EPHEMERA DIÁRIO (2 DE ABRIL DE 2020): UM PRÉDIO NEO-FASCISTA EM LISBOA

(Fotografia actual)

No final da década de 70 – mais concretamente entre 1978 e 1980 – o nº 8 da Rua Tomás Ribeiro (Lisboa) albergou várias associações e movimentos nacionalistas de génese distinta.

O rés-do-chão esquerdo era a sede do Movimento Nacionalista (MN), um movimento político juvenil, fundado em 1972, em oposição às políticas de Marcelo Caetano, e que no pós-25 de Abril se notabilizou pela constituição de núcleos estruturados nos liceus de Lisboa e por co-organizar as manifestações do 10 de Junho, integrando a Comissão Nacionalista para o Dia de Portugal.

No 2º andar funcionava a Renovação – Associação Nacional de Estudos Políticos e Sociais, um think tank nacionalista, dirigido por Gilberto Santos e Castro, (fundador dos Comandos) que se dedicava à organização de conferências e colóquios, trazendo convidados estrangeiros como Blas Piñar, da Fuerza Nueva.

Finalmente, no 3º esquerdo, a sede da Ordem Nova, uma organização neo-fascista, cujo uniforme era copiado dos nacionais-sindicalistas dos anos 30, onde se juntaram efemeramente muitos militantes radicais do nacionalismo português. A enorme e redonda placa metálica, pendurada na varanda, com a cruz de Cristo e designação «Ordem Nova», era uma provocação no pós-Abril.

(Fotografia da Colecção de Direita Radical  e ligações com entradas do Arquivo Ephemera]

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