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FRENTE DOS ARTISTAS POPULARES E INTELECTUAIS REVOLUCIONÁRIOS (FAPIR)

BOLETIM DA FAPIR

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ORGANIZAÇÃODATATEXTOBIOFONTESNOTAS
FRENTE DOS ARTISTAS POPULARES E INTELECTUAIS REVOLUCIONÁRIOS (FAPIR)1977 - 1978[...] esse projeto que começou em finais de 1977 com umas reuniões do Secretariado da FAPIR em casa do Domingos Morais em Oeiras tendo depois sido editada na Grua, Artes Gráficas a partir de Maio de 1978.

Nessa altura, a FAPIR funcionava num edifício antigo na Rua Alexandre Herculano nº 55 em plena Lisboa, perto do Largo do Rato.

A Revista não durou muito, pois houve “censura” dos camaradas políticos e nós terminámos nesse mesmo nº 4 com um Editorial assinado pelo Diretor com “O meu Recado”, citando o Engels, em nome do “socialismo científico”….

[...] a Revista foi criada e publicada no âmbito da  FAPIR, cujo Secretariado Nacional era constituída pelo Hélder Costa, Domingos Morais, José Mário Branco, Manuela de Freitas, Cândido Ferreira e Luís Tavares, como se pode ver na página 3 do nº 4 (e último) da Revista, que inclui também o Estatuto Editorial.

Os editoriais foram sendo redigidos pela equipa da redação com exceção do nº4 que foi assinado apenas por mim (“O meu recado”) para assinalar a discordância com a intervenção censória (política) num dos artigos a publicar.

Foi uma experiência diretamente ligada ao contexto político da altura, tratando-se da 1ª iniciativa cultural no âmbito do campo político da UDP e PCP(R) mas pensada e criada pelos membros do secretariado da FAPIR (Frente dos Artistas Populares e Intelectuais Revolucionários) que não pertenciam a órgãos políticos, nomeadamente, a Manuela de Freitas, o Domingos Morais e eu próprio. Já quanto ao Hélder e ao José Mário apareciam como “individualidades” com passado político e ligados às atividades culturais (teatro e música) com aquela aura de revolucionários vindos de Paris há pouco tempo.

Por curiosidade, nas páginas da Resposta pode-se referir a colaboração de pessoas tão diversas no tempo e nas ideias, como o Mário Dionísio (pág. 3 do nº 2), o Ruy Luís Gomes, Nuno Grande, Maurice Bazin, Joaquim Vieira, José Fanha, João Brites (“O Bando”), Vasco (caricaturista com o pseudónimo de Fernão Kiki U. – pág. 36 do nº4), Augusto Santos Silva (atual Ministro dos Negócios Estrangeiros – pág. 20 do nº 4) ou o artista plástico Pedro Cabrita Reis (pág. 34 do nº 4), então nos 20 anos.

A nossa equipa era diversa mas tinha ideias claras sobre uma sociedade nova que estava a surgir em Portugal. As diferentes sensibilidades respeitavam-se: o Hélder era o mais “político” como surge nos textos de capa e contracapa do nº1, o Zé Mário era o mais “poético” (nas páginas centrais do nº 2 da Revista aparece um caderno com o projeto da iniciativa de uns Jogos Florais “Reviver Lágrimas de Alegria”).

Mas sobretudo, tínhamos capacidade de mobilização dos setores mais progressistas da sociedade apesar das diferenças de sensibilidade política.

Vale a pena ver os Editoriais e as anotações sobre a “Vida da Revista” e “Cartas dos leitores” que saiu no último número publicado.
Luís Tavares, director da Resposta, Carta endereçada a Teófilo de Braga, em Maio de 2019, para ser entregue ao Arquivo Ephemera com a colecção completa da revista.

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