EPHEMERA DIÁRIO (12 DE MAIO DE 2020): O PODER OU A FRAQUEZA DA IMAGEM

Há muito poucas fotografias da resistência à ditadura do Estado Novo. Muito do que se passava era clandestino e não era para mostrar e fotografar. Era, em si mesma, uma actividade perigosa. Há duas excepções e ambas muito poderosas na sua eficácia como propaganda: o comício de Norton de Matos, em 1949, e a chegada de Humberto Delgado à Estação de S. Bento, em 1958. Em ambos os casos, no Porto. As imagens das multidões eram muito incómodas para o regime e, por isso, os fotógrafos foram perseguidos e as fotografias, sempre que possível, apreendidas pela PIDE.

O regime era também capaz de juntar multidões, como aconteceu no “agradecimento” a Salazar por ter evitado a entrada de Portugal na II Guerra, mas toda a gente sabia que as multidões eram arregimentadas, por exemplo, pelos Sindicatos Nacionais. E o que dava valor às multidões do Porto era o risco, – as pessoas corriam riscos para lá estarem.   Por isso, a oposição usou as imagens à exaustão, e podia contrapô-las, como neste panfleto, com a escassez de pessoas que foram saudar Américo Tomás, um ano depois das eleições. A guerra das imagens foi aqui vencida … pelos portuenses que não deixaram os seus créditos por mãos alheias.

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