GRIIITO – GRUPO DE REFLEXÃO E INTERVENÇÃO SOBRE INTERNATOS E INSTITUIÇÕES TUTELARES E ORFANATOS

Uma visita das “autoridades” a um asilo de crianças antes do 25 de Abril.

Entrou no ARQUIVO EPHEMERA, com origem numa recolha no MIRA no Porto, um conjunto de materais originais do Grupo de Reflexão e Intervenção em Instituções Tutelares e Orfanatos (GRIIITO)Este espólio inclui documentos internos, relatórios, entrevistas, artigos, publicações religiosas, livros, recortes sobre a institucionalização de crianças.

Aiguns exemplos:

 

ANEXO: DEPOIMENTO DE MILICE RIBEIRO DOS SANTOS (Página de Educação, 135, 2004)

Um GRIIITO abafado

Em 1983, a Milice e um grupo que reunia mais catorze pessoas criaram o Grupo de Reflexão e Intervenção em Instituções Tutelares e Orfanatos (GRIIITO). Qual era o âmbito de intervenção desse grupo?

O objectivo da criação do GRIIITO era o de denunciar publicamente o que se passava em algumas destas instituições, já que tínhamos consciência de que a opinião pública as desconhecia, e intervir junto das entidades responsáveis para transformar estas situações gritantes.
Para realizar esse trabalho tivemos de ser nós próprios a fazer investigação porque não havia dados centralizados e a própria Segurança Social não nos sabia dar respostas concretas. Aliás, só há menos de cinco anos é que se sabe o número total de crianças internadas nestas instituições em Portugal e não há, de facto, um estudo sério nem sobre as crianças nem sobre estas instituições.

Que resultados práticos obtiveram a partir dessas denúncias?

Na altura apresentamos queixas públicas junto do Curador de Menores, na Assembleia da República, nos Tribunais, na Segurança Social e denunciamos a situação nos órgãos de comunicação social.
Os resultados não foram nada satisfatórios. Pode dizer-se que obtivemos algumas e pequenas melhorias em instituições – para as quais nos oferecemos para fazer formação em regime de voluntariado. Todavia, julgo que a principal vitória foi o facto de a Tutoria do Porto ter acabado com uma cela de isolamento existente com condições desumanas, perfeitamente deploráveis. Mas devo admitir que foi muito pouco em relação ao nosso investimento.
Reinava o medo e as denúncias eram tão difíceis que mesmo pessoas com responsabilidades profissionais directas nos contactavam, em segredo, e  nos indicavam situações que deveriam ser denunciadas.
Nessa altura chegamos inclusivamente a recear pela nossa segurança, de tal forma nos tornamos incómodos.

O que aconteceu ao GRIIITO?

Com tanta energia dispendida e tão poucos resultados obtidos, não tivemos força anímica e física para continuar esta tarefa. Continuamos a interessar-nos por este problema, mas não como grupo activo. Duas de nós – incluindo eu própria – fizemos a tese de mestrado sobre esta área e outra companheira abordou temas que focavam esta problemática no seu trabalho de final de curso. Esta  luta continua premente, por isso, são precisos mais griiitos.

Entrevista conduzida por Ricardo Jorge 

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