ARQUIVO EPHEMERA – O RITMO AVASSALADOR DAS ENTRADAS

Diploma de Marcello Caetano.

A palavra “avassaladora” não foi escolhida por acaso. É mesmo assim, um ritmo e dimensão de entradas por doação ao ARQUIVO EPHEMERA que temos tido dificuldade sequer em noticiar. Materiais vêm do Porto, de Viana, de Braga, de Aveiro, de Torres Vedras, de Lamego, de Viseu, são entregues em Lisboa na Ler Devagar e nos armazéns do Barreiro, chegam pelo correio ao Barreiro e `Vila da Marmeleira, são-nos entregues na rua, num debate, em todo o lado. Desde camionetas cheias de caixas, até uma pequena pasta.

É um factor de grande contentamento, cada doação significa algo que não se perdeu, nem se vai perder. Podemos atrasar a notícia, – com o imperdoável  atraso nos agradecimentos, – podemos demorar a organizar e inventariar, mas a nossa prioridade em tempos de grande destruição, é salvar, salvar, salvar. E nós sabemos muito bem o que todos os dias desaparece.

Isso não significa que tudo o que entra estava em risco de se perder, muitas vezes as doações são feitas pelo reconhecimento do nosso trabalho, e os materiais já vem inventariados e organizados. Mas há muita coisa que efectivamente se perderia se não a fossemos buscar, a casas abandonadas, garagens onde alguém que faleceu guardou a memória da sua vida, casas ou apartamentos que foram vendidos, pequenos clubes de bairro que foram despejados pela gentrificação.

A opção pelo carácter “omnívoro” do ARQUIVO EPHEMERA, muitas vezes suscitando alguma perplexidade, também se revela uma vantagem. É verdade que, em particular nos livros, entra muita coisa repetida, mas nos papéis não há repetições, embora a sua relevância varie. Nem tudo, livros e papéis é “importante”, mas temos muito treino em encontrar informação e interesse onde menos se espera. Por exemplo, no interior de missais, em aerogramas da guerra colonial, em vídeos familiares, num espólio de um boxeur, num manuscrito de poemas, em stencis usados para fazer grafitos, ou num reclame de uma farmácia antiga. É este nosso trabalho, dos voluntários do EPHEMERA, que nos permite dizer que “não temos um momento de aborrecimento”.

Nas próximas semanas vamos aqui dar prioridade à notícia e a agradecimento dessas entradas.

 

Finanças de Angra do Heroísmo e Terceira (século XIX).

Recorte de artigo de Adelino Torres.

Carta anti-Galvão enviada por Delgado (anos 60).

Manual de luta (anos 20?).

Life em espanhol (1955).

Cartaz turístico suiço (anos 60).

“Aprender a Ler” (1866).

Scrapbook sobre vaículos e transportes.

 

Fotografias dos primeiros dias depois do 25 de Abril no Porto.

Fotografia de um cortejo operário (1966).

Fotografia de uma colónia de férias.

Fotografia das ruínas de um aquartelamento português na Guiné-Bissau.

 

Cartazes.

 

Lápis de cor.

Foice artesanal.

Jerrycan do Exército americano, II Guerra Mundial.

Objectos.

Brochuras e livros.

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