António dos Santos Ferreira e José Hattenberger Rosa.
José Hattenberger Rosa (Lisboa, 14.10.1909 – 1938)
Funcionário da Caixa Geral de Depósitos, o seu interesse pela política, que se prolongou em actividade militante, e o seu amor dos livros aproximaram-no de António dos Santos Ferreira, que ia ser postumamente o seu cunhado. Apesar de uma vida curta, deixou uma biblioteca importante, que se acrescentou à do cunhado sem nunca perder a autonomia.
António dos Santos Ferreira (Lisboa, 23.02.1910 – 25.02.2004)
Funcionário da Caixa Geral de Depósitos, terminou a carreira profissional no seu seio dirigindo a Caixa de Crédito Popular. Após a morte do sogro, farmacêutico, geriu também uma farmácia durante mais de três décadas. Além de um interesse constante pela política e de um entusiasmo perene pelos livros, foi um homem de paixões sucessivas (jornalismo, filologia, apicultura, fotografia, relojoaria, informática), que deixaram vestígios na importante biblioteca que constituiu.
(Notas biográficas de Rodolphe Dos Santos Ferreira)
NOTAS SOBRE O TRABALHO NO EPHEMERA COM A BIBLIOTECA
(que, por razões de facilidade, é conhecida como “a biblioteca do Cadaval”)
- O trabalho de desempacotamento está quase concluído, faltam 4-5 caixas.
- Os livros que se encontravam em pior estado, em particular as lombadas dos volumes encadernados com bolor, foram separados do conjunto.
- Até agora, vistas muitas centenas de livros, o número de livros irrecuperáveis não chega à dezena.
- Os livros em mau estado, uns estão em quarentena, depois de limpos, outros têm que ser encadernados.
- Os livros com bolor foram arejados ao sol e limpos. É um dos trabalhos mais intensivos e abrange ainda poucos livros.
- Os livros que apenas precisam de ser limpos, sem bolor, cerca de 100, já estão colocados numa estante identificada como a do “Cadaval”. Trata-se de livros de arte, publicações soviéticas sobre ciência, volumes da Biblioteca Cosmos, alguma literatura francesa, e os volumes de Aquilino com dedicatórias.
- Mais de duas centenas de livros da colecção política, que incluem publicações proibidas de entrar em Portugal, espanholas, francesas e brasileiras já estão limpas. Mais cerca de 100 estão na fila.
- Tem vindo a ser separados dos livros todos os papéis (correspondência, contabilidade, notas pessoais), postais, programas, etc., assim como os recortes (uma grande colecção cobrindo uma época muito especial, desde a guerra de Espanha à II Guerra, com origem em publicações de vários países).
- A correspondência está a ser organizada cronologicamente.
- Estão separadas as fotografias, quer cópias, quer os negativos.
- Estão separados objectos relativos à actividade farmacêutica, incluindo publicidade, instrumentos (uma grande quantidade de termómetros antigos), frascos, caixas, etc.
- Revistas e jornais estão a ser separados dos livros.
- Uma primeira observação do conjunto da biblioteca permite identificar vários núcleos:
- livros de arte;
- livros de música e ballet;
- livros de viagem;
- literatura infantil;
- livros de ciência e divulgação cíentifica (uma boa colecção das Edições do Progresso soviéticas de livros de popularização cìentifica);
- livros sobre agricultura;
- literatura portuguesa (com uma boa colecção de modernistas em edições originais):
- literatura francesa, com epicentro nos anos 20-30;
- livros políticos marxistas.
- livros sobre a URSS, China, Vietnam e Cuba;
- livros políticos sobre guerras (Espanha, I e II Guerras)
- livros e publicações alemãs dos anos do nazismo;
- livros de psicanálise (Freud em várias edições, etc.)

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