EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – TÃO 1934, TÃO 1934… (23 DE FEVEREIRO DE 2021)

Corria o ano de 1934, o ano de verdadeira consolidação do Estado Novo, entre revoltas, prisões e um ano depois da Constituição da ditadura que nos regeu até 1974. Humberto Cruz fez o primeiro voo de Lisboa-Timor-Lisboa, em grande parte subsidiado por privados. Comprou-se o avião em Inglaterra, pintou-se nas asas a Cruz de Cristo e a frase “Com Deus pela Pátria”, e lá se foi pelos céus fora, de escala em escala, até chegar a Díli. Ali, o avião foi pintado com pinturas “indígenas” e outras feitas por um “chino”. Regressou em Dezembro e, em Lisboa, foi a apoteose até porque o voo era difícil e de monta  e a Pátria precisava de heróis, sem desprimor para o valente Humberto Cruz. Esta fotografia e a sua legenda sobre as “expressões bem portuguesas”, uma da mulher com a sua “modéstia honrada” e outra do homem “alegre e despretensioso”, é que são tanto, tanto da época … Se calhar engano-me, porque num desses programas televisivos de domingo nas terras do interior algum daqueles senhores e senhoras do palco era capaz de dizer a mesma coisa. Com outras palavras, claro.

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