EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – “ANDA CÁ, Ó PRETO” (7 DE FEVEREIRO DE 2021)

 

Em 1966, a Federação Nacional para a Alegria do Trabalho (hoje INATEL), uma das instituições criadas pelo Estado Novo nos anos trinta ao modelo italiano e alemão, resolveu organizar uma viagem a Angola para “trabalhadores”. As viagens recreativas às colónias não eram tão vulgares como se pensaria e eram quase sempre enquadradas pelas instituições do regime. Neste caso, o prospecto com instruções veio parar ao ARQUIVO EPHEMERA, e parecia um papel trivial e pouco interessante. Como nós sabemos muito bem que o Diabo se esconde nos detalhes, fomos lê-lo. Há prevenções para não se nadar nos rios “por estarem quase todos infestados de jacarés”. Não se deve “penetrar no capim” porque está cheio de animais perigosos e, acima de tudo, “não se deve cortar ramos da planta do café” porque escondem “uma pequenina cobra extremamente venenosa”. Estamos conversados quanto aos perigos da natureza.

Agora, os dos homens: “por ser considerado ofensivo, ao pretender referir-se  a “pretos” não deve utilizar a palavra “negros”. Ou seja podia-se dizer “anda cá, ó preto” e não “anda cá, ó negro”. Sempre a aprender.

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