EM CONSTRUÇÃO
A falta de tempo nestes dias de Abril a Julho, com imensas solicitações por todo o país e fora dele, tem atrasado a notícia sobre importantes espólios e acervos entrados no ARQUIVO EPHEMERA, na sua maioria por doação, e nalguns casos por aquisição. Alguns destes espólios e acervos já tinham começado a ser entregues parcialamente e agora entrou um novo conjunto.
Aqui segue um primeiro inventário do que tem entrado, ainda muito incompleto.
DIAS, CARLOS CARVALHO (1929-2024)

Biografia da Ordem dos Arquitectos
Carlos Carvalho Dias nasceu em Viana do Castelo, onde o seu pai era dono de uma livraria, tendo-lhe incutido o gosto pela leitura. Formou-se em Arquitetura em 1957, na Escola Superior de Belas Artes do Porto, com a classificação final de 19 valores.
Entre 1955 e 1956 participou, como arquiteto estagiário, no trabalho da equipa do Inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa, da zona 2, Trás-os-Montes e Alto Douro, liderado por Octávio Lixa Filgueiras e da qual também fazia parte Arnaldo Araújo. Reuniu e organizou anotações, desenhos, imagens e depoimentos que vieram a ser publicados no livro Arquitectura Popular em Portugal em 1961. Em 2010, revistou o seu trabalho no livro Memórias de Trás-os-Montes e Alto Douro: nos 55 anos do “Inquérito à Arquitectura Regional Portuguesa”.
Integrou o Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal do Porto (1957-68), onde trabalhou sob a orientação do Professor Robert Auzelle. Foi seu assistente na organização e direção de uma das secções do curso de verão da União Internacional dos Arquitetos na Escola Superior de Belas Artes do Porto, em 1958. Na sua qualidade de arquiteto-urbanista, Carvalho Dias foi consultor de vários municípios do Norte de Portugal, como Vila do Conde, Póvoa de Varzim, Chaves, São João da Madeira, Esposende e Braga, entre outros.
Em 1973, a convite dos Professores Percy Johnson-Marshall, da Universidade de Edimburgo, e Manuel Costa Lobo, do Instituto Superior Técnico, colaborou na equipa que concebeu o Plano da Região do Porto, concluído em 1975. Em 1984, participou na organização do Congresso Internacional de Urbanistas em Portugal, que se realizou em Braga.
Integrou o Governo de Macau, dirigido pelo Professor Pinto Machado, de 15 de junho de 1986 a 8 de julho de 1987, com a pasta do Equipamento Social. Envolveu-se em decisões marcantes para o futuro do território, como a localização do novo aeroporto, a criação do “Museu da Marinha” e do “Laboratório de Engenharia Civil de Macau”. Deu um contributo decisivo para a conclusão do Plano de Urbanização e a apresentação de Macau a Património Cultural Mundial.
Também contribuiu, como vogal do “ICOMOS” (International Council on Monuments and Sites) para que o Centro Histórico do Porto fosse incluído na lista dos sítios classificados como Património Cultural Mundial em 1996.
Entre 1989 e 1997 colaborou com a Fundação Oriente, na área do património, tendo o seu trabalho incidido em particular sobre Goa. Foi também docente universitário, como Professor Auxiliar Convidado da Universidade Lusíada, entre 1989 e 2007, responsável por várias disciplinas de Urbanismo e Arquitetura.
Em 1983, em Coimbra, foi um dos fundadores da Sociedade Portuguesa de Urbanistas, atual Associação dos Urbanistas Portugueses, de que é membro honorário, tal como da Associación Española dos Técnicos Urbanistas e da Ordem dos Arquitetos.
Ver ARQUIVO – ENTRADA DE ESPÓLIOS – ARQ. CARLOS CARVALHO DIAS (1924-2024)
GOMES, ANTÓNIO SOUSA (1936-2025)

António Francisco Barroso de Sousa Gomes (Lisboa, 28 de janeiro de 1936 — 20 de fevereiro de 2015) foi um gestor e político português. Ocupou diversos cargos em governos portugueses.
Biografia
Licenciado em Engenharia Mecânica, pelo Instituto Superior Técnico e pós-graduado em Gestão, pela Universidade de Stanford.[carece de fontes]Anteriormente, ocupou cargos como o de Ministro do Plano e Coordenação Económica (entre 1976 e 1978), Ministro das Obras Públicas e Habitação (entre 1978 e 1979) e Ministro da Indústria (em 1977).[carece de fontes]
A 24 de Agosto de 1985 foi feito Comendador da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial Classe Industrial.[1]
Em 1992 assumiu o cargo de presidente do Conselho de Administração da Cimpor – Cimentos de Portugal.[carece de fontes]
Funções governamentais exercidas
I Governo Constitucional
Ministro da Indústria e Tecnologia
Ministro do Plano e Coordenação Económica
II Governo Constitucional
Ministro da Habitação e Obras Públicas
HOMEM, FRANCISCO BARROS TEIXEIRA
LEAL, JOÃO CRISÓSTOMO GOMES BAÇÃO (1942-1965)

José Crisóstomo Gomes Bação Leal (Lisboa, 1 de julho de 1942 – Nampula, 1 de setembro de 1965) foi um militar e poeta português.
Era filho do médico João Bação Leal e de Maria Emília Gomes. Desde cedo se interessou por literatura, filosofia e política.Talvez devido ao divórcio dos pais, acabou a frequentar o Colégio Militar entre 1954 e 1958,[3] o que veio a ser determinante na formação da sua personalidade. Convocado para a tropa, frequentou a Escola Prática de Infantaria em 1963/64.
Com o posto de alferes miliciano do Exército, foi destacado para a guerra colonial em Moçambique, onde morreu em combate com apenas 23 anos.
De formação católica, os seus poemas e cartas que foram editados postumamente revelam uma inflexão para o socialismo marxista. Em 1971, a sua mãe promoveu a edição do livro Poesias e Cartas, uma recolha de textos com prefácio de Urbano Tavares Rodrigues. Nele se incluem os poemas que a mãe salvou de serem queimados pelo autor antes do seu embarque para Moçambique. Este livro, em edição sem chancela, foi um sucesso na Feira do Livro, mas acabou apreendido e proibido pela Censura. Foi reeditado em 2014, em edição facsimilada, pelo jornal Público. Poemas seus constam na Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial, de Margarida Calafate Ribeiro e Roberto Vecchi, de 2011.
Um documentário de 53 minutos dedicado a José Bação Leal, intitulado “Poeticamente Exausto, Verticalmente Só”, foi realizado entre 2003 e 2007 por Luísa Marinho. Está disponível online em versão integral, em http://vimeo.com/25109453, com o trailer no YouTube.
NOBRE, HUMBERTO JACINTO DA SILVA
Sobre a primeira parte do Espólio entrado ver ARQUIVO – ESPÓLIO DE HUMBERTO SILVA NOBRE
PAULINO, LUIS GONÇALVES – BORGES, MARIA ISOLINA (1931-2007)
Biografia da Faculdade de Psicologia (Porto)
Maria Isolina Pinto Borges, professora catedrática da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade do Porto, nasceu em 1931. Formou-se em Ciências Histórico-Filosóficas em 1961 pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra com uma tese intitulada “Associação protectora da criança contra a crueldade e o abandono”. Trabalhou em Psicologia Clínica no Centro de Saúde Mental do Porto. Entre 1969 e 1971 estagiou nos Services Médico Pédagogiques de Genève, tendo frequentado aulas no Instituto Jean Jacques Rousseau, no qual frequentou aulas de “Inteligência e Percepção” com Jean Piaget. Em 1971 foi contratada como assistente eventual do Curso de Filosofia da Faculdade de Letras do Porto, na qual leccionou até 1976. Em 1981 defendeu uma tese de doutoramento intitulada “A organização do objecto e os primeiros meses da vida da criança” sob a supervisão de David Ingleby, da Universidade de Cambridge. Aprovada em provas de agregação em 1990, tomou posse como professora catedrática em 1991. No período entre 1977 e 1993, assegurou a docência continuada de Psicologia de Desenvolvimento na licenciatura em Psicologia. A maior parte da investigação realizada centrou-se na área do desenvolvimento infantil concebida numa perspectiva cognitivo-desenvolvimental, tendo nos últimos anos revelado um interesse pela história da Psicologia em Portugal, o que remete para a sua formação de licenciada em ciências Histórico-Filosóficas. Aposentou-se em 1993 e faleceu em 2007.
PINTO, CLOTÁRIO LUÍS SUPICO (1909-1990)

Filho de Liberato Damião Ribeiro Pinto, militar e político da Primeira República Portuguesa, e de sua mulher Maria Augusta Supico, era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Nasceu na freguesia dos Anjos, em Lisboa, a 28 de junho de 1909, tendo sido batizado a 4 de dezembro do mesmo ano.[
Foi deputado à Assembleia Nacional, Secretário do Ministro do Interior, Henrique Linhares de Lima (1934-1936), Vice-Presidente do Conselho Técnico Corporativo do Comércio e da Indústria (1936-1940) e a 28 de Agosto de 1940 foi nomeado Subsecretário de Estado das Finanças (1940-1944). A 6 de Setembro de 1944 substituiu Rafael Duque no cargo de Ministro da Economia, cargo que exerceu até à remodelação ministerial de 4 de Fevereiro de 1947.
Apesar de ter sido indigitado para o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, não voltou ao governo, mas manteve-se muito próximo de Salazar, sendo membro destacado da União Nacional (a partir de de 1952, é membro da Comissão Executiva da União Nacional e, de 1957 a 1959 passa a integrar a Comissão Central daquela instituição) e procurador à Câmara Corporativa durante largos anos. Foi membro vitalício do Conselho de Estado e conselheiro privado de Salazar. Foi administrador de grandes companhias africanas.
Exerceu altos cargos de direcção como Administrador da Sociedade Agrícola Algodoeira e Membro do Conselho de Administração da Companhia de Seguros Bonança (entre 1947 e 1962).
Morreu a 26 de abril de 1990, na freguesia do Sacramento, concelho de Lisboa.
Família
Casou em Lisboa, na casa da noiva, freguesia dos Mártires e área da 6.ª Conservatória do Registo Civil, a 4 de Abril de 1945 com Cecília Maria de Castro Pereira de Carvalho, fundadora e presidente do Movimento Nacional Feminino, de quem não teve descendência. Tiveram por padrinho de casamento Pedro Teotónio Pereira.[2] Da atriz Maria Lalande teve uma filha natural, Isabel Maria Supico Pinto (Lisboa, 26 de Outubro de 1942), casada civilmente em São Paulo, São Paulo, a 9 de Junho de 1976 com Vasco Maria Vasques da Cunha de Eça da Costa e Almeida, 3.º Visconde de Maiorca, de quem foi segunda mulher, sem geração, e com geração de Francisco Pinto Balsemão.Condecorações
Oficial da Ordem de Benemerência (6 de Julho de 1936)
Grande-Oficial da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo (30 de Abril de 1942)
Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo (5 de Fevereiro de 1948)
Referências
«Livro de registo de batismos da Paróquia dos Anjos, Lisboa (1909 – 2)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 220 e 220v, assento 555
«Livro de registos de casamento da 6.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (01-01-1945 a 20-05-1945)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 124 e 124v, assento 123
«Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de “Clotário Luís Supico Pinto”. Presidência da República Portuguesa. Consultado em 20 de fevereiro de 2015
RAN EDITORA / TIPOGRAFIA [RAÚL DE ALMEIDA NUNES]
RIBEIRO, CLAÚDIA E FAMÍLIA NUNES MOITA

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