ENTRADAS – JOÃO PAULO MARTINS, OPERÁRIO MODELO (1870-1960)

Agradeço a João Rodrigues Rosa a oferta de um conjunto de objectos pessoais, e documentos relativos a João Paulo Martins, assim como os seus elementos biográficos. Trata-se um trajecto exemplar de um operário especializado, com capacidade  inventiva.

BIOGRAFIA (por João Rodrigues Rosa)

  • João Paulo Martins nasceu a 14 de Outubro de 1870, Filho de Fernando António Martins e de Teresa de Jesus.
  • Serralheiro Mecânico, é funcionário da Companhia Previdente, desde 1895, aposentou-se em 1940 (com 70 anos), onde fora encarregado da oficina de colchetes.
  • Em Fevereiro de 1918, embarca para Brazaville, no Congo Francês, ao serviço da Companhia Previdente e de uma Companhia Franco – Inglesa, (A companhia Inglesa é fornecedora da maquinaria que apetrecha igualmente a Companhia Previdente em Portugal). A fim de coordenar a montagem de uma fábrica em Brazaville .

  • Ao fim de dois anos e da missão cumprida, regressa ao seu posto..
  • No que descrevo a seguir não possuo datas, apenas a época (anos 30/40) .

 

  • Estudioso e de espírito irrequieto, em dada altura apresenta à Administração da Companhia um projecto para alterar parte das máquinas que produziam colchetes. Embora reconhecendo a mais valia do projecto , é no entanto travado, uma vez que queria ser ele a produzir tal alteração, mas por contrato, qualquer situação deste género só podia ser efectuada por engenheiros ingleses, fornecedores das máquinas e sob sua supervisão.
  • Não satisfeito, e imensamente teimoso, num fim de semana que estava de serviço (a Companhia trabalhava todos os dias) procedeu à alteração, e na segunda-feira já os colchetes saíam das máquinas profundamente diferentes.
  • Esta situação valeu-lhe uma grande reprimenda, mas conscientes do valor da alteração, registaram a patente, e posteriormente informaram a empresa inglesa do sucedido.

  • Por proposta da Administração da companhia foi mais tarde agraciado com a medalha de mérito industrial em prata, pelo então Presidente da República, Marechal Óscar Fragoso Carmona.
  • Em 1940 reformou-se, com 70 anos de idade, recebendo a medalha de prata de 40 anos de trabalho da Companhia Previdente, e uma reforma de 650$00 mensais.
  • Em 30 de Novembro de 1949, casou com a minha avó, Elisa Rodrigues Coelho.
  • Faleceu a 7 de Novembro de 1960. A sua reforma nesta data era de 1.620$00. Após a sua morte a Companhia concedeu à minha avó uma pensão vitalícia de 300$00 mensais.

Junto,

  1. Passaporte passado pelo Governo Civil de Lisboa, para o Congo Francês datado de 07 de Fevereiro de 1918 (100 anos em 2018)
  2. Medalha de mérito industrial em prata.
  3. Medalha de prata de 40 anos de trabalho da Companhia Previdente
  4. Bilhete de Identidade da Companhia.
  5. Cartão de sócio da Voz do Operário, datado de 1894.
  6. Licença de condução de bicicleta passado pela Câmara Municipal de Lisboa, em Janeiro de 1925.
  7. Descrição da condecoração de mérito industrial.
  8. Alguns pertences pessoais, a saber:

Cartão de visita – Tesoura com que cortava as unhas – Canivete c/punho em osso – Frisador com que enrolava os bigodes.

Foi meu padrinho de baptismo, faleceu no ano em que fiz 10 anos de idade.

JOÃO RODRIGUES ROSA

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