NOTÍCIAS DO EPHEMERA: DOAÇÃO PELA FUNDAÇÃO CALOUSTE GULBENKIAN DO FUNDO CARLOS DA FONSECA

ML1209Acto da assinatura do Protocolo.

Agradeço a doação feita pela Fundação Calouste Gulbenkian do Fundo Carlos da Fonseca, assente num Protocolo assinado por mim, Artur Santos Silva, Presidente do Conselho de Administração, e por Isabel Mota, administradora. O texto do Protocolo é a seguir reproduzido.

Trata-se de uma iniciativa inédita e corajosa, que farei por merecer, com a ajuda preciosa dos Amigos do Ephemera. O Fundo, coligido por um autor,  investigador e activista sedeado em Paris, que era igualmente um grande coleccionador, é constituído por cerca de 20 grandes caixas e algumas pastas avulsas, cuja descrição se fará em breve. É um Fundo importante para a história contemporânea portuguesa, com relevo especial para a história política de movimentos radicais, anarquistas e de extrema-esquerda, assim como compreende muitos documentos da fase inicial do Estado Novo. É igualmente muito rico em publicações e panfletos da emigração, em particular em França, onde Carlos da Fonseca residia.

Na base das caixas já entradas, já se começou o trabalho de organização de periódicos e panfletos, por título e por entidade emissora, e algumas digitalizações dos materiais mais raros. Em breve começarão a ser publicados.

A dimensão que tem actualmente o ARQUIVO / BIBLIOTECA e  a minha sempre reiterada intenção de o deixar ao público (junto com edifícios e outros recursos) em condições de ser sustentável, assim como iniciativas como esta da Fundação Calouste Gulbenkian, tornam urgente que se façam avanços institucionais para assegurar a sua manutenção. Para isso, é preciso que se discuta publicamente a adaptação da legislação actual (que serve essencialmente as grandes fundações), para  garantir que não há intervenção estatal ou administrativa pervertendo o objectivo do fundador,  e para  poder acomodar fundações mais pequenas e que podem ser auto-sustentadas sem o peso burocrático actualmente exigido por uma legislação assente na desconfiança, na base dos desmandos do passado. As informações que tenho é que os próprios governantes responsáveis reconhecem que são necessárias alterações à lei.

Para além disso, nenhuma iniciativa deste tipo existente em Portugal tem tido um papel tão grande de recursos voluntários, de pessoas, algumas das quais desconheço pessoalmente, que recolhem materiais um pouco por todo o país e fora de Portugal, a somar aos amigos que mantém uma página do Facebook  e uma conta no Twitter, para além do contínuo fluxo de doações de materiais, algumas de grande vulto e valor, todas bem vindas. Seja qual for o mecanismo institucional encontrado, elas terão que ser integradas numa fundação, associação cultural sem fins lucrativos, seja o que for, porque esta experiência é única.

Obrigado à Fundação e a todos, incluindo com relevo também  a Dra. Ana Paula Gordo, Directora da Biblioteca de Arte da Fundação, e que teve um papel fundamental neste processo.

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