ENTRADAS – ESPÓLIO DE CARLOS DE SOUSA (1923-1998)

Agradeço à família de Carlos de Sousa a oferta do seu espólio, assim como aos nossos diligentes amigos de Viana do Castelo cujo trabalho de recolha, organização e digitalização permitiu colocar a documentação em condições de ser divulgada. Trata-se de um espólio relevante para a história da rádio portuguesa a partir da década de 60, até ao período turbulento do imediato 25 de Abril, para além da história pessoal de um “homem da rádio”.

O espólio cobre o conjunto da vida de Carlos Sousa, dentro e fora da Emissora Nacional (depois RDP), e mostra a “fábrica” interior de um programa de sucesso “Tudo isto é vida”, incluindo a sua preparação e programação, assim como a correspondência com os ouvintes, e gravações dos programas. Noutras partes do espólio, documenta-se a vida na EN e depois RDP e o modo como o 25 de Abril atingiu a estação, com a conflitualidade interna no orgão de informação radiofónico mais importante do estado.

Biografia fornecida pela família:

António Carlos Rodrigues Duarte de Sousa nasceu na freguesia da Encarnação, em Lisboa, a 23 de Junho de 1923.
Mais conhecido por Carlos de Sousa, foi director de programas da Emissora Nacional, mais tarde RDP-Norte, assim como autor, editor e locutor do programa Tudo isto é vida, tendo-lhe sido atribuído o Prémio da Rádio de 1967.
Colaborou, ainda, no Jornal de Notícias onde escrevia sobre antiguidades e relatava histórias curiosas sobre a aquisição de peças de colecção.
Para além da actividade na rádio e como colaborador do jornal, Carlos de Sousa foi também director de comunicação e marketing da firma J. J. Gonçalves Sucessores, importador da marca Austin/Morris e colaborador de uma agência de publicidade do Porto.
Grande amigo do Dr Cardoso da Silva, juntos desenvolveram o sonho e o projecto da Liga Portuguesa Contra o Cancro, figurando o seu nome na placa que existe na entrada do edifício da Liga.
A sua participação cívica levou-o a empenhar-se afincadamente no processo para manutenção do Teatro Rivoli como património público, contra a possibilidade da sua venda.
Faleceu no Porto, a 15 de Junho de 1998.

 

 

Alguns exemplos do espólio:

Conflito com o Futebol Clube do Porto.

“…o senhor vive na cidade, eu porque sou professora numa aldeia do Ribatejo…”

Vivemos uma só vez. Falsa concepção da vida esta…

Todos (…)  lamentam que a 2ª capital do Império não tenha uma Praça de touros.”

Cartas dos ouvintes ao programa “Tudo isto é Vida”.

1 Comment

  1. Carlos de Sousa, pai estremoso, marido exemplar, profissional notável, colecionador apaixonado de antiguidades, amigo incondicional do seu amigo, lutador incansável pelos princípios da liberdade democrática e da ética republicana, ser humano humilde e acessível. In memoriam com uma terrível saudade. Penso em ti todos os dias, adorado pai. Zétó

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