EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – TODOS DEMASIADO DIREITINHOS (20 DE FEVEREIRO DE 2021)

Esta fotografia é do Orfeón (assim mesmo) Académico de Coimbra em 1918. Confesso toda uma série de preconceitos que vêm ao de cima quando vejo fotografias como esta. Todos direitinhos, simétricos, face com face, a elite da nação, num ano terrível para a maioria dos portugueses, entre a gripe espanhola, a guerra na Flandres e a carestia de vida. . Também estão todos vestidos de padres, que é o que é o “traje académico”. Nos meus tempos “académicos”, tumultuários e subversivos, na Universidade do Porto, como em Lisboa, ninguém que se prezasse vestia-se assim. Hoje é uma desgraça, praxe e “traje académico” é por todo o lado. A justificação mais politicamente correcta para andar vestido à padre ou clérigo, é garantir uma igualdade entre estudantes ricos e estudantes pobres, escondida por detrás da uniformidade da sotaina. Apetece dizer eufemisticamente a “b. word”. O que é, é outra coisa como se pode ver num regulamente da praxe em vigor cem anos depois, o “Doutor tem razão”. Os mais de uma centena de Doutores do Orfeón é o que dizem. Na verdade, não há progresso. (José Pacheco Pereira)

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