ESPECIAL “BEATLES NO BARREIRO” (12) : APRESENTAÇÃO DO LIVRO DE LUÍS PINHEIRO DE ALMEIDA, “COM OS BEATLES, CARO JÓ”

EM ACTUALIZAÇÃO

Artigo do Público sobre os “Beatles no Barreiro”.

Só o Luís Pinheiro de Almeida, “com uma pequena ajuda dos seus amigos” os Beatles, conseguiu reunir num jantar na Tasca Da Galega no Barreiro, mais de 60 amigos que incluiam uma parte importante da história da música portuguesa que os Beatles influenciaram. Estava lá gente dos Sheiks, dos Pop Five, dos Trabalhadores do Comércio, dos Tubarões, dos Atlas, da Filarmónica Fraude, etc., muitos dos quais iriam em seguida participar da parte musical do encontro “Beatles no Barreiro”, junto com Fast Eddie Nelson.

A sessão iniciou-se pelas palavras de boas vindas de Nuno Teixeira em nome da ADAO. O livro foi depois apresentado por José Pacheco Pereira, e contava com uma “surpresa”, o encontro entre o autor e a personagem a que se refere numa das cartas, e que deu origem a uma dia de agitação em Lisboa porque “Ringo Starr estava na cidade”. Não estava, fora uma confusão dos jornalistas com um jovem de cabelo comprido, falando um fluente inglês e com um carro de matrícula inglesa, acompanhado de uma amiga que também falava inglês.

Esse Ringo Starr involuntário era José Corte Real Sequeira, um amigo do EPHEMERA doutras andanças, que apareceu das memórias do ano de 1965 e das cartas ao Jó para abraçar o Luís e para contar o que foi ser Ringo Starr por um dia.

As palavras do Luís, um “improviso” escrito, estão aqui registadas(*), assim como o momento em que ofereceu ao ARQUIVO EPHEMERA as cartas originais que enviou a Jó, e que são transcritas no livro.

Em seguida, Francis Mann, que foi guitarrista dos Xutos e Pontapés, e o historiador Filipe Barroso falaram do último disco dos Beatles Abbey Road e da sua importância na obra da banda.

E depois começou a música.


(*)INTERVENÇÃO DE LUÍS PINHEIRO DE ALMEIDA

Boa noite, obrigado por terem vindo!

A splendid time is guaranteed for all.

Parece uma noite de Oscars, tantas as estrelas que vejo por aqui, por isso aqui vão os óbvios agradecimentos.

Em primeiro lugar à minha família que me aturou e acarinhou este meu hobby pelos Beatles desde sempre. Aos meus Pais que nunca me proibiram de usar cabelo comprido, a minha Mãe só me pedia para não pôr a música dos Beatles muito alta, para não incomodar os vizinhos. Aos meus afilhados Nuno e Joana, aos meus sobrinhos-netos Catarina, Henrique e Tomás, que vejo sentados aqui na primeira fila, privilégio meu para guardar os lugares.

Depois o dr. José Pacheco Pereira, nosso querido líder na Ephemera. A ideia original é dele, depois juntou-se a fome com a vontade de comer, com a colaboração de Filipe Barroso, e aconteceu isto.

Pouca gente sabe, mas o dr. Pacheco Pereira iniciou a sua biografia académica em 1966 na Faculdade de Direito de Lisboa, no mesmo curso do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, dos antigos ministros Maria Leonor Beleza, Jorge Braga de Macedo e João Soares, do presidente da EXPO António Mega Ferreira, dos jornalistas Carlos Fino, Oscar Mascarenhas e Cáceres Monteiro, do músico Rão Kyao e, já que estamos no Barreiro, terra de luta, do antigo porta-voz do PCP, Vítor Dias.

Outro agradecimento muito especial à Adão que nos acolheu com imaginação e criatividade nestas exuberantes instalações, agradecimento personificado no Nuno Teixeira, Cláudia Sol e Severo.

Depois, os músicos, o Fast Eddie Nelson, o nosso director musical desta noite – a propósito, ainda estou à espera do CD com a versão dos Beatles, Francis Mann, que se desdobrou em investigador e músico, Tó Bagorro que nos trouxe João José Brito, uma das vozes da Filarmónica Fraude, um dos melhores conjuntos portugueses de sempre, o Álvaro Azevedo, que veio hoje expressamente de Matosinhos para esta festa e que foi baterista dos Pop Five Music Incorporated, outro grande conjunto português do final da década de 60.

Para a exposição tive a solidária colaboração de Eduardo Pinto, Paulo Bastos, Paulo Marques, Duarte Vilardebó e de Teresa Lage, a quem agradeço obviamente.

Finalmente, Luís Filipe Barros que nos trouxe os Beatles para o Barreiro.

Termino em glória, se me permitem: todos somos efémeros, como sabemos, uns mais do que outros. Eu já estou no grupo dos mais, apesar de ter agora dois olhos novos.

Mas como diz o Rui Serrano – aproveito para vos convidar a observar a sua exposição de fotografias – a efémera é eterna, por isso o local ideal e digno para este conjunto de cartas, afinal de contas, o motivo primeiro para esta reunião de amizade e de solidariedade.

Obrigado, Zé Pacheco Pereira.

Luís Pinheiro de Almeida

Barreiro, 06 de Dezembro de 2019


As fotografias a preto e branco nesta entrada são do Rui Serrano.

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