EPHEMERA DIÁRIO (11 DE MAIO DE 2020): O PEQUENO PASTELEIRO QUE MANDAVA NUMA PARTE CONSIDERÁVEL DA FRANÇA

Na colecção de fotografias de imprensa do ARQUIVO EPHEMERA há muitos retratos de personagens da história do século XX, conhecidos ou quase anónimos. Um deles retrata Jacques Duclos, talvez o mais importante e influente dirigente do Partico Comunista Francês. Os que detinham a chefia formal, como Maurice Thorez,  o “filho do povo”, eram muito menos poderosos do que este homem, muito pequenino, pasteleiro de profissão, e que atravessou toda a história da França, desde a Primeira Guerra onde combateu, foi ferido e feito prisioneiro, até à Segunda Guerra, em que na clandestinidade em França (Thorez estava em Moscovo) dirigiu com mão de ferro o partido e uma parte importante da Resistência, com a cabeça a prémio pelos alemães. Foi eleito deputado e depois senador batendo nas urnas ilustres dirigentes dos outros partidos,  até que nos anos sessenta  foi um candidato presidencial também com grande sucesso. Duclos era o dirigente estalinista típico, duro e impiedoso, mas também um grande orador que fazia inflamar um comício como ninguém. Nunca perdeu as suas raízes populares, a linguagem e os hábitos dos operários. Com ele morreu este lado popular do Partido Comunista Francês cujo decllínio começou quando os operários deixaram de beber vinho e passaram a beber cerveja e whiskey.

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