ENTRADA – CORRESPONDÊNCIA DA GUERRA COLONIAL

Trata-se de um grupo com mais de uma centena de cartas e aerogramas enviados pelo Alferes Piloto Aviador Vasco Lami Rodrigues Matias e sua família, com destaque para a sua mulher, irmã e pais, nos anos de 1967 e 1968. A correspondência é interrompida pela sua morte num acidente de aviação, em 20 de Dezembro de 1968, quando fazia uma missão de reconhecimento destinada a preparar um bombardeamento.

O Do 27-K2, 3435, e número de fabricante 2129, colide com o arvoredo quando voava a baixa altitude, na Serra do Cazundo em Angola. Perdem a vida no acidente o Alferes Piloto Manuel António Salgueiro Lopes, o Alferes Piloto Vasco Lamy Rodrigues Matias e o 1º Cabo MMA António Duarte Almeida Correia.

 

A correspondência retrata a vida de uma jovem família que reside em bases militares, e que se desloca entre o Negage, onde Vasco Lami de Matos estava colocado, e Luanda. É um retrato de aborrecimento, reacção às condições no quartel, sentimento de pouco haver a fazer a não ser esporádicas visitas a Luanda. Principalmente a esposa do aviador, que tem um filho pequeno, queixa-se do tormento que é viver numa Angola provincial, monótona, onde não há “gosto”, nem “limpeza”. Mas a correspondência também revela o cansaço progressivo com a guerra de Vasco Lami Matias, a falta de vontade para voar, e a recusa de “alinhar nas nojeiras da Força Aérea”.

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