EPHEMERA DIÁRIO (28 DE ABRIL DE 2020): UMA HISTÓRIA DO PREC COM JARRÕES CHINESES

Após os acontecimentos do dia 28 de Setembro de 1974, com o falhanço da chamada “Maioria Silenciosa” e a renúncia do General Spínola ao cargo de Presidente da República, o Primeiro-Ministro Vasco Gonçalves apelou à unidade popular, decretando para o dia 6 de Outubro de 1974, um domingo, uma Jornada Nacional de Trabalho. O apelo de Vasco Gonçalves teve alguma adesão, e tal como aconteceu em muitas empresas, alguns trabalhadores do então Banco Nacional Ultramarino foram trabalhar.

Na semana seguinte verificou-se o desaparecimento de dois jarrões chineses que estavam na área reservada à Administração e, alguns dias depois, foi divulgado um comunicado em nome do ELP  (Exército de Libertação de Portugal, uma organização de extrema-direita criada em Madrid pelo ex-inspector da PIDE- Agostinho Barbieri Cardoso),  afirmando que tinham sido os trabalhadores que os tinham roubado durante a jornada de trabalho. A Comissão Sindical emitiu um comunicado denunciando a manobra do ELP, mas os jarrões nunca apareceram.
Em Junho de 1975 o Governador do BNU recebeu uma carta que foi entregue a um oficial do EMGFA (documento junto),com o seguinte teor:
” OS JARRÕES SERÃO DEVOLVIDOS QUANDO PORTUGAL FOR LIBERTADO – VIVA O ELP”,
Passados uns meses um padre de uma das igrejas do Chiado contactou o BNU comunicando que alguém não identificado lhe tinha entregue os jarrões roubados, tendo os mesmos regressado ao seu local de origem.
(Joaquim Matos)

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