No ano de 1975, em pleno Processo Revolucionário em Curso (PREC), a propaganda desempenhou um papel fundamental no combate político. Os muros e as paredes cobertos de tinta e cartazes, por vezes uns por cima dos outros, davam origem a uma dialéctica nocturna, de punhos, entre os militantes dos diversos partidos e grupos que os disputavam. O mar de panfletos, de comunicados, de convocatórias para comícios, assim como a venda de jornais, eram permanentes. O país estava ao rubro e, provavelmente, nunca se imprimiu tanta propaganda política como nesses tempos.
No 1º de Maio desse ano, o primeiro-ministro Vasco Gonçalves lançou a «batalha da produção» e a Carris – já tutelada pela Secretaria de Estado das Obras Públicas, dos Transportes e das Comunicações – passou a incluir propaganda no verso dos minúsculos bilhetes vendidos a bordo dos autocarros e eléctricos da cidade de Lisboa. Não se sabe muito bem da sua eficácia, porque as únicas pessoas que costumavam olhar para os bilhetes eram os caçadores de capicuas. Supostamente davam sorte, mais sorte do que a que teve a Batalha da Produção.






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