado de escritório  “Alfredo”, durante dez anos entre as décadas de trinta e quarenta, está a ser adaptado ao teatro pela Truta e será apresentado em Novembro.

21-de-outubro-de-2016

Aqui.

 

EM LISBOA

EXPOSIÇÃO EM PREPARAÇÃO SOBE AS ELEIÇÕES AMERICANAS DE 2016

NA ESCS (NOVEMBRO DE 2016)

scanner_20161020-3

.img_4156

Alguns materiais que integrarão a exposição sobre as eleições americanas na ESCS expostos ma Livraria Ler Devagar.

*

NO PORTO

NO UPTEC-PINC DA UNIVERSIDADE DO PORTO

 

Vamos continuar a falar do esquecimento, desta vez por interesse próprio, mas, se todo o interesse próprio fosse desta natureza, não viria daí mal nenhum ao mundo. Passei as últimas semanas em conjunto com vários antigos companheiros de lutas na universidade, a preparar uma exposição sobre o movimento estudantil do Porto entre 1968 e 1974, que está aberta ao público até ao fim do mês. Deu bastante trabalho a todos nós, trabalho manual e intelectual, exigiu muitas horas de esforço, tudo feito apenas por pura dedicação, gosto e um certo sentido de reparação de uma memória colectiva de resistência à ditadura, que é um óbvio motivo de orgulho de todos os que eram activistas e militantes nesses anos.

Com excepção mais que meritória da TVI, e da LUSA, e de uma forte presença na Rede, apesar de a exposição se realizar no local onde estão sediados vários órgãos de informação (incluindo o Público)  e vários deles se terem deslocado ao local da sua inauguração apenas para colherem com grande aparato declarações de Rui Moreira sobre uma provocação menor de Passos Coelho retirando-se depois,  fazendo de conta que não viram nada do que se passava à sua volta, pouca foi a atenção que os media dedicaram ao acontecimento. Escrevo isto porque reconhecer-me-ão algum conhecimento do que é o interesse jornalístico e editorial e é impossível defender que o que se passou não tinha interesse jornalístico, tendo por isso visto, com ironia, o principal jornal do Porto, no dia seguinte, a dedicar uma página a uma operação nos seios de uma mini vedeta.

O que se passou foi uma inauguração muito sui generis de uma exposição num local, uma escadaria do átrio da actual Reitoria, onde os estudantes do Porto faziam os seus plenários, habitualmente interrompidos por cargas policiais e prisões. Estiveram presentes centenas de velhos activistas estudantis que ocuparam o seu antigo local de combate, para ouvir, como então, uma mesa improvisada a falar alto e bom som para contrariar o ruído que vinha das portadas abertas para a Praça dos Leões. Perguntaram, os que não viveram esses tempos, se os oradores queriam um megafone. Explicou-se que se aparecesse um megafone, instrumento raro e caro na altura, ele seria certamente apreendido pela polícia que acharia, e bem, que o seu uso implicava alguma organização subversiva e prenderia quem estivesse com ele.  Na assistência estavam muitos dos estudantes que em vésperas do 25 de Abril tinham ali sido presos, sujeitos a processos disciplinares, multados e que deveriam ser julgados… em Junho de 1974. A diferença para os dias de hoje é gigantesca e chama-se liberdade. E por isso lá estava o representante académico do Reitor, os presidentes das câmaras do Porto e Lisboa (Fernando Medina é filho de dois dos elementos contantes de uma lista da PIDE de estudantes perigosos, Helena Medina e Edgar Maciel Correia, já falecido e lembrado e honrado naquela sessão), representantes de vários partidos políticos, artistas, intelectuais, escritores e gente que é gente.

O que lá aconteceu, a fila de pessoas à chuva que, como se fosse uma manifestação, se deslocou para o local físico da exposição a centenas de metros dali, até era suficientemente cénico para os critérios de entretenimento dos nossos dias, dava “boa televisão”. Como dava “boa televisão” e melhor escrita, se a houvesse, ver dezenas de jovens estudantes de belas-artes e design, que participavam no evento anfitrião do Futureplaces – MediaLab for Citizenship , a olharem para o ressuscitar de um velho copiógrafo Gestetner  manipulado por dois reputados médicos que foram “tipógrafos” clandestinos com o entusiasmo de quem mexe de novo em stencis, máquinas de escrever, escantilhões, tubos de tinta e verniz das unhas para servir de corrector. Tenho a certeza que esses jovens, que vivem felizmente em democracia e liberdade, perceberam nessa sessão muita coisa sobre o que era fazer um panfleto livre nesses anos de repressão.

Podia não referir nada disto e falar apenas da exposição, mas não queria que houvesse tanta impunidade para outra forma de esquecimento, que é a pura ignorância ou indiferença, quando não hostilidade, com o facto de a liberdade não ter caído do céu sem custo e ter pessoas e rostos.

Quanto à exposição ela retrata um movimento estudantil pujante, muito aguerrido, pouco conhecido nacionalmente pela atenção dada a Coimbra e a Lisboa, e que estava bem vivo no 25 de Abril. Aliás, as grandes lutas do Porto nos anos 70, estavam já muito para lá das reivindicações associativas clássicas, e contestavam a Queima das Fitas e a praxe, puseram fim à tentativa de realizar na Universidade um Festival de Coros que incluía sul-africanos do regime do apartheid, numa luta que já era claramente contra-cultural (no caso da Queima e da praxe) e anticolonial (no caso dos Coros). Enquanto em Coimbra havia o refluxo das lutas pós-1969, com um muito polémico “pedido de desculpas”, em Lisboa e no Porto, as universidades estavam ingovernáveis pela ditadura e pelos seus representantes académicos.

O movimento estudantil do Porto que a exposição documenta é o posterior a 1968 e vai até ao 25 de Abril de 1974. A data de 1968 pode ser injusta com muitos estudantes das gerações do final dos anos cinquenta, das lutas da crise de 1962, e dos anos de repressão por volta de 1965, e num certo sentido é. Muitos dos que foram presos e perseguidos nesses anos merecem também ser lembrados e, com a continuação deste trabalho, sê-lo-ão sem dúvida. Mas a geração que entrou na universidade do Porto por volta de 1968 tinha uma forte identidade, que acompanhava a politização dos movimentos estudantis da Europa e dos EUA, influenciada por várias variantes do chamado esquerdismo, que no caso português era dominantemente maoista. Mas o impacto genético foi o próprio ano de 1968, que influenciou a criação da primeira organização alheia ao PCP e às suas organizações estudantis, os Comités de Base. Depois, como aconteceu um pouco por todo o lado, cavam-se divisões mais profundas entre os estudantes comunistas da linha de “unidade” e internas ao esquerdismo, que no Porto se polarizavam à volta da organização estudantil do Grito do Povo, e a sua expressão semi-legal os Núcleos Sindicais e o PCP(ML) e a equivalente tendência do  “por um ensino ao serviço do povo”. A comprovar a identidade própria dos diferentes movimentos de Lisboa, Coimbra e Porto, está o facto de o MRPP, que era muito activo em Lisboa, praticamente não existir no Porto. Toda esta história de conflitos, divisões e unidades está expressa na exposição, com as naturais limitações de espaço.

Quando fiz um comentário sobre o facto de pela primeira vez estarem numa iniciativa comum “liquidas”, “pops”, “revisas”, “esquerdistas” e “trotskas”, que se digladiavam forte e feio no movimento estudantil, um companheiro meu disse à moda do Porto “p… foi preciso esperar 40 anos para ficarmos ecuménicos”. Talvez isso acontecesse porque, ao olhar para os papéis que fizemos nesses anos, nos apercebemos que havia uma direcção comum mais forte do que o que nos dividia, “cortar o pio” à ditadura. E conseguimos.

1 Comment

  1. Artigo que fica bem, a luta desenvolvida e o que isso significa na construção do hoje e o amanhã.
    A clara opção de “alguns, muitos” para apagar o ontem que permitiu o hoje que está traduzido na frase “P… foi preciso 40 anos….”

Deixar uma resposta