ENTRADAS – ÁLBUM DE FOTOS OFERECIDO AO MINISTRO DO ULTRAMAR PELOS AGRICULTORES COLONOS DE MAZIM’CHOPES (MOÇAMBIQUE, 1959)

TEXTO QUE ACOMPANHA O ÁLBUM.

Senhor Ministro do Ultramar, Ilustre Contra-Almirante VASCO LOPES ALVES

EXCELENCIA,
Permita Vossa Excelência Senhor Ministro, que os agricultores do Rio Mazim’chopes ofereçam a Nação, na llustre Pessoa de Vossa Excelência, este álbum de fotografias, probatório do esforço denodado que os anima no aproveitamento de uma pequena parcela de vasta e rica região propicia a agricultura e pecuária, que se estende desde a Mecarra e Motaze, ao Lago Chuali, da Circunscrição de Magude, do Distrito de Gaza.
Apresentando ela hoje certos riscos, quando os anos de seca se sucedam, como em 1958 e 1959, pode com uma pequena obra de hidráulica, transformar-se num interessante núcleo de colonização europeia e indígena, com farta produção de carme, leite e cereais, de colocação assegurada na Província ou territórios vizinhos.

São em número de catorze os proprietários que subscrevem esta breve e despretensiosa mensagem, sendo, de quinze, o das propriedades compreendidas pelo documentário fotográfico. O mais antigo deles, estabeleceu-se em 1947, há doze anos apenas, mas os oito de instalação mais recente, começaram de 1956 a 1958.
Tudo quanto Vossa Excelência vai ver nas fotografias que se seguem, foi feito com base em reduzidas economias, auxiliado pelo crédito das firmas compradoras de arroz e das fornecedoras de maquinaria agrícola, só com o penhor da nossa forte vontade de vencer. Se não fossem as exigências agora feitas, pelo primeiro grupo daquelas firmas, como consequência do mau ano agrícola e das restrições recentemente impostas ao crédito comercial, as quais bem podem abalar, profundamente, o nosso futuro, só palavras de reconhecimento elas mereciam pelo valoroso auxílio do crédito concedido, infelizmente ainda não obtível de origem mais estável e a juro mais módico.
A produção de arroz de 1958, fraco de chuvas, mas com o recurso das represas feitas há mais de dois anos e dos fundões, foi nas quinze propriedades de 1.800 toneladas, com um valor de 3.960.000$00. A do ano corrente de 1959, por não ter chovido normalmente desde 1958 e se terem esgotado as represas e não atingiu 15% quando, com o aumento da área posta em cultura devia ter produzido mais de 4.000 toneladas, ou sejam mais de 8.800.000$00 de valor.

Está o Governo da Província, estudando, com o maior interesse, a solução que se afigura possível de, por um canal derivado do Rio dos Elefantes para o de Mazim’chopes, encher as represas e fundões deste rio, nos meses em que o primeiro tem maior caudal, não afectando assim as reservas da Barragem do Limpopo, de que ele e o maior contribuinte e principal afluente logo a montante da ponte açude Presidente Craveiro Lopes.

O Governo da Província tem manifestado alto e muito apreciado interesse pelo desenvolvimento da Mecarra, região adjacente a Motaze, tendo feito um importante parcelarmente para agro-pecuária, prestes a ser publicado, o qual muito beneficiar com aquela obra, destinando-se a ser ocupado por agricultores e criadores de gado europeus e nativos.

Em resumo, Excelência, com água nos anos de estiagem e crédito acessível a juro módico, esta região produzirá milhares de toneladas de trigo, cevada, arroz, leite e came, comportando mais uma centena de famílias de portugueses.

Excelência.

As palavras de apreço com que Vossa Excelência, Senhor Ministro, se tem dignado premiar o esforço de todos os portugueses de Moçambique no decurso desta tão auspiciosa viagem, tem caládio fundo nossos corações pelo cunho de sinceridade de que elas se tem revestido e pelo grande conforto moral que nos trazem, por serem ditas por quem1 ao Ultramar e em serviço da Nação, tem dado o melhor da sua vida.

Terminando, Excelência, pedimos licença para, em nosso nome e no das nossas famílias, agradecermos, muito reconhecidamente, a subida honra da visita de Vossa Excelência a estas terras que ainda há poucos anos estavam a mato denso e hoje, nas pequenas clareiras que ocupamos, se vê trabalho feito com entusiasmo, fé e confiança no ressurgimento e grandeza do NOSSO querido PORTUGAL.

Mazim’chopes, Julho de 1959.

Algumas fotografias das casas dos colonos, dos trabalhos agrícolas, de campos de arroz destruídos pela seca.

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