Posted by: JPP | 18/05/2009

PAPÉIS DA EMIGRAÇÃO PORTUGUESA ANTES DO 25 DE ABRIL. (4) CLUBE DOS JOVENS TRABALHADORES PORTUGUESES DE PARIS

CLUBE DOS JOVENS TRABALHADORES PORTUGUESES DE PARIS (CJTPP)

As primeiras iniciativas para formar o Clube datam de 1968, “por um grupo de jovens que queriam lutar contra o isolamento e desenvolver e praticar a cultura e desporto populares” (1). No entanto, apenas entre Abril e Outubro de 1969 foi formado em Ivry, primeiro na rua Cristophe Colomb, 25, e depois na rua Paul Bert, 13. Ambos os locais eram pertença de igrejas (o primeiro da igreja protestante; o segundo, a cripta da igreja católica.) Um dos seus fundadores refere que

em Ivry, cuja edilidade era afecta ao partido comunista francês, nunca foi possível beneficiar das infra-estruturas da vila porque os membros activos da direcção do Clube eram vistos pelo presidente da Câmara e pela maioria dos responsáveis da câmara como simples esquerdalhos.

Na verdade, muitos dos fundadores e activistas do Clube estavam ligados ás actividades do jornal O Salto e ao Movimento dos Trabalhadores Portugueses Emigrados (MTPE), conduzidas por membros no exílio e na emigração do PCP(ML). Durante uma fase inicial a cobertura legal para a sua actividade era a da Liga Portuguesa do Ensino e da Cultura.

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(O Salto, 19, Julho de 1973)

O clube tinha actividades político-culturais muito intensas e participava na rede de organizações do MTPE,   no Coro “1º de Maio” e na Equipa de futebol “1º de Maio”. O Grupo de Teatro do CJTPP estava no centro de muitas dessas actividades. Entre as peças que representou conta-se a “Farça do Mestre Patelão”, “A Lua Vai Nascer”,  e “O Emigrante” (de autoria própria).  O Grupo veio mais tarde,  por decisão da CD do MTPE, a tomar o nome de Grupo de Teatro  José Gregório e tornou-se independente.  José Barros, um dos seus dirigentes, recorda o papel muito activo do grupo de teatro:

“O teatro deve ser a que mais  marcas deixou. Primeiro porque se  escreveram várias peças, depois   pelo número de representações, e   sempre com excelente sucesso.   Nos poucos anos de existência,  o grupo escreveu uma peça sobre  a emigração, intitulada O Emigrante,  pois claro, uma sobre a guerra  colonial, mais particularmente de  apoio ao PAIGC, outra sobre a  Catarina Eufémia e enfim uma tradução  da obra de Brecht, A Mãe, segundo o romance de Gorki. Esse  trabalho de redacção fazia-se na  sequência de muitas reuniões em  que o grupo participava, verdadeiras  sessões de aprendizagem.  Várias vezes tivemos connosco  actores profissionais, do Teatro do  Soleil e de outros grupos, que para  nosso enriquecimento traziam os  seus conhecimentos e experiência  de gente do métier.  Quanto às representações o  grupo percorreu algumas cidades  de França, da Bélgica e da Holanda.  Em França, a primeira representação  da peça sobre a Catarina  Eufémia, em Paris, na Maison Verte,  na presença de familiares de  Catarina Eufémia e de muita gente  de Baleizão, deixou uma recordação  viva com o debate que se  seguiu, suscitando ânimo no grupo  para novas empresas. Em Roterdão   deu-se a estreia da peça sobre a   guerra colonial, na presença de  uma assistência importante de  caboverdianos e guineenses. Esta  deixou uma recordação particular:  a “Conceição”, que representava  uma africana a ser maltratada,  naquele dia foi mesmo chicoteada  a sério, porque o intérprete do chicote  perdeu o senso de que estava  no palco e a rapariga precisou de  cuidados médicos e o outro saiu  para os camarins meio desmaiado…”(2)

Entre os activistas do CJTPP encontravam-se Fernando Viegas , Vasco Fernandes , Helena Vilaça, José da Silva Barros, Isabel Beires, Rafael Vilaça, Gabriel Oliveira, Luis Fernandes, Car­los Alberto, etc.

Em vésperas do 25 de Abril, o CJTPP foi atravessado pelas divergências e posterior cisão dentro do PCP(ML) do Exterior e mais tarde, com a organização do interior, que deu origem a dois partidos rivais com o mesmo nome. O CJTPP tomou posição contra “Manuel Ribeiro” (Álvaro Vasconcelos) que representava no MTPE o sector ligado a  Heduíno Santos  Gomes /“Vilar” (3)

NOTAS

(1)    “Um Clube de Trabalhadores para Trabalhadores”, O Salto 1, Nov. 1970; C.J.T.P.P., Lista Por um Portugal donde não precisemos de emigrar”, Programa de candidatura para o ano de 1974.

(2)    José Barros, “Episódios do Movimento Associativo na Emigração Face a Abril de 74”, Latitudes, 6, Set. 1999.

(3)    O Clube dos Jovens trabalhadores Portugueses de Paris, A R.I.A. do 27/4/1974 , s.l., s.d.(1974)

COMUNICADOS

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Halte às Agressões Fascistas..

18-Mai-09 Fotografia (2) 0218-Mai-09 Fotografia (2) 02 (2)

Comunicado conjunto com O Salto,  Janeiro de 1972.

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18-Mai-09 Fotografia (3)18-Mai-09 Fotografia (4)

Proposta do C.J.T.P.P à RIA de Paris, s.d. (1973).

PERIÓDICOS

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A Voz do Clube, Boletim do Clube dos Jovens Trabalhadores de Paris.


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