UMA ESCADARIA MUITO ESPECIAL – EDIFÍCIO DA REITORIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

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Cartaz da exposição no Futureplaces.

 

Desenhos de Maria José Abrunhosa (numa lista do “Por um Ensino ao Serviço do Povo, Medicina) , Isael Lhano e Filomena Bento (em panfletos dos Núcleos Sindicais). (ARQUIVO EPHEMERA)

No dia 18 de Outubro, às 17.30 vai ser feita a inauguração da exposição organizada pelo EPHEMERA em conjunto com o Futureplaces MediaLab for Citizenship, sobre Movimento Estudantil na Universidade do Porto: 1968-1974 e que contou com o trabalho voluntário de muitos dos antigos estudantes activistas das lutas estudantis da época (lista a divulgar em breve). Não vai ser uma inauguração comum, a começar pelo local escolhido, a escadaria direita logo a seguir ao átrio no edifício da Reitoria na Praça dos Leões, o local onde se realizavam os Plenários dos estudantes do Porto, que acabavam todos com a intervenção da polícia. Depois faremos o trajecto a pé até ao local da exposição no UPTEC PINC na Praça Coronel Pacheco, onde haverá uma visita guiada.

A entrada e a participação em todas as actividades previstas (como o workshop sobre “memórias do copiógrafo”) é livre.

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Escadaria varrida pela polícia.

O movimento estudantil do Porto, diferentemente do de Lisboa e de Coimbra, não tinha Associações de Estudantes legalizadas (uma excepção era Engenharia, e durante algum tempo a CPA de Medicina, que tinha instalações no Hospital de S. João, depois proibidas), pelo que a maioria das actividades associativas eram consideradas ilegais. Isso significava que as suas reuniões magnas, os Plenários,  realizavam-se ocupando as escadas e o átrio da Faculdade de Ciências (hoje Reitoria)  o que era obviamente considerado na época  ilegal e impunha a intervenção da polícia. Em 1969-1970 realizaram-se uma série de Plenários nestas condições, que acompanharam a crise de Coimbra e os acontecimentos de Lisboa,

As más condições do lugar (duas escadarias, onde ficava a mesa que não era mesa, mas dois ou três estudantes de pé, que berravam para serem ouvidos no átrio com as portas abertas para a rua), e, por fim. a chegada da polícia que podia aparecer pelo interior do edifício ou pelo exterior, provocando a saída para o exterior onde começavam as bastonadas e prisões, tudo isto tornava os Plenários mais um comício do que uma reunião deliberativa.

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Lista de estudantes que pediram a palavra num Plenário nos anos 1969-70, anotada por José Pacheco Pereira, que presidiu a várias dessas reuniões. (ARQUIVO EPHEMERA)

 Nela se encontram  os nomes dos principais activistas do movimento associativo do Porto nesses anos: Manuel Resende, Pedro Baptista, Manuel Saraiva, João Cordeiro, Edgar Maciel, Zeferino Coelho, Nozes Pires, António Pedro Abecassis, entre outros.

Trata-se de um registo muito raro, visto que a informalidade tumultuosa destas reuniões faz com que não existam praticamente registos documentais.

Ver  O MOVIMENTO ESTUDANTIL NO PORTO NOS ANOS 60-70 VISTO PELOS DESENHOS DE MARIA JOSÉ ABRUNHOSA

PLENÁRIOS DOS ESTUDANTES DO PORTO – DOCUMENTOS (1969-1970)

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