EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – OS MAPAS SÃO PERIGOSOS (13 DE FEVEREIRO DE 2021)

 

Paul Reynaud, à época Primeiro-Ministro da França e Summer Welles, Subsecretário de Estado americano, homem de confiança de Roosevelt, encontraram-se em França em plena guerra e fizeram capa na Illustration. Pouco tempo depois, tudo mudou, Reynaud demitiu-se para ser substituído por Pétain e Summer Welles, por causa de um escândalo homossexual. Mas, a verdadeira personagem desta história, é o mapa que está lá atrás.

Sabemos que os mapas são muito delicados do ponto de vista político, e aquele provocou uma tempestade diplomática. Primeiro, houve uma tentativa canhestra de negar que o mapa estava lá durante o encontro, depois foi a afirmação mais consistente de que estava mas não teve nada a ver com as conversações. Mas a Hungria protestou, a Itália protestou, a Alemanha protestou, cínica sobre as intenções da “plutocracia” de desmembrar a Alemanha, –  a Checoslováquia e a Aústria surgiram com as suas fronteiras antes do Anschluss. Um jornal alemão escreveu “os povos jovens criarão uma Europa nova, os povos jovens e a espada alemã”. O regime fascista foi particularmente vocal porque a Itália ficava sem a Veneza juliana e sem a Istria, O Popolo di Roma escrevia que as “fronteiras naturais” da Itália só seriam mudadas “à custa de sangue”.

Em Portugal, o Diário da Manhã e a Emissora Nacional deram grande relevo à polémica do mapa, mas como Portugal aparecia inteiro não houve muita comoção.

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