EPHEMERA DIÁRIO (1 DE MAIO DE 2020): 1º DE MAIO EM TEMPOS DE PANDEMIA

Os autocolantes foram a mais importante explosão de imagens depois do 25 de Abril. Fizeram-se mais de uma dezena de milhares de autocolantes com desenhos diferentes, cuidados e descuidados, de pintores e gráficos consagrados e de anónimos autores, com origem em praticamente todas as organizações, partidos e sindicatos, associações de todo o tipo, campanhas eleitorais, recolhas de fundos. Mais do que os cartazes, os periódicos, os vídeos, eles são a verdadeira iconografia do 25 de Abril. E há muitas centenas se não milhares comemorando o 1º de Maio. Dava uma coisa com outra.

O 1º de Maio lembra o papel histórico que tiveram as lutas operárias na conquista de direitos, salários melhores, condições de trabalho mais humanas, férias pagas, horários de trabalho, protecção na reforma, tudo. Na história do século XIX e XX, não houve nenhuma conquista laboral e social que não fosse conseguida a ferros, com conflito e, em muitos casos, com sangue. Nunca foram oferecidas, nem outorgadas, foram conquistadas, umas vezes ganhas, outras vezes perdidas, e de novo ganhas.  E o 1º de Maio lembra que não há “economia” em abstracto, nem empresas sem trabalhadores, embora muitas vezes estes sejam esquecidos quando se fala de “economia”.

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