EPHEMERA EM VISEU – ASSINATURA DO PROTOCOLO DE COLABORAÇÃO COM O INSTITUTO POLITÉCNICO DE VISEU (6 DE NOVEMBRO DE 2020)

Foi assinado, no dia do 40º aniversário do Instituto Politécnico de Viseu (IPV),  um protocolo de colaboração entre o IPV e a Associação Cultural Ephemera (ACE). Esse protocolo abre caminho ao IPV ser o ponto de recolha de EPHEMERA em Viseu (funcionando desde já em complemento de outro local onde podem ser deixado os materiais, o café-bar Faces no centro da cidade, depois transferidos para o IPV), garantindo a sua guarda e uma equipa de profissionais que asseguram o seu tratamento, inventariação e organização. O Ephemera, em contrapartida, divulgará esse material e realizará em conjunto com o IPV uma série de iniciativas (exposições, conferências, debates, etc,) relacionadas com o seu trabalho de salvaguarda da memória . Em breve terá um anexo sobre o apoio informático do IPV ao Ephemera.

O protocolo foi assinado por João Monney Paiva pelo IPV e Jose´Pacheco Pereira pela ACE.

 


 

JORNAL DO CENTRO, 6 de novembro de 2020

Politécnico de Viseu une-se à Ephemera para que a História não se apague

por Redação

Fotos de  Igor Ferreira

Arquivar para que o futuro não esqueça o passado. .O foco da Associação Cultural Ephemera passa muito por esta ideia e Viseu vai ter a partir de hoje um núcleo Ephemera. Está oficialmente assinado o protocolo entre Politécnico de Viseu e Associação Cultural Ephemera para que a instituição de ensino superior passe a ser um ponto de recolha e organização dos mais diversos materiais para a biblioteca/arquivo Ephemera.

José Pacheco Pereira, mentor do projeto Ephemera, referiu, na cerimónia que serviu para selar o protocolo entre IPV e Ephemera, não ter um “único momento de aborrecimento”, quando recebem os mais variados materiais, que vão desde simples papéis, a cartazes políticos, livros, fotografias panfletos publicitários e até pacotes de rebuçados. A ideia presente é de que tudo importa, porque, dizem, tudo é história. Para isso contam com o trabalho de voluntários um pouco por todo o país. “Em Viseu são pelo menos vinte”, assegurou o historiador e investigador ao Jornal do Centro.

Viseu é a partir de agora um ponto recolha. “Muitas vezes as pessoas falam de outros objetivos como a capacidade para inventariar, investigar e tratar os arquivos. Mas se os artigos não forem salvos, desaparecem. E sabemos que, todos os dias, em Portuga, milhares e milhares de documentos desaparecem. A nossa prioridade é salvar. E o arquivo Ephemera tem uma vantagem que é ter postos de recolha em todo o país. Isso dá-nos uma rede fina a que o acrescento de Viseu é relevante. Viseu é uma cidade antiga, com um importante papel social, cultural e económico. Necessariamente tem muitos fundos que nos podem interessar”, assinalou Pacheco Pereira.

O Ephemera, diz o mentor do projeto, não quer ser concorrência a outros arquivos. “Nós temos características próprias, temos vantagens que outros não têm, mas não somos competitivos, sejamos bem claros. O que dizemos é que, entre ter uma correspondência familiar, documentos de uma empresa, fotografias que são relevantes, do ponto de vista da memória e da história, em casa ou darem-nos, eles estão muito mais seguros dentro do Ephemera”, defendeu Pacheco Pereira. O historiador refere-se ao Ephemera como um “arquivo de natureza diferente, completamente independente e autónomo que não tem um tostão que o comprometa”.Além destas características, diz Pacheco Pereira, este é um arquivo “que recolhe coisas que ninguém recolhe”. “As pessoas perguntam-nos: isso interessa? Respondemos sempre que sim. Depois vemos. A nossa experiência diz-nos que as coisas que as pessoas não dão valor, a uma dada altura são muito relevantes”. E deu um exemplo. “Uma altura tivemos uma oferta de panfletos de publicidade de supermercados com dez ou vinte anos. E um nosso amigo que trabalha na história do design disse-nos que aquilo era relevante para a história económica, com os preços, para o estudo da iconografia e é relevante para percebermos como evoluiu o comércio de massas”, descreveu. Na cerimónia de apresentação do núcleo de Viseu da Ephemera, o presidente do IPV, João Monney Paiva referiu-se à importância de um arquivo histórico estar ligado a uma instituição de ensino superior. O presidente do IPV aproveitou para lamentar, ainda, que em Portugal ainda não se arquivem mais documentos. João Monney Paiva referiu que, no seu entender, há, no nosso país, “pouco apreço à memória”. A inauguração do Núcleo de Viseu da Ephemera integra-se no Programa de Comemorações dos 40 Anos do Politécnico de Viseu.

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