EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – TONE TLIM-TLIM (19 DE JANEIRO DE 2021)

A Revista Missões de Angola e Congo era uma revista de missionários que circulava no continente e que tivera a intenção, definida pelo seu fundador Padre Alves Correia, não só de popularizar a acção missionária, como de a modernizar por comparação com as missões protestantes. Estas últimas actuavam muito para além do ensino do catecismo e das conversões ao cristianismo e exerciam uma acção social significativa. Mas, em 1939, a distinção entre ser missionário e ser indígena, preto, fazia toda a diferença. A capa da revista mostra o missionário numa pose muito comum, o vento empurrando a batina de um homem só, vestido com chapéu colonial, olhando o horizonte. Nas fotografias, de Salazar a Mao Zedong, esta era uma postura muito comum, implicando poder e solidão, humanizando o poder pela solidão. Mas lá dentro da revista vem o alvo da missão: o preto, neste caso numa banda desenhada infantil cuja personagem central tem o nome de “Tone Tlim-Tlim”, uma espécie de onamatopeia que não chega a ser nome. A representação simiesca, a tanga e o pé descalço, contribuem para para degradar ainda mais a personagem. Os de cima, os missionários brancos, e os de baixo, os pretos,  não se confundem e isso está na base do colonialismo.

Seja o primeiro a comentar

Leave a Reply