EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – A PERDA DA INOCÊNCIA (15 DE FEVEREIRO DE 2021)

Eu sei que o postal quando foi feito era inócuo. Não tem nenhuma indicação atrás, mas deve datar dos anos 30 do século XX, e não se conhecem versões sobre médicos, advogados, professores, etc., só “engenheiro”, talvez porque essas outras profissões não rimassem com “dinheiro”. E é verdade, embora não abundassem, os engenheiros ganhavam muito dinheiro e tinham as portas abertas para cargos importantes nas fábricas, na mineração, nas empresas na administração e na política. Faziam parte da elite da elite a que uma profissão dava acesso. O Instituto Superior Técnico que o diga. Mas hoje, justa ou injustamente, um menino a dizer que tem cara de engenheiro sabe-se lá porquê – porque a cara que tem é de bebé Nestlé – e a dizer “vou ganhar muito dinheiro” faz-nos lembrar o “outro”. Daqui a uma geração já não vai ser assim, o que mostra que determinadas associações pouco inocentes ficam presas nas pessoas de um tempo e de um espaço. E ninguém pense que é possível evitá-las. Isto é a ironia da história.

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