MOÇÕES APROVADAS NO REGIMENTO DE POLÍCIA MILITAR (13 DE AGOSTO DE 1975)

“Há precisamente 47 anos, a 13 de Agosto de 1975, o país estava em pleno “Verão Quente”, à beira da guerra civil. Nesse dia, houve três atentados à bomba em Lisboa, um deles na embaixada de Espanha. Militares fardados, do movimento Soldados Unidos Vencerão (SUV, próximo dos Partido Comunista Português) desfilaram em manifestação.
E o COPCON (Comando Operacional do Continente), liderado por Otelo Saraiva de Carvalho, fazia sair um documento, “Autocrítica revolucionária e proposta de trabalho para um programa político”, onde propunha para Portugal “um modelo assente no poder popular basista”. Apoiado por militares cujo pensamento política se situava no campo da extrema-esquerda, referia propostas semelhantes a alguns partidos como o Partido Revolucionário do Proletariado/Brigadas Revolucionárias (PRP/BR), o Movimento de Esquerda Socialista (MES) e também a União Democrática Popular (UDP).
O documento, redigido por Mário Tomé, Segundo Comandante do Regimento de Polícia Militar, foi a resposta ao “Documento dos Nove”, publicado a 7 de Agosto no Jornal Novo e traduzindo a posição de um grupo de oficiais moderados, liderados por Melo Antunes. Que, por sua vez, era uma resposta às teses políticas do Documento “Aliança Povo/MFA”, apresentado a 8 de Julho, e próximo das teses do PCP.
Nesse dia 13 de Agosto, três moções foram aprovadas por braço no ar e aclamação no próprio Regimento de Polícia Militar, todas elas na linha do documento do COPCON e onde se refere, nomeadamente, que os seus efectivos “estão ao lado da classe operária e camponesa na luta que esta trava e que a levará fundamentalmente a avançar na Revolução Popular que porá termo à ditadura da burguesia e fará cair por terra o sistema capitalista, único caminho para a constituição de um Governo de uma Assembleia verdadeiramente populares e que salvaguardará o nosso País das interferências dos dois imperialismos que, neste momento aqui disputam a sua hegemonia”.
Pedro Raimundo, à altura oficial miliciano na Polícia Militar, estava lá. Guardou as moções postas à votação e acaba de as entregar ao Ephemera, o maior arquivo privado do país. Obrigado!”

1 Comment

  1. No texto refere que os SUV eram próximos do PCP. Não está correcto. Os SUV defendiam o Poder Popular, contrariamente à linha seguida pelo PCP

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