EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – NEM DE ESTACA NEM DE ESTAFERMO (4 DE FEVEREIRO DE 2021)

Num livro curioso em que Júlio Dantas coligiu uns folhetins que tinha feito para a Capital em 1915 intitulado  O Amor em Portugal no Século XVIII fala-se, entre outras formas de “namorar”, no namoro de “estaca e estafermo” (e da prática do beliscão nas igrejas…). Dantas descrevia-o assim:

Ela de casa, espreitando pelo postigo da rótula; ele da rua, quase sempre num pé só, estendendo o pescoço para a janela como um peixe de Santo António. O faceira encostava-se à parede? Namorava «de estaca». O faceira ficava no meio da rua, espetado como um boneco de picadeiro? Namorava «de estafermo».

Todo livro está cheio de descrições divertidas de como “toda a Lisboa” namorava. Por um daqueles estranhos mecanismos de associação, estes postais do início do século XX, cuidadosamente guardados num album de laca japonês, lembram o de “estaca e de estafermo”, talvez por causa da janela. Estes já estão lá dentro, a namorada e o estafermo, ou já casaram para virem nesta postura à janela. E ainda há os pombinhos. Como o mundo era feliz nestes anos! Pelo menos nos postais.

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