EPHEMERA DIÁRIO (18 DE MAIO DE 2020): A IMPORTÂNCIA DAS “VOZES”

Este manuscrito do início do século XIX, existente no ARQUIVO EPHEMERA, é um catálogo de “vozes”. Nele estão enumeradas centenas de “vozes”, e o seu significado como ordens às tropas de infantaria. Pelo seu número e complexidade percebe-se a importância que tinha a formatura, a marcha e a deslocação ordenada das tropas, parte muito importante do seu treino, porque desse treino dependia a sua actuação em combate. O esforço que no final do século XVIII fez o Conde de Lippe (e outros militares alemães em relação a exércitos pouco disciplinados, como era o caso das tropas otomanas) , teve continuidade no século XIX, numa altura em que as batalhas se faziam pelo movimento ordenado de tropas e pela capacidade de manter a formatura mesmo debaixo de fogo. Na batalha de Waterloo, em que a disciplina das tropas era essencial para poder haver, no meio do “nevoeiro da guerra”, alguma capacidade de comando, manter as posições mesmo quando se viam as balas de canhão a vir a caminho (sim, viam-se) era fundamental para manter a defensiva e a ofensiva. O treino com “vozes” era para isso. Foi preciso os massacres da Guerra de Secessão americana para se perceber que, no tempo da metralhadora e da artilharia mais tecnologicamente desenvolvida, a formatura e as “vozes” eram já uma coisa do passado.

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