Uma parte importante do Espólio de Manuel Sena Rego era constituído por colecções de jornais. Verificamos, quando os começámos a organizar, que teriamos que ter muito cuidado com o que lá estava dentro escondido. Uma dessas “descobertas” foi um conjunto de 102 documentos, na sua maioria manuscritos e alguns dactiloscritos relativos ao Movimento Nacional Democrático (MND) e ao MUDJ no início da década de 50 do século XX. Trata-se de um conjunto documental de grande importância para a história da oposição portuguesa, em particular para as organizações “democráticas” criadas pelo PCP num período de grandes divisões dos movimentos unitários da década anterior, devido ao novo clima político gerado pela “guerra fria”.
Um desses documentos foi este conjunto de “relatórios”, que se encontrava arquivado em conjunto, agrupados por volta de Janeiro de 1950(?), que refere questões de orientação, análises orgânicas e composição das estruturas do MND, MUDJ e Movimento da Paz, e que fornece uma estatística inédita dos membros destas organizações nos distritos de Lisboa, Santarém, e Setúbal. Os documentos manuscritos têm mais do que um autor, mas são na sua maioria do engenheiro António Horácio Simões de Abreu, militante do PCP e que, após várias prisões, vivia neste anos numa situação de semi-clandestinidade. É provável que um dos seus apoios fosse Manuel Sena Rego também engenheiro.































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