PAPÉIS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA ANTES DO 25 DE ABRIL. (4) CLUBE DOS JOVENS TRABALHADORES PORTUGUESES DE PARIS

CLUBE DOS JOVENS TRABALHADORES PORTUGUESES DE PARIS (CJTPP)

As primeiras iniciativas para formar o Clube datam de 1968, “por um grupo de jovens que queriam lutar contra o isolamento e desenvolver e praticar a cultura e desporto populares” (1). No entanto, apenas entre Abril e Outubro de 1969 foi formado em Ivry, primeiro na rua Cristophe Colomb, 25, e depois na rua Paul Bert, 13. Ambos os locais eram pertença de igrejas (o primeiro da igreja protestante; o segundo, a cripta da igreja católica.) Um dos seus fundadores refere que

em Ivry, cuja edilidade era afecta ao partido comunista francês, nunca foi possível beneficiar das infra-estruturas da vila porque os membros activos da direcção do Clube eram vistos pelo presidente da Câmara e pela maioria dos responsáveis da câmara como simples esquerdalhos.

Na verdade, muitos dos fundadores e activistas do Clube estavam ligados ás actividades do jornal O Salto e ao Movimento dos Trabalhadores Portugueses Emigrados (MTPE), conduzidas por membros no exílio e na emigração do PCP(ML). Durante uma fase inicial a cobertura legal para a sua actividade era a da Liga Portuguesa do Ensino e da Cultura.

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(O Salto, 19, Julho de 1973)

O clube tinha actividades político-culturais muito intensas e participava na rede de organizações do MTPE,   no Coro “1º de Maio” e na Equipa de futebol “1º de Maio”. O Grupo de Teatro do CJTPP estava no centro de muitas dessas actividades. Entre as peças que representou conta-se a “Farça do Mestre Patelão”, “A Lua Vai Nascer”,  e “O Emigrante” (de autoria própria).  O Grupo veio mais tarde,  por decisão da CD do MTPE, a tomar o nome de Grupo de Teatro  José Gregório e tornou-se independente.  José Barros, um dos seus dirigentes, recorda o papel muito activo do grupo de teatro:

“O teatro deve ser a que mais  marcas deixou. Primeiro porque se  escreveram várias peças, depois   pelo número de representações, e   sempre com excelente sucesso.   Nos poucos anos de existência,  o grupo escreveu uma peça sobre  a emigração, intitulada O Emigrante,  pois claro, uma sobre a guerra  colonial, mais particularmente de  apoio ao PAIGC, outra sobre a  Catarina Eufémia e enfim uma tradução  da obra de Brecht, A Mãe, segundo o romance de Gorki. Esse  trabalho de redacção fazia-se na  sequência de muitas reuniões em  que o grupo participava, verdadeiras  sessões de aprendizagem.  Várias vezes tivemos connosco  actores profissionais, do Teatro do  Soleil e de outros grupos, que para  nosso enriquecimento traziam os  seus conhecimentos e experiência  de gente do métier.  Quanto às representações o  grupo percorreu algumas cidades  de França, da Bélgica e da Holanda.  Em França, a primeira representação  da peça sobre a Catarina  Eufémia, em Paris, na Maison Verte,  na presença de familiares de  Catarina Eufémia e de muita gente  de Baleizão, deixou uma recordação  viva com o debate que se  seguiu, suscitando ânimo no grupo  para novas empresas. Em Roterdão   deu-se a estreia da peça sobre a   guerra colonial, na presença de  uma assistência importante de  caboverdianos e guineenses. Esta  deixou uma recordação particular:  a “Conceição”, que representava  uma africana a ser maltratada,  naquele dia foi mesmo chicoteada  a sério, porque o intérprete do chicote  perdeu o senso de que estava  no palco e a rapariga precisou de  cuidados médicos e o outro saiu  para os camarins meio desmaiado…”(2)

Entre os activistas do CJTPP encontravam-se Fernando Viegas , Vasco Fernandes , Helena Vilaça, José da Silva Barros, Isabel Beires, Rafael Vilaça, Gabriel Oliveira, Luis Fernandes, Car­los Alberto, etc.

Em vésperas do 25 de Abril, o CJTPP foi atravessado pelas divergências e posterior cisão dentro do PCP(ML) do Exterior e mais tarde, com a organização do interior, que deu origem a dois partidos rivais com o mesmo nome. O CJTPP tomou posição contra “Manuel Ribeiro” (Álvaro Vasconcelos) que representava no MTPE o sector ligado a  Heduíno Santos  Gomes /“Vilar” (3)

NOTAS

(1)    “Um Clube de Trabalhadores para Trabalhadores”, O Salto 1, Nov. 1970; C.J.T.P.P., Lista Por um Portugal donde não precisemos de emigrar”, Programa de candidatura para o ano de 1974.

(2)    José Barros, “Episódios do Movimento Associativo na Emigração Face a Abril de 74”, Latitudes, 6, Set. 1999.

(3)    O Clube dos Jovens trabalhadores Portugueses de Paris, A R.I.A. do 27/4/1974 , s.l., s.d.(1974)

COMUNICADOS

Clicar para ampliar.

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Halte às Agressões Fascistas..

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Comunicado conjunto com O Salto,  Janeiro de 1972.

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18-Mai-09 Fotografia (3)18-Mai-09 Fotografia (4)

Proposta do C.J.T.P.P à RIA de Paris, s.d. (1973).

PERIÓDICOS

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A Voz do Clube, Boletim do Clube dos Jovens Trabalhadores de Paris.

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