EPHEMERA DIÁRIO (2ª SÉRIE) – O QUE NÃO É CÓMODO ESCONDE-SE (7 DE MARÇO DE 2021)

Não encontrarão qualquer referência a este jornal clandestino em qualquer publicação do PCP sobre a sua história. E, no entanto, trata-se de um orgão legítimo, publicado pela direcção legítima do partido, com a colaboração anónima, entre outros, de Álvaro Cunhal. No seu primeiro número, explica que sairá em vez do Avante!, cuja tipografia tinha sido assaltada, e que será retomado logo “que as condições de publicação” do órgão oficial existam.

Qual é, pois, o problema com o Em Frente!? Quando saiu, em 1940, estava em vigor o Pacto Germano-Soviético e isso significava que a Internacional Comunista impunha uma linha de “neutralidade” entre os dois “imperialismos”, o das potências do Eixo e os Aliados, ou seja, entre a França e Inglaterra e a Alemanha e Itália. O PCP seguiu sem hesitação essa posição, que o isolava  do resto da oposição à ditadura que era aliadófila e hostil aos alemães. Não era segredo para ninguém esta orientação “neutral”, visto que Cunhal publicou um artigo legal cujo título dizia “nem Siegfried, nem Maginot”, as duas linhas de fortalezas defensivas entre a Alemanha e a França. Eram todos iguais… O problema é que tudo isto parecia, na prática, para quem lia na altura e para quem lê hoje, mais próximo da Alemanha do que da França e da Inglaterra…

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